terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Uma penca para você!

Boas!

Esse é meu último post de 2012.  Está na hora de desligar os computadores, tablets, celulares e ir para o mar, para o mato, para a vida mais devagar, quase parando. A correria, agora, só em janeiro, pois o mundo não vai acabar em 12/12/12, às 12h12'12, nem no dia 21/12. Se o calendário acabou, a gente faz outro.

Para você meu amigo e minha amiga seguidor e seguidora do blog, desejo apenas uma penca: uma penca de coisas boas! uma penca de soluções! Uma penca de saúde! Uma penca de beijos e outra de abraços! Uma penca de velejadas! Uma penca de belos horizontes - do mar à montanha! Desejo também  uma penca (pequena, quase acabando) de problemas, pois mar tranquilo não faz bom marinheiro!

Minha pequena Alice, mandando ver em sua penca de sorvete!


Bons ventos e estrelas à barla!

Amanhã só ano que vem!



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Clube Cusco Baldoso e Regata da Marinha 2012!

Boas!

Pois é, todo ano a gente diz que o ano passou rápido. Nesse não foi diferente. Já estamos no alto de 2012, pleno dezembro, quase verão, quase férias para alguns e trabalho para outros tantos. Meu marco regulatório para a libertação do terno e gravata é a Regata em homenagem à  Marinha do Brasil. Esse ano ela veio um pouco mais tarde: será realizada no dia 15 de dezembro, sábado e coincidirá com o término da copa CIR de vela oceânica (mais informações ao final deste post).

Enquanto isso entre um abacaxi e outro vou organizando o novo formato da escola de vela, agora com o Malagô. Algumas coisas já estão definidas e uma delas é a criação do Clube Cusco Baldoso, ou algo assim.

Basicamente quem foi aluno (e isso vale para quem fez aulas no Atoll 23 ou para quem eu dei aulas no próprio barco) será convidado a participar de alguns eventos, como as regatas de veleiros clássicos e regatas festivas como as da Marinha, ou de travessias fora do calendário de aulas. Tudo isso sem custo, a não ser o rateio das despesas básicas (irrisório).

Além disso, aqueles livros que o Jefferson Aliseda doou serão somados aos meus livros (e a outros que cheguem!) e poderão ser emprestados pelos ex-alunos, membros do clubinho. Escolhe-se o título de uma lista e eu o envio pelo correio. A devolução será feita também por correio, mas  junto com o livro devem vir selos suficientes para uma nova postagem, permitindo que outra pessoa receba o livro e assim por diante.

Ideias. Mesmo sem o acento agudo que graça teria a vida se não fossem elas? E se puderem ser concretizadas, então, tanto melhor!

A seguir mais informações sobre a Regata da Marinha 2012, enviadas pelo Diretor de Vela do CIR José Carlos Chrispin:



"No próximo dia 15 de dezembro a orla santista estará em festa com dois importantes eventos de vela.

Simultaneamente acontecerá o encerramento para veleiros de oceano e a REGATA EM HOMENAGEM À MARINHA DO BRASIL que em 2012 completará a sua 40ª Edição.

A REGATA DA MARINHA é um dos importantes eventos de comemorações da Semana da Marinha.

O final de semana festivo, com a competição, vem colorir e agitar as águas da Baixada Santista.

A festa contará com a presença de autoridades de vários setores e contará com o Navio Veleiro Cisne Branco da Marinha do Brasil.

Espera-se cerca de 60 embarcações para o evento, considerado um dos mais belos da cidade de Santos.

Participarão Veleiros das classes Monotipos e Oceânicos.

A premiação e confraternização acontecem na Sede Náutica do Clube Internacional de Regatas.

Organizadores: Clube Internacional de Regatas, Iate Clube de Santos,Marinha e Capitania dos Portos de São Paulo 

Apoio da Prefeitura Municipal de Santos.

Até mais ventos!

Zé Carlos – Veleiro Chrispin 
Diretor de Vela do Clube Internacional de Regatas"


E vamos no pano mesmo!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Quando tem que ser, é...

Boas!

Tentei comprar o Coronado (Ulisses Schimels) durante um ano. Nossa, como eu sonhei com aquele barco! Mas em 2012 o caixa andou baixo por aqui e não deu. Um domingo a noite matutei, matutei e arrumei um jeito. No dia seguinte, porém, quando fui fazer a proposta, fui surpreendido com a venda do "meu barco" para outra pessoa. Que pé no saco! Pois é, quem dorme no ponto...

Nessa mesma semana fiz uma outra proposta para o Cesar, do Malagô, um outro sonho de consumo (sublinhando que o Coronado e o Malagô são barcos de concepções e de "trabalhos" completamente diferentes). Após um final de semana da agonia,  aparamos umas arestas e pronto, no fio do bigode a coisa estava feita. Mas que frio na barriga deu!

Era final de outubro e eu tinha muitas aulas para dar ao longo de novembro. Acertamos os "toma lá da cá" (o nome fácil da obrigação sinalgmática) para o final de novembro, mais tardar começo de dezembro. Eu levaria o Cusco até Ubatuba e para isso contaria com a ajuda do grande Ricardo Stark (grande no tamanho e na generosidade)!

Nesse meio tempo o negócio do Coronado foi desfeito. Caramba! Parei para pensar, mas eu já tinha me acertado com o Cesar... assim, apesar do Coronado me dar muito menos despesa e trabalho (a longo prazo), não teve jeito, mantive a palavra e segurei a onda do Malagô - barco que eu sempre amei, de paixão, mas nem cogitei que um dia seria meu (para ser sincero  a ficha ainda não caiu direito).

Acontece que eu simplesmente não conseguia arranjar um jeito de levar o Cusco para Ubatuba. Sempre dava algo de errado: previsão, compromissos das meninas e até o trabalho! E o barco lá, prontinho, esperando em uma agonia silenciosa.

Apesar de eu ter dado uma forcinha o Cesar e o Walnei não se entenderam (o que lastimei muito). Enquanto isso o Ricardo Stark começou a trocar e-mails com o Victorio e nessa, quase sem querer querendo,   vendeu o Cusco Baldoso.

Hoje o negócio entre o Cesar e o Victorio foi selado e eu fui tirar o pouco que ainda era meu do barco. Sensação estranha, de quem se despede de um bom amigo. Fiquei feliz, pois o barco vai para um casal bem legal e que fará bom uso dele. O Cusco e "seus" casais! 

O valente e famoso Atoll 23 será mantido na mesma poita pelos novos donos (terei vizinhos que irão velejar!), mas parece que vai mudar de nome... 

Eu já creditei que trocar de nome de barco dava azar. Mas troquei o nome do Rio 20 e do Atoll 23 do mesmo jeito. Contudo, todavia e entretanto, não tenho coragem de mudar o nome de um barco que há mais de cinquenta anos é chamado da mesma forma: o Malagô não virará Cusco Baldoso (porém outro já está a caminho, embora isso seja segredo!)

