No mar e na vida nenhum dia é igual ao outro.

Boas!

Nesse final de semana a previsão do tempo indicava um sábado e um domingo de condições atmosféricas e de mar bastante congruentes: ventos de SE, ente 6 e 10 nós, mar de almirante, uma chuvinha com possibilidades de abertura.

Nessa toada lá fui eu dar aulas do módulo II (introdução à navegação costeira) para o Marcello e Fernanda e, no dia seguinte, para o André e para o Aruã. Bora lá!

No sábado a previsão só não se confirmou porque não choveu e o céu ficou limpo. O mar estava um tapete, sem nenhuma vaga ou marulho. Vento de SE, 10 nós. Devíamos ir para a Ilha das Cabras, mas por mais que tentássemos avançar,  a coisa não fluía. Preferimos tocar para o rumo do Montão de Trigo e pouco depois estávamos apoitados no Canto do Indaiá (Bertioga), fazendo um lanche e ouvindo música (essa aula estava mais para passeio!). Deu uma vontade de mergulhar... é ó inverno que foi embora!

Fundeados no Indaiá.
O Indaiá, ao fundo...

Abastecendo...


Entramos no canal "quase" no pano mesmo (nunca consegui), mas a maré contra não deixou. Logo após a Pedra do Corvo liguei o motor. Às 17h03 estávamos de volta à poita, sãos e salvos.

É preciso dar muito valor para dias como esse, perfeito: eles não acontecem sempre.

O domingo tinha tudo para ser igual ao sábado. Mas não foi. Ninguém se banha num mesmo rio duas vezes: na segunda o rio já não é mais o mesmo, muito menos você. No mar é a mesma coisa. Nunca se deixa de aprender.

O André se atrasou (bastante, rs) e achei que ele (e o Marco, seu pai - o terceiro elemento!) não vinham e sai apenas com o Aruã. Meia hora depois as Marinas Nacionais me chamaram no rádio VHF: "Cusco Baldoso, Cusco Baldoso, atento Cusco Baldoso, Delta 45 solicita...".

Pois é, lá estavam na Marina o André e o Marco. Dei a volta e numa operação mais ou menos tranquila (o motor morreu quando soltamos a âncora, rs) embarcamos os atrasadinhos.



Nosso cronograma foi retardado em uma hora, mas isso nos livrou de um belo perrengue. Ao sairmos da barra, com uma forte corrente contra de pelo menos dois nós, percebi muita nebulosidade vinda dos lados de Santos/Praia Grande. Antevendo a encrenca (o que talvez não tivesse acontecido se não houvesse o atraso), navegamos marcando com muita precisão o rumo na bussola: 120º magnéticos ou 143º verdadeiros, rumo ao Montão.

Uma hora depois tudo ficou branco. Horizonte 360º de mar ou bruma branca. Onde estava Bertioga? Onde estava o Guarujá? Onde estava qualquer coisa? Foi divertido!

Era para se ver uma cidade ali no fundo!!!

Demos meia volta e enfiamos a agulha no 300º magnético, com ajustes para o 290º de tempos em tempos para compensar o abatimento e desviar de umas redes de pesca. O Cusco andava bem, a seus quatro nós e meio (mestra toda em cima e genoa II) e em menos de uma hora estávamos entrando no canal.

A maré estava a favor e pensei: dessa vez vamos entrar no vento!

Passamos a Pedra do Corvo e avançamos bem até que caímos em um buraco de vento que ora nos jogava para encalhar perto do Forte, ora nos colocava rumo às pedras. Por sorte o motor estava ligado, mas no neutro. Antes de engatar (pq ele sempre morre quando a gente precisa dele!) tentei voltar para o mar. Mas a corrente não deixou... o Aruã enrolou a genoa e com a proa indo para as pedras liguei o motor que...ufa! pegou! Acelerei e nos mandamos dali. Deu para suar! Não vou brincar mais disso não, aquela barra é complicadinha: agora é sempre no motor!

O nevoeiro no mar e no canal, céu azul!

Fotografia do G1, mostrando o nevoeiro ainda em Praia Grande (visto de Santos).

Na balsa desliguei o motor de velejamos até a Marina num través muito louco! Inclinamos 30º só de genoa e hoje eu comecei o dia com um sorriso de orelha a orelha! Que velejadas! Que final de semana! Isso é lá trabalho?!!!

E é isso ai, vamos no pano mesmo!






Comentários

  1. Foi sensacional!
    A inclinação a 30º só de Genoa me impressionou demais.
    Estou começando a ter histórias de velejador que, em terra fazem muito sucesso rsrs

    Valeu Juca, esperando o terceiro módulo!

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    Respostas
    1. Grande Aruã! Que bom que vc gostou da experiência! Velejar não é ir, é estar! Fique bem, meu amigo!

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