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A volta ao mundo de veleiro...

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Boas,
era uma quarta-feira de sol e eu estava a bordo do Malagô, arrumando umas coisas (sempre), quando o telefone tocou. Do outro lado da linha, uma moça, um pouco aflita:
- Alô, é da Cusco Baldoso? - Sim! - Vocês ensinam a velejar, certo? - Isso mesmo! - Eu, meu marido e meu filho precisamos aprender a velejar este final de semana, de qualquer jeito...
Houve um breve silêncio e, após alguma explicação, dois dias depois, a família da Ana Paula estava toda a bordo do Soneca, em Ubatuba, fazendo aula com o Tio Spinelli. Na semana seguinte, pelo Facebook, eu acompanhava a liquidação de objetos pessoais. Da televisão aos livros. Alguns dias depois eles embarcaram, para os EUA, compraram um Benneteau e começaram sua nova vida. Em janeiro, quando estive na Florida, eles haviam deixado Cabo Canaveral há poucos dias e estavam nos Keys. Eu ia até lá encontrá-los, mas um tornado inviabilizou a visita: eu no hotel e eles, ancorados à galga, enfrentando o ventão em sua nova casa. Hoje eles estão em …

De Ubatuba a Santos...

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Boas!

É incrível como o mar pode estar em diferentes estados com apenas poucos dias de diferença. Se nós nos curássemos de nossos dores tão rápido quanto ele, talvez fôssemos mais felizes. Depois da forte ressaca que entrou no dia vinte e oito de abril, naquela segunda-feira, primeiro de maio, o mar estava tranquilo e sem vestígios de tormenta. Tudo na vida passa; até a uva, a tempestade e a calmaria...
Iríamos participar da última regata do dia e depois ir embora para Santos, por volta de 19h. Mas... regata? Fala sério. Fomos apenas para passear e nossa presença na raia, de certa forma, era uma ofensa aos que velejavam a sério, com faca nos dentes. 
Aproveitei a manhã para visitar o Eduardo , do Erva Doce (Bavaria 33) e o Marcelo, do Fratelli (Delta 36), que chegaram na noite anterior (enquanto estávamos na Ilha Vitória). Ao meio dia, saímos.



Isso me lembrou uma vez que viemos de Paraty a bordo do Cusco Baldoso, eu e o Ricardo Stark. Perguntei se ele preferia velejar por oito horas o…

Ilha Vitória por Boreste...

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Boas!
Esse ano eu estou com o projeto de visitar todas as "pedras" do litoral de São Paulo. Há muitas delas por ai: Laje de Santos, Laje da Conceição, Queimada Grande, Queimada Pequena, Bom Abrigo, Búzios, Vitória, e por ai vai. A Laje de Santos já foi. Agora era a vez da Vitória.


Pela Ilha Vitória eu já passei algumas vezes, mas sempre bem por fora, indo ou voltando do Rio de Janeiro. Nossa passagem pelo USF 17 possibilitou um momento mais "National Geographic Society". 
A regata do dia seria novamente de percurso. Trocamos a genoa do Jazz 4 de III, para a II, para ver se ele andava mais um bocadinho. Além disso vieram mais dois tripulantes de Guarujá, para reforçar o time que ficou um pouco desfalcado com tanto enjoo.


Dada a largada, foi um quase milagre conseguirmos passar pela linha. Fazer regata com barco preparado para cruzeiro é um quase martírio. O barco simplesmente fica para trás. Barco de regata tem que estar leve, com tanque de água vazio, nada nos arm…

Duelo Soneca x Jazz 4...

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Nosso primeiro dia de regatas do USF/17 durou meia hora. Sequer largamos. Uma das tripulantes que veio de São Paulo direto para Ubatuba apenas para as regatas passou mal com o mar de ondas e pouco vento. Enjoar é algo cruel. Nos primeiros cinco minutos você se desespera, acreditando que irá morrer; cinco minutos depois está desesperado porque não morreu.
Como estávamos ali apenas para passear, voltamos para a poita e desembarcamos quem não tinha condições de ficar a bordo. Depois fizemos o almoço, curtindo o visual da Ribeira em um espetacular dia de sol, enquanto a regata acontecia lá pelos lados da Ilha do Mar Virado.