Agradeço muito ao Ricardo, pela atenção que me deu, amigo como sempre!

Agradeço mais ainda ao amor da minha vida, Priscila, que longe de criar problemas  foi a primeira a abraçar com entusiasmo a ideia e a aceitar numa boa ficarmos a pé por uns tempos para realizarmos mais esse projeto (parceria nessa vida é tudo, até no busão!!!). 

E vamos no pano mesmo! 


domingo, 25 de novembro de 2012

Travessia 14 Bis

Boas!

No dia 25 de dezembro de 1999 eu e meu amigo Carlos Teobaldo fizemos nossa primeira travessia: de Santos à Bertioga, de caiaque. Foi ai que conheci o canal de bertioga. Depois disso, pelo menos uma vez por mês fazia esse trajeto, saindo do Clube de Regatas Santista (hoje demolido) e indo até o Forte São João.  Eu me achava o máximo, pois a distância era considerável e em menos de cinco horas a cobria com certa facilidade.

Já velejador, em 2005 e após alguns anos sem fazer esse trajeto, peguei meu caiaque vermelho Ferrari e me lancei ao mar. Ao chegar nas proximidades da Base Aérea de Santos  percebi uma movimentação estranha, que persistiu ao longo de todo o canal: vários barcos a motor, alguns poucos caiaques e muitos NADADORES!

Eu ainda não sabia, mas uma vez por ano acontece a travessia 14 Bis, uma bela prova de natação organizada pela Aeronáutica que começa na Base (que fica em frente ao porto de Santos) e termina, justamente, no Forte São João, em Bertioga. Eu que me achava o máximo por fazer aquele trajeto todo no remo, me senti um pouco diminuído em minhas habilidades ao ver que muita gente fazia o mesmo, mas usando o próprio corpo como embarcação!

No início do mês de outubro recebi um e-mail do Felipe Prado, que estava estudando com afinco as peculiaridades do canal e me encontrou na internet por conta do roteiro de navegação do canal. Achei muto interessante, pois ele soube adaptar muito bem as dicas para a navegação embarcada para a prova de natação, tendo tirado muito proveito das peculiaridades de corrente do local.

Ontem, com muita alegria, recebi esse simpático e-mail:

"Juca, muito obrigado pela paciência e dicas sobre o canal. Sou o de camisa branca em terceiro lugar(categoria) no podium . Fiz 5:04 e o que está em primeiro é meu amigo e fez 4:41. 

Ah, passei no meio dos veleiros atracados e pensei: "- Pô sera que o Cusco está aqui?". Na próxima respirada vi ele!!!"



Meus parabéns para o Felipe e para todos os competidores dessa prova, que definitivamente não é para qualquer um!

Bons ventos!


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Visitas de novembro!

Boas!

Novembro foi o mês mais movimentado da nossa escola de vela. Quase não fiquei em casa aos sábados, domingos e feriados. É trabalho, eu levo a sério como tal, mas é tão divertido que simplesmente não parece. O direito já foi assim para mim, hoje não é mais. Mesmo assim me sinto dividido, com um pé lá e outro cá. Percebi isso muito bem hoje de manhã quando depois de oito dias de "folga" por conta de uma mega emenda de feriado  entrei de novo em um terno e fui arrumar uma briga, feliz da vida, em uma audiência bem tensa e tumultuada. A briga foi bem divertida, com direito a muita ironia, perguntas bem feitas (de lá e de cá) e cartas na manga (só do lado de cá, ufa!). Tudo o que eu gosto na vidinha de advogado: uma bela de uma confusão. Ainda bem que eu não tenho que escolher, pelo menos não ainda...

Dia 10 de novembro recebi a visita do cunhado. E ele nem veio pedir dinheiro emprestado! Fomos ao Cusco para as meninas darem "tchau" e passamos um dia bem bacana. Depois veio a sogra... E ela veio tão legal que até me emprestou um dinheirinho - e a fundo perdido!!! Vai entender esse mundo!

Olivio, o cunhado, com a Bridinha, nossa primeira proeira!

A Almiranta, em rara vista ao Cusco!

Dia 11 dei aula para "aquele cujo nome não pode ser dito", um gringo  todo preocupado com sua privacidade. Para mim será muito fácil cumprir a promessa de não revelar quem ele é, até porque eu não faço a mais vaga ideia.

Veio o feriado e lá no dia 16 reencontrei os já amigos Marcos e Leandro. É incrível, pois dá para fazer a mesma coisa todos os dias e todas as vezes é diferente. Dessa vez em uma hora estávamos bem afastados da costa, com a Riviera de São Lourenço no través... na volta o mar deu uma crescidinha e eu fiquei preocupado com a entrada no canal. O Leandro avisou que não tinha medo (- Que bom! - pensei eu - Porque eu tenho!) e acabou que deu tudo certo, após um pequeno surf. Nesta noite dormi no barco e perdi meu remo de Paraty para a correnteza do canal. Mas não vou contar que mergulhei atrás e não consegui voltar, tendo boiado até as marinas nacionais e de lá voltado a pé, todo molhado e morrendo de frio - e sem o remo, que foi mais rápido do que eu. Isso seria muito mico! Li a perda do remo adorado (pintado com as cores do Rio Grande do Sul da Priscila) como um sinal: é hora de voltar para a terrinha. Paraty, ai vamos nós!


O Marcos não sabe, mas eu gosto de aviação tanto quanto ele! - Mas não tenho brevê.

Ele pensa que eu não vejo, mas o Leandro olha muito para as lanchas que passam... olha o karma, meu amigo! Olha o karma!

Parece estranho, mas quanto menor a costa no horizonte, mais seguros estamos.


Oficialmente as aulas no Cusco Baldoso terminariam ai. Porém fazia alguns dias que outro gringo - o Frederico, italiano mais brasileiro que eu! - vinha telefonando e eu acabei cedendo. No dia 17 dei aula para ele e para seu filho, um guri muito espero de dez anos de idade - o Felipo! E não me arrependi. Voltei no tempo alguns anos, lá em em 2009, quando fiz um charter com o Ulisses, do Coronado (que por muito pouco não foi meu novo barco novo).

Na época perguntei para  se ele não tinha medo de levar gente chata, mala... pois é, nessas horas eu acredito muito em estar em sintonia com o universo. Começa que quem quer velejar já é um ser especial. Quem tem karma mais pesado compra uma lancha (e se for muito barra pesada, um jetski!!!). Velejar não é ir, é estar e é mais do que isto, é bem estar! E nisso tive muita sorte ao longo desse ano, pois só encontrei gente bacana e aprendi muito com todos eles. Sem exceção.

