quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Teoria Básica de Vela Oceânica

Boas!

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E vamos no pano mesmo!


1ª edição - 2016
Brochura, 21 x 28, 122 páginas, Ilustrado e colorido ou preto e branco.

ISBN 978-85-464-0295
Conteúdo: 1. Partes de um veleiro. 1.1 – Obras vivas e obras mortas. 1.2 – Limites perimetrais. 1.3 – Aparelho de governo. 1.4. Velame. 1.4.1. As velas. 1.4.1.1 A vela mestra. 1.4.1.2 As velas de proa. 1.4.1.3 Velas especiais para ventos fracos e folgados. 1.4.2 – A mastreação e o estaiamento. 1.4.3 – O poleame. 1.5 Aparelho de fundeio. 2. A água, o vento e o veleiro: interação que gera movimento. 3. Nós. 4.Montagem do veleiro. Preparação para velejar. 5. Manobras básicas à vela. 5.1 Barlavento e sotavento. 5.2 Orçar e arribar. 5.3 Mareações. 5.3.1 Orça. 5.3.1.1 Bordo. 5.3.1.2 Jaibe. 5.3.2 Través. 5.3.3 Popa. 6. Regulagens de velas. 6.1 Vento real e vento aparente e sua influência no ajuste das velas. 6.2 Regulagens das velas. 6.2.1 Regulagem da vela mestra. 6.2.1.1 Tensão da testa e da esteira da vela mestra. 6.2.1.2 A valuma da vela mestra. 6.2.1.3 O burro. 6.2.2  Regulagem da vela de proa. 6.2.2.1 Tensão da adriça da genoa. 6.2.2.2 Birutas da genoa 6.2.2.3 Ajuste do ponto da escota da genoa. 6.2.2.4 Ajuste da genoa na orça. 6.3 O rizo. 6.3.1 Rizo da vela mestra. 6.3.2 Rizar ou trocar a vela de proa? 6.4 O rabo da bicha 7. Fundeio e atracação. 7.1 Fundeio com âncora. 7.2 Atracação em poitas. 7.3 Atracação em píeres. 8. RIPEAM. 8.1 Roda a Roda – rumos opostos. 8.2. Rumos cruzados. 8.3. Ultrapassagens. 8.4. Preferências. 8.4.1 Preferências entre veleiros. 9. Noções preliminares de meteorologia. 10. Noções iniciais de navegação.

R$ 95,00 - Versão em cores + frete
R$ 55,00 - Versão preto e branco + frete


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

De Ubatuba a Santos

Boas!

Em julho levei o Malagô para passar férias em Ubatuba. O tempo, porém, não ajudou e aproveitamos muito pouco. Fez frio e a estrada nos presenteou com quatro multas (para cada um, eu e a Priscila) de excesso de velocidade. Também, quem manda correr a 42 km/h?

Trazer o Malagô não foi tarefa simples. Não pela navegação em si, mas pela agenda. Quando havia condição de tempo favorável, algum compromisso me impedia. E quando estava livre, o mar ardia em ressacas violentas. Veleiros e agendas, a eterna antinomia.

Como fiquei muitos dias sem ir lá, sabia que precisaria ir antes para deixar o barco pronto e, em outra oportunidade, sair daqui direto para embarcar e vir para casa. Só assim otimizaria o tempo. Foi o que fiz no final de semana do dia 19/08. 

Cheguei na sexta a bordo do Malagô e pus o motor para funcionar. Ele recém havia sido revisado pelo Rafael, mecânico lá de Ubatuba. Dois minutos depois de rodar, pane seca! Mais uma vez sem diesel. Tenho problemas com isso... Comecei a preparar a solução, quando ao meu lado chega o Soneca, como Tio Spinelli, o Ricardo Stark e mais três velejadores do Itaguá me convidando para velejar. Como resistir?

A pane seca o Spinelli me ajudou a resolver lá pelas 20h00, depois da velejada. Depois disso fomos para a casa dele comer pizza e arrumar o tal do barco, só no dia seguinte pela manhã.