De sobremesa  fomos velejar. Saímos da poita apenas no vento, enquanto a louça era lavada, e fomos até o Soneca, onde o Tio Spinelli dava aula para quatro de nossos alunos, fazendo o barco andar sob espartanos quatro nós de vento.


Passamos por ele, demos "oi" e castanhas de caju. Seguimos pela baia, acreditando que o Soneca, por ser mais pesado, jamais nos a…

De Santos à Ubatuba...

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Boas!

Eram cinco da manhã de 28/04. Estávamos a bordo do Jazz 4, em três tripulantes, indo participar do Ubatuba Sailing Festival 2017, que começaria naquele mesmo dia, à noite. Saímos sob aviso de ressaca, que iria de Santos até cabo Frio, com ondas de três metros e duração de dois dias. Ao deixarmos o clube conseguíamos ver bem claramente as luzes da cidade e  das boias de sinalização do canal do porto: ora as verdes, ora as encarnadas. "A ressaca ainda não chegou por aqui", pensei.
Na altura da Ilha das Palmas, no motor, duas lanchas de grande porte passaram a nosso boreste, em alta velocidade. "O mar está baixo", pensei. Ledo engano. Poucos minutos depois percebi que elas pararam na entrada da baía, lá pela Ponta Grossa. Glup!
Não demorou muito. A linha de navios e suas luzes amarelas logo sumiu no horizonte. Poucos segundos depois ela veio. Descomunal. De proa. Não parava de crescer e lá no topo trazia uma espuma branca ameaçadora. Em pouco tempo o valente Jaz…

Um belo sábado...

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Boas!

Faz tempo que não escrevo aqui, sei disso. É que o que rende leitores são os perrengues, e nos últimos tempos, apesar de velejar praticamente todo final de semana, nada fora do usual tem acontecido. bem, isso até pelo menos o último sábado, 22 de abril, aniversário de Itanhaém e do descobrimento do Brasil, entre outras coisas mais interessantes.
Na sexta comecei uma turma de básico, tendo na tripulação o Wagner, o Fernando, o Antonio e o Marcos. Não ventou nada o dia todo e havia previsão de entrada de frente fria. Fiz um dia de teoria intensiva e o final do dia motoramos a bordo do Jazz 4 (Velamar 31) pela baia de Santos, espelhada como há muito eu não via,a penas para matar a curiosidade dos novatos. Aquela calmaria era o prenúncio de momentos complicados.
No dia seguinte, sábado, saímos cedo para cumprir o programa do básico, atrasado em sua parte prática em um dia. Por sorte havia vento. Fomos dessa vez no Easygoing (Delta 32), com uma outra tripulante a bordo, a Vivian, alu…

Uma aula diferente...

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Boas!

Ontem coloquei em duas sacolas um colete automático, cinto de segurança, várias bussolas, alidade, cartas náuticas, compasso de navegação, réguas de paralelas, EPIRB, Spot, radio VHF e fui... para a escola!
Pois é. A pedido da Priscila voltei ao colégio onde estudei, em Santos, para falar para os alunos dela sobre navegação à vela. Falei para três turmas, entre oito e nove anos de idade, ao longo de toda a tarde.
- Por que você está todo molhado? - me perguntaram logo de cara. - Porque peguei uma onda antes de vir para cá! - respondi.
A aluninha, porém, não se fez de rogada:
- Você está é suado!
Lição número um: seja lúdico com as crianças, mas não as trate feito bobas.Não são.
- E se o casco furar? - E à noite? - O que vocês comem?  - Ondem dormem? - Para onde vai o "número dois"? - De que são feitas as velas? - Como navegar contra o vento? - O Kraken existe sim, eu vi! É a Lula Colossal! - E o redemoinho no meio do mar, como sair dele?!
Glup!
Não foi tão fácil quanto…