Capitão Frederico, futuro mestre cuca da nossa escola de vela...


... e o valente Felipo, que tratou logo de ocupar o lugar preferido da Brida!

No dia seguinte faríamos o módulo II e veio apenas o Frederico. Íamos para o mar, mas lá fora estava bem picado, o motor cavitava muito e um pescador fez sinal de que a coisa não estava legal. Até dava para ir, mas eu sentia lá dentro de mim que devíamos voltar. Não sei se minha cabeça já estava nos novos rumos, se o mar estava realmente ruim ou o que foi... só sei que olhei lá para fora e não gostei. Pedi desculpas para o meu novo amigo (que ganhou uma aula extra) e voltei, convicto de que fiz o que era certo. Vai saber, não é?!

E vamos que vamos, no pano mesmo!




domingo, 4 de novembro de 2012

Empinando Pipa...

Boas!

Finados, como não poderia deixar de ser, foi um feriado cinzento e de pouco vento. 

A sexta-feira até que começou promissora. Dei aula para duas figuras especiais, o Leandro e o Antonio Marcos (antes seguidores, hoje personagens deste blog!). Iniciados os trabalhos e durante um repentina estiagem o vento entrou, embora um pouco tímido. Fizemos algumas evoluções quando o Marcos cunhou uma frase genial, que entrou para os anais cuscobaldoseanos: "Estamos velejando com o ar condicionado ligado"!

Leandro e Marcos...

Não sei se Éolo não gostou da brincadeira (eu adorei!), mas o fato é que depois dela o vento acabou. Passamos o resto do dia num jogo de gato e rato, mas vento de verdade, não teve. Faz parte, embora eu fique muito chateado, pois entendo a ansiedade dos alunos. O Marcos estava esperando desde junho, o Leandro pelo menos há mais de um mês (senão a vida toda, pois nunca tinha estado num veleiro)! Velejar é assim mesmo... aos trancos e barrancos fizemos o básico do módulo I e eles ganharam uma aula extra, cortesia da casa! Só não sei se conto  que depois que eles foram embora, lá pelas 17h00 entrou um ventinho de respeito... melhor deixar assim, em segredo.

Sem vento...

Acabei dormindo no barco, para fugir do trânsito do feriado, coisa que não fazia desde Paraty. Sofri um bocado. Ali para os lados da Marina Tchabum tem uma discoteca e o pessoal vai de lancha para lá. A madrugada toda foi sacolejando para lá e para cá, ao som de muita música! Às cinco da manhã, quando consegui dormir um pouco e sonhava com o robalo de 18,8kg pescado no dia anterior (e em exposição lá na Chinen), fui acordado por batidas de remo de um barquinho de pesca...  Pois é, dormir é para os fracos!

No dia seguinte o céu continuava púmbleo. E eu duplamente preocupado: com a falta de vento do dia anterior e em garantir que nada de errado acontecesse com meus alunos Wander e a Cris, aqueles que estavam a bordo quando o motor de popa caiu no mar! Tudo tinha que ser perfeito, até porque íamos para o mar (Módulo II).


Wander e Cris...

Na saída do canal encontramos o Marcio, do Velejando com Deus, levando o Fernando Previdi e família (até a sogra foi!) para aprender a tocar um catamarã de enormes proporções. Eles estavam voltando, forte sintoma da falta de vento que se avizinhava. Pronto, mais uma aula extra?!

Velejando com Deus!


Não!!!!

Ventou. Muito pouco, pouco mesmo, mas ventou. Nos arrastávamos a meio nó quando tive a ideia de subir a pipa!!! Estávamos de través, o mar estava baixo e não vi muito risco em subir a gennaker. Pronto! Sem nenhum sutiã a vela subiu bonito e nossa velocidade foi lá para seus dois nós, com picos de três e meio!

Em um final de semana de frases de efeito a Cris, inspirada pelo dramin e em um momento de sinceridade desmedida soltou um belo: "Ah, velejar é divertido!"

Ufa! Missão cumprida! Sempre digo que velejar tem ser divertido, se não for tem algo errado.






Não sei se são meus olhos, mas acho essa vela a coisa mais linda do mundo!

Esse mês tenho aulas todos os finais de semana e, ao mesmo tempo, estou em um processo de despedida do Cusco que talvez vingue. Por agora só posso dizer que o atoll 23 é um veleiro sensacional e que fez de mim um velejador muito melhor!

E vamos no pano (colorido) mesmo!



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

No mar e na vida nenhum dia é igual ao outro.

Boas!

Nesse final de semana a previsão do tempo indicava um sábado e um domingo de condições atmosféricas e de mar bastante congruentes: ventos de SE, ente 6 e 10 nós, mar de almirante, uma chuvinha com possibilidades de abertura.

Nessa toada lá fui eu dar aulas do módulo II (introdução à navegação costeira) para o Marcello e Fernanda e, no dia seguinte, para o André e para o Aruã. Bora lá!

No sábado a previsão só não se confirmou porque não choveu e o céu ficou limpo. O mar estava um tapete, sem nenhuma vaga ou marulho. Vento de SE, 10 nós. Devíamos ir para a Ilha das Cabras, mas por mais que tentássemos avançar,  a coisa não fluía. Preferimos tocar para o rumo do Montão de Trigo e pouco depois estávamos apoitados no Canto do Indaiá (Bertioga), fazendo um lanche e ouvindo música (essa aula estava mais para passeio!). Deu uma vontade de mergulhar... é ó inverno que foi embora!

Fundeados no Indaiá.
O Indaiá, ao fundo...

Abastecendo...


Entramos no canal "quase" no pano mesmo (nunca consegui), mas a maré contra não deixou. Logo após a Pedra do Corvo liguei o motor. Às 17h03 estávamos de volta à poita, sãos e salvos.

É preciso dar muito valor para dias como esse, perfeito: eles não acontecem sempre.

O domingo tinha tudo para ser igual ao sábado. Mas não foi. Ninguém se banha num mesmo rio duas vezes: na segunda o rio já não é mais o mesmo, muito menos você. No mar é a mesma coisa. Nunca se deixa de aprender.

O André se atrasou (bastante, rs) e achei que ele (e o Marco, seu pai - o terceiro elemento!) não vinham e sai apenas com o Aruã. Meia hora depois as Marinas Nacionais me chamaram no rádio VHF: "Cusco Baldoso, Cusco Baldoso, atento Cusco Baldoso, Delta 45 solicita...".

Pois é, lá estavam na Marina o André e o Marco. Dei a volta e numa operação mais ou menos tranquila (o motor morreu quando soltamos a âncora, rs) embarcamos os atrasadinhos.