Depois de cada revisão eu gosto de dar uma motorada, para ver se nenhuma rebimboca ficou solta. Então, lá fui eu. Menos de meia hora de navegação, contudo, o motor ferveu ferozmente. Havia algo errado. Reduzi a marcha e deixei o velho Mala boiar, a deriva. Fui até a cabine, peguei o saco de velas, tirei a genoa e a subi. Voltamos a navegar, a um nó e meio. Nesse meio tempo vi os barcos que iam para a "regata ele e ela" me darem água na boca. 

Depois de uma hora desde que havia subido a genoa peguei a poita na vela (isso sempre dá orgulho) e fui lá ver qual era a do motor. O primeiro sintoma era a ausência de água salgada saindo pelo escapamento. O problema, então, no sistema de água slagada. Poderia ser rotor, entupimento, ou mais uma centena de coisas. "Comece pelo simples", lembrei o Sergio, meu professor de mecânica do Senai, dizendo. Tirei a mangueira da entrada de água e vi que a vazão era normal. Desmontei a bomba. O rotor estava íntegro, até porque era novo e não havia marcas de que estaria sendo travado. Já o acoplamento da bomba na polia, não! A peça havia se desfeito em milhões de pedaços e quando a polia do virabrequim girava, a da bomba de água não. A agua doce não era refrigerada e o motor fervia. 

Liguei para o Rafael, que prontamene foi até o barco, retirou a bomba e levou para que um torneiro fizesse uma nova, em inox.  Voltei para casa de carro e esperei a maior ressaca do ano fazer estragos aqui em Santos.

Depois disso foi só ficar de olho na previsão. Iríamos na primeira lestada. Estava sem tripulação, pois não sabia quando iríamos e as pessoas têm esse hábito de trabalhar. Na quarta, 24, consegui deixar o escritório em dia e liguei para o Ivan e para o Jefferson, que toparam ir comigo. No dia seguinte, ao meio dia, estávamos no Malagô.  

Na quinta fizemos mercado, compramos diesel e combinamos de sair as 05h00 rumo "a até onde desse"., sem a manor pressa. Para ajudar a curtir a noite estrelada, fizemos um churrasco à luz da via láctea. É sempre difícil sair de Ubatuba...

Às 05h05 soltamos a poita e começamos a travessia. Chegamos em Ilhabela às 9h30. Não paramos. O vento, que deveria ser de leste, entrou, mas da direção oposta e com quinze nós. Ah, essa previsão do tempo! Ao meio dia, porém, o vento sumiu de vez. O mar virou um espelho e seguimos no motor, navegando bem próximo a costeira de Toque Toque.

Regra geral quando fazemos o trecho Ilhabela - Santos, passamos bem ao largo da costa, "por fora" do Montão de Trigo. Dessa vez, aproveitando as condições de tempo especiais, fizemos diferente e por mérito do Jefferson viemos "por dentro"  da Ilha de Toque Toque. Nosso amigo Hélio Magalhães tem mesmo razão em seu livro Santos - Rio. Esse é um dos trechos mais lindos do litoral brasileiro e fazê-lo sem pressa é um privilégio - ainda que no motor.

Às15h00 fundeamos nas Ilhas, onde o Ivan fez mais um belíssimo almoço. Ele é um "cuca" de primeira e eu irei providenciar sua filiação ao Sindicato dos Culinaristas de Bordo, o famoso "Sindicu". EM geral eu emagreço uns dois quilos a cada travessia. Nessa eu engordei três.O Jefferson ousou dar um mergulho, mas o "PQP" que ele soltou ao cair na água foi bastante sofrido e desencorajou seguidores.

Ficamos por lá cerca de duas horas e depois da sobremesa seguimos para o Indaiá, onde pernoitamos, na âncora. Apenas no dia seguinte, às 07h00, fizemos a perna final até Santos. Mar espelhado até a Ponta Grossa, quando finalmente entrou o vento, provavelmente trazido pelo Erva Doce, do amigo Eduardo, que veio nos dar boas vindas.

Atracamos no CIR às 11h50, depois de 97 milhas navegadas (na derrota habitual são 83 milhas).

E vamos no pano mesmo!!! 


Galeria:

O Saco da Ribeira fica para trás.

