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Travessia Guarujá - Ubatuba

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Boas!
Há uns dez anos, quando eu pensava em velejar de Santos até Ilhabela, me sentia como se fosse dar uma volta ao mundo (sem escalas). Era uma velejada longa e isso me causava muita preocupação. Redes de pesca no caminho, previsão do tempo, condições gerais do barco, o imponderável.
Hoje em dia ainda é assim. Apenas uma coisa posso dizer que mudou: minha relação com o tempo. Passar quinze horas ou vários dias a bordo navegando não me soa mais tão difícil quanto antes. É ir só até ali... nada demais. E isso aconteceu antes mesmo dos meus trinta e oito dias a bordo do Soneca, com vento contra, na travessia do Atlântico Sul.
Até quatro de maio  eu teria que levar o Malagô de volta para Ubatuba. Não havia opção. A maior dificuldade era que o Malagô está sem motor e não há perspectiva disso mudar no curto prazo. Foi então que em quinze dias planejamos como fazer para irmos apenas na vela até o Saco da Ribeira. Como consolo havia a certeza, absoluta, de que dessa vez o motor não quebrar…

Estamos indo de volta para casa...

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Boas!

O Malagô morou muitos anos em Ubatuba e  chegou a hora de levá-lo de novo para lá.
Estou muito animado com essa ideia, não só porque sei que ele gosta mais de lá do que daqui, mas porque há um detalhe: o motor do barco está lá em Ubatuba e eu irei levar o veleiro até lá apenas na vela, no pano mesmo.


Para quem acabou de voltar de uma travessia do Atlântico Sul, com quatro mil milhas, essas oitenta que separam Guarujá do Saco da Ribeira não deveriam representar muita coisa. Mas não é bem assim. Ainda dá frio na barriga fazer uma coisa dessas. Nesse trecho não venta muito e nessa época do ano é muito fácil para nós ficarmos em alguma calmaria. Esse é meu maior receio: passar uma semana no mar para fazer oitenta milhas... É claro que eu poderia instalar o motor antes. Mas que graça teria?
A data dessa travessia ainda não é certa. O barco ficou algum tempo parado e  estamos organizando de novo as coisas. Começamos tirando tudo que estava dentro dele. Muita coisa foi para o lixo; out…

Ano novo, vida nova!

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Boas!


Eu ainda estou um tanto perdido no espaço e no tempo, confesso.
Enquanto todos a minha volta viveram janeiro e fevereiro em terra, para mim esses meses tiveram outra dimensão, imerso em um deserto azul e sem saber praticamente nada do mundo. Na prática, 2018, para mim, começou em março. Então, ano novo, vida nova!
Voltei a trabalhar e a enfrentar uma pilha de problemas e uma outra pilha de boletos. Três meses de contas para pagar e três meses sem receita alguma. Divertido e emocionante - quase mais do que cruzar o Atlântico!
A Cusco Baldoso voltou às aulas. Eu e o Alan estamos na ativa. O Spinelli volta em abril. Hoje ele ainda está em Santa Helena, curtindo a vida adoidado. Teve até mergulho com tubarão baleia! A viagem dele está sendo completamente diferente da nossa. Sol, calor, mar sempre baixo e ventos favoráveis.  Ele merecia um refresco depois de tanto sufoco na ida.

No último final de semana o nosso novo barco escola, o +Bakanna, um Fast 230, fez sua estreia. Na turma ti…

Sobre o naufrágio do Crapun...

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Boas,

Ontem o velejador italiano radicado no Brasil Elio Somaschini, o Crapun, perdeu seu barco (de mesmo nome) ao entrar na barra de Aracaju. As informações de fonte direta ainda são poucas e desencontradas. Ao que parece, ele decidiu entrar na cidade para jantar e comemorar seu aniversário. O barco bateu em um banco de areia, fez água e ele não teve alternativa a não ser abandonar a embarcação e nadar até a praia - onde, felizmente, chegou ileso. Somaschini velejava em solitário e se deixava ao seu novo projeto, fazer a Passagem Noroeste (uma volta pelas Américas passando pelas águas do ártico).
Esse fato me fez lembrar de outra história e de como, nesse mundo da vela, estamos todos de certa forma interligados. Eu já escrevi aqui no blog sobre o Vento Real, veleiro que me levou até Fernando de Noronha na Refeno 2014 graças à intervenção de última hora do Alan Trimboli (que foi comigo, também, para Cape Town). Eu iria participar no Caulimaran, mas esse barco não conseguiu sair de Sal…

Travessia Ubatuba - Cape Town

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Boas!
Estou no mar desde 1996 (a remo) e comecei a velejar no ano 2000. Meu primeiro veleiro foi um HC 14, de vela amarela, caindo aos pedaços (literalmente). Tive muitos outros veleiros depois desse. Vários monotipos e um outro par de veleiros de oceano. Em todos eles minha vontade de viajar, de ir cada dia mais “só até ali”, era enorme. Devorara os livros de outros velejadores e imaginava que, um dia, seria eu quem estaria cruzando os mares, deixando terra pela popa e só a encontrando dias depois, pela proa.


No meio do ano passado (2017) uma conjunção de fatores (alguns adversos, como meu divórcio, outros favoráveis, como minha parceira com o José Spinelli Neto) permitiu que esse sonho de cruzar um oceano fosse, enfim, realizado. Nascia, assim, o “Desafio Cusco Baldoso – Soneca – África do Sul 2018”, com apoio de várias pessoas e empresas.
Eu e o Spinelli deixamos Ubatuba a bordo do Soneca (Samoa 33 pés, projetado pelo escritório do Cabinho) na manhã do dia 03/01/2018. Chegamos em …

Desafio Africa do Sul 2018

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Boas!

Nossa travessia para a Africa do Sul a bordo do Soneca já começou!

Acompanhe nossa trajetória através do blog especial desse projeto:

desafioafrica18.blogspot.com







E vamos no pano mesmo!!!

Obrigado 2017

Boas!

Essa será minha última postagem de 2017.
Dia 29 de dezembro embarco no Soneca, junto com meus amigos Spinelli e Alan, com destino à Africa do Sul. A data exata da partida ainda é incerta. O tempo do mar não é mesmo que o de terra. Mas assim que tudo estiver pronto, incluindo a gente, soltaremos da poita e literalmente seguiremos rumo ao horizonte.
O mais difícil dessa viagem é deixar as amarras de terra. Dia após dia construímos um muro ao nosso redor que nos impede de mudar, de ir além, de sair do ordinário e do comum. O mais incrível é que com o passar do tempo não apenas achamos isso normal, como fazemos de tudo para defender a rotina, mantê-la em nossa vida, sã e salva, firme e forte.
Se eu fosse parar para pensar talvez essa não seria a melhor época para eu ir. Há muito o que fazer no escritório; há alunos de vela querendo aulas em janeiro e fevereiro; há uma pilha de contas; há aquelas que mais amo se mudando para tão longe de mim. E se eu continuar procurando nesse baú, e…