Nosso cronograma foi retardado em uma hora, mas isso nos livrou de um belo perrengue. Ao sairmos da barra, com uma forte corrente contra de pelo menos dois nós, percebi muita nebulosidade vinda dos lados de Santos/Praia Grande. Antevendo a encrenca (o que talvez não tivesse acontecido se não houvesse o atraso), navegamos marcando com muita precisão o rumo na bussola: 120º magnéticos ou 143º verdadeiros, rumo ao Montão.

Uma hora depois tudo ficou branco. Horizonte 360º de mar ou bruma branca. Onde estava Bertioga? Onde estava o Guarujá? Onde estava qualquer coisa? Foi divertido!

Era para se ver uma cidade ali no fundo!!!

Demos meia volta e enfiamos a agulha no 300º magnético, com ajustes para o 290º de tempos em tempos para compensar o abatimento e desviar de umas redes de pesca. O Cusco andava bem, a seus quatro nós e meio (mestra toda em cima e genoa II) e em menos de uma hora estávamos entrando no canal.

A maré estava a favor e pensei: dessa vez vamos entrar no vento!

Passamos a Pedra do Corvo e avançamos bem até que caímos em um buraco de vento que ora nos jogava para encalhar perto do Forte, ora nos colocava rumo às pedras. Por sorte o motor estava ligado, mas no neutro. Antes de engatar (pq ele sempre morre quando a gente precisa dele!) tentei voltar para o mar. Mas a corrente não deixou... o Aruã enrolou a genoa e com a proa indo para as pedras liguei o motor que...ufa! pegou! Acelerei e nos mandamos dali. Deu para suar! Não vou brincar mais disso não, aquela barra é complicadinha: agora é sempre no motor!

O nevoeiro no mar e no canal, céu azul!

Fotografia do G1, mostrando o nevoeiro ainda em Praia Grande (visto de Santos).

Na balsa desliguei o motor de velejamos até a Marina num través muito louco! Inclinamos 30º só de genoa e hoje eu comecei o dia com um sorriso de orelha a orelha! Que velejadas! Que final de semana! Isso é lá trabalho?!!!

E é isso ai, vamos no pano mesmo!






quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Capitão?

Boas...

Isso pode soar estranho, mas  eu não ligo muito para os títulos e habilitações formais em navegação. Isso soa ainda mais estranho se for levada em conta minha formação profissional (na verdade, penso que a culpa é dela) e, mais estranho ainda diante do  fato de eu ter me tornado instrutor de vela. 

Comprei meu primeiro barco em 1996: um bote de alumínio de 3,3 metros, que fui buscar em uma favela no Guarujá no alto dos meus 17 anos, munido de R$ 350,00 que ganhei dando aulas de português, física e química - uma pequena fortuna! Depois do Aries tive tantos outros barcos que até já perdi a conta... Mas o primeiro veleiro, o Fraldinha (um HC 14 caindo aos pedaços - literalmente) veio em novembro de 2002, meu último ano de faculdade. E lá se vai uma década... 

Naveguei durante doze anos sem ser sequer arrais amador. Aposto que sabia mais sobre o RIPEAM do que muito navegador por ai, mas estava em situação irregular. Em 2009 fiz a prova. Um ano depois, em 2010, me tornei mestre. Minha primeira grande travessia velejando (pois de caiaque fiz coisas muito maiores) foi feita em um barco classificado para navegação interior e eu estava apenas com um protocolo de arrais (a carteira não tinha ficado pronta e o tal protocolo não valia no Rio de Janeiro, onde o Cusco Baldoso estava). Nas primeiras três horas de travessia estávamos na Ponta da Juatinga com mar relativamente grande, vento e ondas contra e tocados por um motor de popa Honda 7,5 HP, ano1984.  Eu tinha uma ideia do que fazer, do que não fazer (muito mais importante), tinha medo na medida do necessário (embora tenh sujado umas duas calças) e aos trancos e barrancos chegamos no canal de bertioga - viemos praticamente numa toada só, dois dias e duas noites. Já o motor, que funcionou bravamente durante todo o trajeto, faleceu!

O conhecimento não está na habilitação, mas na cachola. Mais importante que passar na prova, ou até mesmo do que ter feito a prova, é dominar o conhecimento das regras e procedimentos para estar no mar, para ir só até ali e voltar. Ora, uma coisa não leva a outra? Não sei e nunca dei muita bola para isso e nesse ponto não sou exemplo para ninguém.

No último dia 16 de outubro eu e outras cinquenta pessoas fizemos a prova para capitão amador aqui em Santos. Apenas uma menina... Para mim já ouço o barulho da bomba se aproximando. Mas, sinceramente, a verdadeira prova está lá fora: é sair e chegar, é ir até ali e voltar.

A pilha de problemas que o Jefferson me passou anda sendo "desmanchada". Viajo na média de um livro a cada dois dias. Hoje me despedi de Beto Pandiani e de seu "O mar é minha terra". Mas o preferido sempre é "Do Rio à Polinésia", do Cabinho, que visito aos poucos entre um e outro título. 

Hoje à noite, na página oito, leio:

"Há bem pouco tempo, eu estava numa sala na Capitania dos Portos, tendo á minha frente um entediado oficial da Marinha com uma imensa pilha de papéis para assinar e, simultaneamente,  me examinando para uma carta de capitão-amador.

Pediu-me que escolhesse um papelzinho dobrado, assim sorteando um ponto.

Era um problema de cálculo da hora local do crepúsculo partindo de uma hora dada num relógio de antepara.

Lembrei-me então do descomplicado Sea Bird, barco de minha viagem, onde meu velho e imenso relógio de antepara marcava solenemente, embora de forma não muito precisa, a hora de Greenwich.

Essa é fácil, pensei então. Enquanto meu examinador mergulhava em seu mar de processos, rapidamente resolvi meu problema e o entreguei. 

Ele olhou de relance e falou:

- Vê-se que o Senhor não tem a menor ideia do que seja navegação astronômica. Então não sabe que um relógio de antepara marca a hora civil?

Eu não sabia.

Tentei me consolar pensado que se tivesse levado muito a sério o assunto, talvez pudesse estar como ele, naquela sombria sala com todos aqueles papéis para assinar, mas na verdade lembrei-me de que já havia levado pau no exame escrito por não ter podido usar a tábua 249, a única que eu conhecia. Em fração de segundo, recordei-me de minha passagem por Tuamotus, aquele verdadeiro pente de pegar iates no meio do Pacífico, onde um erro de umas poucas milhas na navegação astronômica significa naufrágio certo, e arrisquei um comentário irônico.

- Curioso - disse -, velejei umas 15 mil milhas num veleiro menor do que sua sala em dois oceanos e não costumava ter problemas.

- E como o Senhor navegava?

- Pelo voo das aves e pela direção do borrifo na crista das ondas.