O sol nascendo na Ilha do Mar Virado.

Ivan. A bordo do Malagô ele já decidiu ir de bicicleta até a Argentina e, depois, a fazer a América do Sul em uma Veraneio. Qual viagem terá nascido dessa vez?


Jefferson Neitzke, o homem do leme!

Chegando em Ilhabela.


Às vezes o Jefferson cansava. Ai punhamos no automático!

Ilha de Toque Toque na proa.

Ponta do Saco D´água. Já passei aqui tantas vezes e nunca soube o nome.


Rumo às Ilhas.


Almoço nas Ilhas.

Fundeio e pernoite no Indaia.

Erva Doce na proa.

E para não dizer que não velejamos...




quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Os quatro jumentos a bordo...

Boas!


Cerca de duas horas depois de termos deixado o porto de Salvador, no través da Ponta de Itapõa, havia um Navio Patrulha da Marinha do Brasil. Por conta das Olimpíadas a fiscalização estava mais rigorosa. Pelo menos foi isso o que o operador do rádio explicou, em bom inglês, para o capitão do veleiro Bank von Bremen (de cinquenta pés e com dez pessoas a bordo, sendo duas mulheres e oito homens). O capitão alemão, cujo inglês não era tão bom quanto o do operador de rádio, sofreu para responder as quinhentas perguntas que lhe foram feitas. E feitas novamente. E mais uma vez.

Passamos bem perto desse navio e houve dúvida quanto a manobra. Ficamos com a impressão de que ele estava vindo para cima do Fratelli. Então colocamos o rumo para a popa do navio e o Marcelo o chamou no rádio:



- Navio Patrulha, copia Fratelli?
- Positivo! Prossiga Fratelli!
- Canal uno sétimo.
- Uno sétimo.

Lá no 17:

- Navio Patrulha, nós manobramos para passar pela sua popa, positivo?
- Positivo. 

Foi ai que, então, caímos no mesmo buraco negro do capitão Alemão:

- Fratelli, armas a bordo?
- Negativo.
- Plantas?
- Negativo.

Nosso Capitão, já sabendo das perguntas, resolveu atalhar e saiu falando tudo de uma vez:

- Estamos indo para Recife, saindo de Salvador. Não temos armas, nem drogas, nem plantas,  nem inseticidas, nem pesticidas, não temos agrotóxicos, facas com lâminas maiores do que vinte centímetros, nem intenções hostis, nem pessoas doentes, nem pessoas enjoadas, vamos ancorar no Cabanga, a posição do ponto de fundeio é... e blá, blá, blá.

Mas... ele esqueceu de responder uma pergunta crucial.

- Fratelli, animais a bordo?

Era um rol de perguntas de fato interminável... Foi ai que veio a resposta engraçadinha:

- Tirando os quatro jumentos a bordo aqui comigo, nenhum.

O operador que de bobo não tinha nada, entendeu a gracinha. Esperamos, então, a bronca ou os tiros de metralhadora em razão do "ato de guerra".  Após uma breve pausa veio a resposta pelo rádio:

-  Fratelli... Hahahahahahahahahaha. Fratelli... hahahahaha

O operador do navio tentava se conter a todo custo, mas acabou sendo vítima de um ataque de riso. E quanto mais ele lutava para manter a sobriedade da conversa, mais ria. Isso era inusitado e também contagioso, pois a resposta do nosso Capitão veio entrecortada por risos também: 

- Descul... hahahaha.... pe... hahahaha

E o operador:

- Está...  hahahahaha descul.... hahaha... pado hahahaha! 

Havia ainda um outro tanto de perguntas. Remédios, vistos, o que faríamos depois de Recife, etc, etc, etc. Mas depois dos jumentos, não havia mais clima e cada um achou melhor seguir seu rumo.

E vamos no pano mesmo!!!

terça-feira, 2 de agosto de 2016

De Vitória a Recife

Boas!