O Comandante me olhou atravessado e despediu-se secamente".


Pois é, no meu caso "só" faltaram as 15 mil milhas para a saída ser tão honrosa...

E vamos no pano mesmo!


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sandy está botando para quebrar no Caribe!

Boas!

Eu gosto muito das duplas sertanejas de antigamente. Mas confesso que sempre tive uma dificuldade em saber quem é um, quem é o outro. Quem sabe dizer, com certeza, qual é o Milionário e qual é o José Rico? O Tonico e Tinoco? João Mineiro e Marciano?  Sandy e Júnior?!

Pois é, pois é...

Hoje lendo os e-mails do fórum da ABVC vi uma mensagem do grande Elmo (que tem um blog super bacana sobre "coisas de barco"), dando conta de que a Sandy estava botando para quebrar no Caribe! Mandou até a foto, que está ai embaixo!

A Sandy está bem ali em cima, à esquerda, redondinha!

Brincadeiras a parte, Sandy  é o nome da Tempestade Tropical que está dando uma volta pelo Caribe. Velejar por ali não deve estar fácil: ventos de 40 nós, com 50 nós de rajada! Nesse momento a moça está no sul da Jamaica e deve atingir Cuba, onde provavelmente (tomara!) perderá intensidade e não se transformará em um furacão. 

Ali não dá para ir nem no pano mesmo!!!

Bons ventos!


sábado, 20 de outubro de 2012

Velejar com vento é sempre muito bom!

Boas!

Velejar é uma atividade às vezes frustrante: você passa a semana inteira esperando o final de semana para ir para a água e, quando chega o dia, chove, não venta ou uma manilha e até uma simples cupilhazinha de nada estraga o passeio tão esperado. Mas basta meia horinha que seja em um vento de verdade para toda essa espera ter valido a pena. Velejar é bom de qualquer jeito, mas com vento é muito melhor!

Ontem e hoje dei curso de vela (módulo 01, no canal). Primeiro para o bem humorado André e depois para os divertidos Marcello e  Fernanda (que foi a capitã, algo até então inédito!). Um dia após a outro e tudo tão diferente. Ontem um vento de 27 nós nas rajadas (pela primeira vez dei aula rizado!); hoje o vento ainda forte, mas menos agressivo. Tudo em paz, nenhum incidente sério, exceto pela manilha que segura(va) o moitão do burro, que não aguentou o esforço de ontem e se partiu, tendo sido substituída logo por um cabo de spectra. De semelhante apenas o fato de o vento(ão) ter acabado antes da hora, lá pelas 14h00...

Aqui cabe uma dica: tenha sempre um pedaço de uns dois metros, que possa ser cortado em pedaços menores, de spectra 6mm. Esse cabo tem resistência superior ao aço de mesma bitola e substitui com segurança manilhas e alças, por exemplo, fazendo uma volta ou um simples lais de guia. Os meus cabos eu compro na Náutica 30 Nós!

E vamos no pano mesmo!

O André tocando o Cusco depois de muitas rajadas fortes!

Uma bela asa de pombo.


Marcello e Fernanda, confirmando a vocação do Cusco: barco do amor!
Voando baixo...

Final de tarde na travessia de balsas entre Guarujá e Santos.



domingo, 14 de outubro de 2012

Biblioteca náutica!

Boas!


Esse blog rendeu muito mais alegrias do que poderia sonhar a minha vã filosofia de almanaque. Já perdi a conta de quanta gente bacana entrou em nossas vidas por conta dele. Alguns apenas no mundo virtual. Outros, para quem a distância física não é um grande problema, já se fizeram presentes em três dimensões. 

Ontem foi um desses dias de alegria. A aula programada para um casal (mais um!) teve que ser cancelada por conta do mau tempo (decisão acertada, pois fez frio e choveu bastante), o que me deixou um pouco ranzinza, pois eu estava louco para velejar. Ainda assim o dia foi especial, pois conheci (ou conheci de novo, pois já o conhecia de vista) um ex-vizinho da Náutica Sangava (Guarujá/SP), onde fiquei por quase dez anos com meus intrépidos monotipos (dois HC14, um Dingue, dois Hobie 3.9, um Dinghy Andorinha, canoas, caiaques, etc, etc, etc).

Seguidor do blog, Jefferson Aliseda estava com um pequeno problema: faltava espaço para um excelente biblioteca náutica, com trinta títulos dos quais vinte e cinco eu ainda não li (e os outros queria ler de novo)! Como amigos são para essas coisas, tive que buscar uma solução "muito sacrificante" e o resultado é que hoje o Cusco Baldoso  tem uma biblioteca náutica de respeito. E, mais legal do que isso, estou matutando um jeito desse acervo poder ser compartilhado por mais pessoas.

Aproveitei o dia chuvoso e fiquei a bordo o sábado inteiro lendo e viajando... Já nem  sei se quero que faça tempo bom para ir navegar ou se quero que o mundo desabe em água para eu poder ler tudo isso!

Doce dilema...

E vamos no pano mesmo!

O Jefferson, com sua pilha de problemas...

...e o Cusco Baldoso em modo tempestade.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Cusco está de volta!

Boas!

Nesse final de semana a minha amada Priscila resolveu atender meus reclamos e sentar em frente ao Corel Draw para fazer o selo da nossa escola de vela! Nessa quem voltou foi o cusquinho amarelo com as orelhas jogadas para trás pelo vento e que adornou nosso valente Rio 20, barquinho que só nos deu alegrias - e muitas!

Cusco baldoso é um apelido carinhoso que a Priscila me deu quando nos conhecemos. Eu não sabia o que significava, pois a língua falada nos pampas tem suas peculiaridades e por vezes beiro ao dialeto ou à corruptela... mesmo assim gostava da sonoridade. Cusco nada mais significa senão cachorro sem raça definida, o bom e velho vira-latas (quem teve um jamais esqueceu!). Baldoso é aquele que tem balda, ou manha.  Um cusco baldoso, assim, é um vira-latas manhoso!




Então bora lá virar latas!


domingo, 7 de outubro de 2012

De volta ao meu aconchego...


Boas!

Apesar de ter aula de vela agendada para o dia 06/10, tive que cancelá-la e acabei não velejando nesse final de semana. Ainda assim  passei o sábado todo a bordo do meu querido Cusco Baldoso. Instalei a segunda placa solar de 30W - no total ele agora tem 90W e energia para o piloto e para o cd/dvd não deve ser problema tão cedo. As luzes de navegação ainda precisam ser substituídas por LED, mas isso vem já já. 

Sofri um "acidente de trabalho" semana passada (sábado, 29/09), mas dele já estou bem e a partir do dia 12/10 devo ter vida absolutamente normal. Agora é uma amigdalite que me pegou, mas já já ela passa também. Tudo passa nessa vida, até uva...

Em novembro o plano era passar dez dias entre Ilhabela e Ubatuba (plano original de outubro, rs). Ia fazer o Cruzeiro Costa dos Tamoios, com o pessoal da ABVC, mas a Priscila não pode nessa data. Mas eu não reclamo: depois que a gente adia a partida para a outra vida , de alguma forma todo o restante é 100% lucro.

Estrelas à barla para todos nós.


Em Tempo.: sempre, sempre, sempre passe abaixado por uma retranca, mesmo que ela esteja cheia de vento para o outro lado. Em travessias, habitue-se ao "preventer". Não relaxe, nunca. Olhai e vigiai! 



sexta-feira, 28 de setembro de 2012

São Paulo Boat Show 2012

Boas!


Hoje fui com o Luiz Araújo no São Paulo Boat Show. Chegamos cedo, assim que a feira abriu. O salão estava praticamente vazio e alguns stands ainda fechados. Para quem gosta de lanchas aquilo está um espetáculo, com opções a partir dos R$ 29.000,00 até a alta estratosfera. Belos barcos que insistem em mostrar como eu sou pobre!

Mas um dia algum Benneteau se chamará Cusco Baldoso!

Em meio a profusão de motores de popa chineses de nomes esquisitos, destaco a chegada ao Brasil do alemão Toqeedo: motorzinho de popa elétrico, com bateria de lítio. Sempre fui fã deles e tenho certeza de que daqui a uns dez anos esse segmento sofrerá melhorias ainda maiores, a ponto de os de popa a combustão poderem ser substituídos sem neuras.

Quanto aos veleiros visitamos o belo cruzeirão Bavaria 40 e sonhamos um bocado. Em meio a muito gentil recepção, conheci pessoalmente uma figura que já conhecia pela web: O Juliano Treis, do veleiro Conquista , um O´day 23 que saiu de Florianópolis e acabou naufragado em Vitória em 2004. Por conta dele sempre deixo a gaiuta  fechada! A história, porém, foi um pouco mais pavorosa do que eu havia entendido: o veleiro capotou no sentido longitudinal: a proa  foi para trás com a onda anormal... Ainda bem que ele já reconstruiu a vida e está tudo nos conformes. Vale a visita.

O cockpit do Bavaria 40.


Outro veleiro que gostei muito do o Flash 170, que agora conta com uma mini cabine (honesta). Aprecio o conceito desse monotipo: boa boca, casco planador, quilha com lastro, buja auto camante, gurupés/gennaker e, o mais legal: é um barco NOVO!


Agradeço ao Luiz pelo convite e pelos convites!

E vamos que vamos!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

SDRUVS

Boas!


Ao chegar em casa ontem tive a grata surpresa de receber o livro do amigo Luziano Zinn: Mil Milhas com o Sdruvs, obra que conta a viagem feita pelo navegador gaúcho de Porto Alegre até Rio Grande, com direito a uma passadinha em território uruguaio.

A narrativa é fácil e em poucos minutos você passa a fazer parte da tripulação do pequeno e valente Atoll 23: briga com a Karine, riza a mestra, troca a genoa, encalha nas lagoas, usa o balde e descobre, quinhentas milhas depois, o sabor do mar de Rio Grande, com suas ondas e ventos uivantes. Acaba ai? Não! Ainda faltam outras quinhentas milhas para voltar para casa! 

Mas a essa altura a casa já não era o próprio barco?




Segundo conversa que tive com o Autor logo após a leitura, o  SDRUVS  (que "ao que parece" significa "palhaço", em russo) foi comprado no Rio Grande do Sul, mas já tinha velejado pelas águas da Guanabara. Em 2005, inclusive, o Luciano conheceu o antigo dono. Foi nesse mesmo ano que o SDRUVS foi vendido em Porto Alegre e o hoje Moço de Convés e dono de Marina em Cabedelo/PB deu uma pirada e caiu nesse marzão, como ele mesmo disse.


Gostou?  Então peça já o seu! É só clicar AQUI!

E vamos no pano mesmo!


domingo, 23 de setembro de 2012

Atualização do Roteiro do Canal De Bertioga

Boas!


Como prometido e apesar do cano do Stark (brincadeirinha, ele tem muito crédito comigo e a falta foi plena e antecipadamente justificada) eu percorri as 13,37 milhas náuticas do canal de bertioga, para atualizar o ROTEIRO.

Sai às 10h00 da marina rumo à Pedra do Corvo e, de lá (e ai sim fazendo a contagem das milhas) segui com destino à Ponte Férrea, nas cercanias da Base Aérea . Foi a estréia do mercury 8.0 -  aprovado com louvor apesar de eu o achar um tanto beberrão (mentira, eu que fiquei mal acostumado com o 3.3 e seu pouco mais de 1 liltro/hora). Velocidade de cruzeiro 5 nós, com picos de 6,5 na maré a favor (aquilo é um rio!!!) e redução para 3 nós nas curvas, por segurança.

A descida do canal não teve dificuldades. O único senão foi no largo do candinho, pois achar a  boía verde não foi muito fácil, pois ela se confunde com a vegetação (que também é verde). Busquei um dica para encontrá-la, mas a única que me pareceu sensata foi essa: use um monóculo! 

Entrei nas "curvas" com certo receio, pois da última vez que fiz esse roteiro usei o Rio 20, que tem apenas 1,05m de calado. O Atoll 23 tem 1,47m e, sozinho, qualquer encalhe poderia ter sido bem complicado. Mas segui as orientações de um excelente roteiro do canal de bertioga que achei na internet (no blog do Cusco Baldoso, claro!), e após duas horas de navegação lá estava eu no Monte Cabrão e, pouco tempo depois, na base aérea de Santos (que hoje é apenas um destacamento da aeronáutica, pois a base foi desmantelada). 

Em geral o canal continua igual. Eu o acho lindo, mangue preservado entre as montanhas.O microclima ali também é interessante: chuva e vento frio, enquanto nas cidades do entorno um solzinho até ensaiava por o nariz para fora da janela - sem chuva. Mas tem quem apenas veja mato... 

A paisagem não mudou muito desde março de 2011, quando fiz o roteiro. A exceção é a pedreira, na altura do Monte Cabrão, que está mais "debastada" e um OFMI (objeto flutuante mal identificado) que apareceu por lá e dá mostras que o visual por aqui, em tempos de Santos/Dubai/Pré-sal tende a mudar - e não necessariamente para a melhor. 

Dizem que  bichão ai da foto é uma bóia de uma plataforma, mas ao certo mesmo só se sabe do estrago que causou ao entrar no canal, encalhar e ser retirada na força bruta pelo rebocador.

Outra coisa que mudou, e essa sim para a pior, foi o número de embarcações que trafegam no canal. Lanchas, muitas lanchas. Até ai muito bom! O problema é que elas são conduzidas por irresponsáveis que insistem em trafegar em alta velocidade em um local que não permite que isso seja feito com segurança. Vinte, trinta nós no canal, para mim é dolo eventual e tenho certeza, infelizmente, que em breve haverá um acidente por lá. Espero estar enganado...
o OFMI...

Walnei, embaixo do casaco tinha um colete... 
Cusco em modo garoa: abas laterais abaixadas!
O largo do candinho, no alinhamento bóia verde/bóia vernelha.Parece fundo, sempre, mas o canal de navegação é muito estreito.

E bora lá!


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ventão!

Boas!

São Paulo está sem ver chuva de verdade há 78 dias. Parece que a coisa está para mudar. Hoje sentimos os efeitos de um sistema pré-frontal daqueles. Vento NW, temperaturas na casa dos 38ºC e uma bela rondada para SW, força 7, com queda da temperatura e do barômetro. Nas rajadas era difícil ficar em pé.. Eu estava na travessia de balsas na hora em que a frente entrou e fiz um vídeo com o celular. Coisa linda de se ver (na balsa). Peguei mau tempo assim no mar poucas vezes. Está na hora de mudar isso... 


E vamos que vamos, no pano mesmo!

domingo, 16 de setembro de 2012

Reforços...

Boas!


A melhor forma de não se ter problemas com um barco é, seguramente, não ter um barco. Os problemas fazem parte e solucioná-los (de preferência de uma forma barata e que ninguém pensou  antes) faz parte da brincadeira.

Por isso o "mercado náutico" prefere os donos de lancha. Eles vão, compram e às vezes nem perguntam o preço. Já o velejador vai, vê como é e diz que volta depois. Nesse meio tempo vai para casa, desenha alguma coisa, vai no marceneiro, vai no torneiro, visita um amigo que entenda  bem (ou um site) de eletrônica e por uma fração do preço tem alguma coisa "mais ou menos assim".

Isso tem suas mutas vantagens, mas às vezes a economia não se justifica.  Com o meu (hoje antigo) suporte do motor de popa foi assim. Isso já é assunto do passado, mas eu aproveitei a crise, peguei o limão e fiz uma limonada.

Nessa:

1. Já repus o motor caído para o marinheiro.

2. Comprei um novo motor de popa: mercury, 8 hp, rabeta longa, ano 2012. 

3. Mandei fazer um suporte novo, que me permita usar o 3.3 e o novo motor. O novo suporte, em aço inox 316 ainda não está totalmente pronto (falta instalar a marcenaria). Por enquanto, reconduzi o antigo suporte ao seu posto (que já havia nos levado por tantas e tantas milhas, sem problemas) e estou usando apenas o 8 hp. Esse é o único defeito desse suporte: ele não desce o suficiente para que seja possível usar o 3.3 hp.




4. E nessa eu tenho prestações para pagar até 2020!!!

Ontem eu fui ao barco ver as coisas, mas não sai. Hoje eu ia, mas deu uma preguiça de tirar capas, subir velas, aguentar as marolas das lanchas no canal... as meninas terão dia só delas na rua e faz tanto tempo que eu não fico em casa sozinho, vendo o que eu quiser na televisão, ouvindo minhas músicas, lendo, estudando...  Pequenos prazeres... o mar pode esperar.

Sábado que vem pretendo atualizar o ROTEIRO DO CANAL DE BERTIOGA! 

Bora lá, Stark?

E vamos no pano mesmo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Só no social!

Boas!


Minha caixa de e-mails virou uma salada... nessas eu acabo perdendo um monte de mensagens e deixando um outro tanto sem resposta. Por isso resolvi por alguma ordem nesse barco e, para as atividades náuticas, estou direcionando tudo para um novo e-mail:



O e-mail antigo ficará para assuntos mais formais (e às vezes menos interessantes). Para quem me escreve por lá, peço que passe a escrever por cá.

No Facebook estou como Juca Andrade, é só dar um "add"!


Evamos que vamos, que essa semana temos muitas novidades na volta do Cusco aos mares!


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Feriado é para se velejar?

Pois é... constatação geral: feriado é uma época complicada para curtir o mar. Estradas cheias, supermercados cheios, mar cheio de lanchas (argh!).  Eu e as meninas ficamos por casa, exercendo o "nadismo". Passei os três últimos finais de semana seguidos no barco, longe delas.  Pois dessa vez o Cusco ficou lá, sozinho, sendo jogado para lá e para cá por um sem número de marolas.Mas ele é apenas um barco, elas são minha vida, elas são o que verdadeiramente importa (ainda que a Priscila morra de ciúmes dele. Como se precisasse, afinal, eu já tive uns vinte barcos, mas mulher, esposa, amiga e companheira, só ela - ainda que às vezes seja um pouco pentelha).


No sábado comemos peixe frito sentindo o sol queimar a pele e a brisa do mar, que estava bem pertinho.  Quem mora em Santos às vezes esquece que também mora na praia, por mais incrível que isso possa parecer. Deu saudade de Paraty, mas deu mais saudades de lugares onde ainda não estivemos (esses são sempre os mais legais). 

Bons ventos, sempre!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Depois da tempestade...


Boas!


Acho que minha mãe me enganou. Eu não devo ter nascido em março, mas nos primeiros dias de setembro, já que vivi em pequeno inferno astral, rs.

Mas os ventos fortes já passaram e aos poucos as coisas vão entrando nos eixos. Duas boas notícias: a primeira é que consegui mandar fazer um suporte em aço inox 316 para o motor de popa. Agora ele não cai mais... a segunda é que a Marinha do Brasil regulamentou melhor a emissão de declaração de embarque.

Em resumo a história é a seguinte: depois do acidente com a motoaquática que vitimou a pequena Grazielly em Bertioga, houve mais rigor na obtenção de habilitações. Como a Marinha não tem condições de fazer provas práticas para todos os candidatos (o que na minha opinião é um erro, isso deveria ser mais do que obrigatório), decidiu que todos os interessados na obtenção de habilitação comprovassem ter no mínimo dez horas de embarque.

Em um primeiro momento qualquer escola, associação, marina ou clube náutico devidamente cadastrado no Marinha e, ainda, qualquer amador habilitado poderia assinar a declaração, conforme modelo 5.F da NORMAN - 3. Eu mesmo assinei cinco, para alunos meus. Três deram certo, duas não.

Essas que não deram certo foi porque no meio do caminho a Marinha mudou o entendimento e apenas as pessoas jurídicas cadastradas poderiam dar a tal declaração. Eu tenho PJ(MEI) para o curso de vela, mas não sou cadastrado. Fui ver como isso funcionava e descobri que teria que dar aulas para arrais, no mínimo. Mas isso nem de longe está nos meus planos.

Eis que em 14/08/2012 mudou tudo de novo e o amador (pessoa física) pode, sim, firmar a tal declaração, desde que seja arrais há pelo menos dois anos, ou então mestre (meu caso) ou capitão e que a CHA esteja na validade.

Ufa! 

Eu sei que existem controvérsias sobre isso, pois é claro que basta um amigo habilitado assinar a tal declaração. De minha parte, sei que dou aulas de velas por puro prazer (minha profissão é outra e me dá sustento digno), tenho certeza de que passo muitos fundamentos para uma navegação segura e consciente e que quando atesto as horas de embarque, os alunos estiveram mesmo no meu barco navegando (e não apenas dando volta em botes infláveis, sem tocar em nada e pagando uma exorbitância). Críticas a parte, um bom embarque antes da habilitação é melhor do que nada e se bem feito, pode fazer a diferença.

E vamos no pano mesmo!


domingo, 2 de setembro de 2012

Motor ao mar!

Boas!

Esse final de semana começou muito, mas muito bem. Sexta o Cusco voltou para a água e sábado e domingo ia ter velejada (aulas para um casal  muito bacana, o Wander e a Cristiane, de São Paulo). Mas... eu sou mesmo uma besta. Uma besta completa. Acho que fiquei com inveja do Walnei, do veleiro Vivre (um exímio especialista em criar perrengues) e decidi aprontar uma boa, mas uma muito boa mesmo.

Mais um casal a bordo do Cusco: o Wander e a Cristiane. Lá na marina já estão chamando o Baldoso  de "O barco do amor"  e dizendo que o Cusco tem três velas: a genoa, a mestra e EU!
O sábado foi bacana e deu tudo certo. Depois das várias explicações sobre o barco, o vento e o velejar, saímos em direção à boca do canal. Maré de lua cheia, um verdadeiro "rio amazonas". Mas o Cusco com o "bumbum lisinho" enfrentava a corrente a inéditos seis nós! Eu estava no céu vendo o barquinho andar daquele jeito. Depois de muita insistência o Pirulão, o marinheiro, me convenceu a usar seu  Sailor 5 hp (quatro tempos), porque era rabeta longa, porque o 3,3 era muito fraco e a mesma lenga lenga de sempre.   Eu  confio muito no mercuryzinho, mas no Sailor...  Enfim, velejamos bastante pelo canal (que a favor da corrente nos levou a picos de 7,4 nós) e o dia acabou sem maiores problemas, depois de onze milhas e meia sem nenhum encalhe no traiçoeiro canalzinho e muitos bordos para lá e para cá. Praticamente nem usamos o motor.

O canal de Bertioga, a altura do Caruara.


No domingo eles fariam o módulo 2 do curso e estava previsto um afastamento da costa de sete milhas, rumo ao Montão de Trigo. Mas o gigante que eu vi entrando no Porto de Santos era um sinal do tamanho do problema que estava por vir...

Esse pequeno ai trouxe esses portaineres (guindastes para o descarregamento e carregamento de conteineres, em navios) lá da China.


Ao chegar no Chinen o Sailor já estava lá, no suporte... fiz muxoxo, mas deixei ele lá.

Saímos as onze da manhã. Antes, eu revisei tudo no barco, de forma meticulosa. Menos uma coisa, que eu vi que estava errada mas deixei para lá. E é sempre assim, não é? O que nos pega de jeito não é o que a gente fez ou trouxe, mas o que esquecemos de fazer ou não trouxemos. Eu cheguei a pensar nisso explicitamente. 

Puxei a cordinha e ele pegou de primeira. Soltamos o barco da poita e estabelecemos velocidade de cruzeiro de 4,5 nós contra a corrente em direção ao mar, com o motor na rotação próxima (muito próxima) do mínimo. Eu pensei: "O 3,3 fazia a mesma coisa!". Deixei o leme com o Wander (que é mestre amador) e fui para dentro da cabine arrumar umas coisas.

Depois de meia hora de navegação e pouco depois de passarmos a balsa Guarujá-Bertioga, ouvimos um "créc".

Pois é... o suporte do motor estourou e o Sailor 5 HP zero quilometro foi conhecer o fundo lamacento do canal de Bertioga (nessa hora o Stark, que com certeza está lendo isso, sentiu um frio na espinha ao lembrar que seu mercury de 15 já passeou de Cusco). 

Apesar da cara de espanto geral e daquele sentimento de "e agora?", foi bacana ver o entrosamento da recém conhecida tripulação. Eu apenas disse: "- Abortar" e imediatamente o Wander fez meia volta, abrimos a genoa (graças a Deus o vento estava a favor), subimos a mestra e tomamos o caminho da roça. Cada um de nós fez alguma coisa nesse processo, sem eu ter que dizer nada (o que me deixou com certo orgulho, pois no dia anterior o leme era praticamente um ilustre desconhecido).  Mais uma vez, fomos "no pano mesmo".

Velejando eu já perdi mastro (três vezes), leme (duas)... mas motor de popa para Netuno, essa foi a primeira. Espero que seja a última.

O maior erro pode ter sido não ter amarrado o motor de popa.  Quem colocou o motor no suporte foi o Pirulão, que não o amarrou. Culpa dele? De jeito nenhum. A culpa foi apenas minha, que percebi essa falha e não a corrigi, nem mesmo durante a tal da meticulosa verificação pré-saída. Um absurdo completo.

O excesso de confiança nos faz cometer erros bobos. Mas o mar não perdoa essas escorregadelas. 

Não reclamo do que ocorreu pois poderia ter sido muito pior. Poderia ter acontecido bem na estreita e congestionada barra (estávamos a menos de quinhentos metros); poderia ter acontecido lá fora, o que tornaria a entrada no canal muito complicada, pois a maré estaria contra até tarde da noite; poderia ter acontecido na entrada da barra, na volta, com vento contra e mar de popa; poderia um monte de coisas...  Mas graças a Deus (ele de novo) no final ninguém se machucou e o curso acabou ganhando um módulo novo (e único, espero eu) : "gerenciamento de emergências"!

Ah, Walnei: não fique com inveja e trate de amarrar sempre seu motor de popa com um cabo e checar o estado do seu suporte, sempre, ok?!

E vamos no pano mesmo (literalmente!).






sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Bumbum de neném!!!

Boas!

Foi "vapit, vaput" mesmo! O Cusco subiu na segunda e hoje voltou a flutuar com o bumbum lisinho , lisinho!

 
Detalhe da quilha ...

... e do leme.



A casa do Cusco - o canal de Bertioga. Ao fundo, à esquerda, fica Santos...

... e à direita, o mar.

Nessas horas...

... é muito bom...

... não ser cardíaco!
E vamos no pano mesmo!