De Vitória o Fratelli seguiu para Salvador, mais uma vez direto e sem escalas. A navegação seguiu o padrão, sendo feita a mais de vinte milhas da costa para evitar os espinheis e as redes de pesca. O espetáculo foram as baleias Jubarte, dando saltos para lá e cá. O Farol de Abrolhos foi avistado pela madrugada. Os ventos foram sempre de alheta e popa, na casa dos vinte nós, com alguns períodos de calmaria.

A tripulação chegou em Salvador pouco depois da meia noite do dia 25/06,para aquela que seria a maior escala da viagem. Uma ressaca no litoral de Sergipe e Alagoas prejudicava a continuidade da travessia e então eles aproveitaram para curtir um pouco a cidade.

Mas não foram apenas eles que aproveitaram. Houve uma rara calmaria aqui no escritório e um alavrá especial da Dona Almiranta... foi assim que no dia 27/07, às 23h00, eu pousei em Salvador para fazer a última perna com os meninos. Confesso que ser o apoio de terra é muito complicado: a vontade de estar lá é enorme!!!

Uma surpresa especial foi o Mauricio Rosa, do veleiro Alphorria, ter irdo até a Bahia Marina só para me dar um abraço. Como eu cheguei tarde e o barco dele está em outra marina, mais longe, ele acabou dormindo no Fratelli. Esse pessoal da vela é mesmo sensacional!

Partimos de Salvador às 10h05 da quinta-feira, 28/07.

Quando o Marcelo deixou o cais do CIR, no dia 17/07, eu imaginava que a primeira perna seria a mais difícil. A região é de vento de humor variável, que gosta de uma calmaria. Além disso há dois cabos a serem vencidos, o Cabo Frio e o de São Tomé, que nem sempre nos deixam passar.

A verdade, porém, é que a verdadeira dificuldade estava por vir. E seria justamente nessa última perna.

De dia a coisa ia bem. Ventos entre 10 e 15 nós, mar de través, e ninguém a vista. Mas a noite... o vento adorava subir para a casa dos trinta nós, o mar adorava ficar desencontrado e os navios cargueiros passavam rente ao barco todo o tempo. Para ajudar, com o mar desencontrado e a chuva forte que caia de quando em vez o barco batia muito, tornando impossível dormir.

Ainda assim, aos trancos e barrancos, chegamos em Recife à 01h00 do dia 31/07, sob ventos de quarenta nós e chuva que retirava a visibilidade em frente ao Marco Zero. 

Essa foi a navegada mais técnica de que participei e o capitão e a tripulação foram extremamente competentes. Os números falam por si: os meninos fizeram de Santos à Recife em apenas 14 dias! Coisa de gente grande.

Agora é esperar a Refeno. Ainda temos vagas. Quer vir com a gente?! A largada é dia 24/09 e o barco já está prontinho lá no Cabanga!

E vamos no pano mesmo!!!

Fotos da perna Salvador - Recife:

















quarta-feira, 20 de julho de 2016

De Santos à Vitória

Boas!

Dessa vez participei (e ainda estou participando) de uma travessia oceânica de uma forma diferente. Sou o apoio logísitco. Isso signinifca que ao invés de ter saído de Santos no último domingo, 17/07, a bordo do veleiro Fratelli com destino ao Recife, fico de olho na tela do computador avaliando o progresso da tripulação e a evolução da previsão do tempo. Não é a mesma coisa que estar lá, confesso, mas sei o quanto é importante para quem está no mar saber que há alguém em terra que forneça informações, resolva pequenos problemas buricráticos e, também, fale sempre com as famílias.

Além disso aprendi muito ao longo da preparação para essa jornada, que vai muito além de ir só até ali e voltar. O Marcelo é muito criterioso e perfecionista  e não se conforma com respostas superficiais.

A bordo do Fratelli está o capitão, Marcelo Damini, nosso amigo e aluno Vitor Young (que foi e voltou de Buenos Aires com o Spinelli), o Milton e o Sr. Gerson. 

O Fratelli é um veleiro Delta 36, equipado com balsa salva vidas, Epirb, AIS (com transponder), radar, telefone por satélite e tudo o mais que possa garantir segurança e conforto para a tripulação. O veleiro deixou o cais do Clube Internacional de Regatas, em Guarujá,  às 04h10. O mar estava ressacado, com ondas de SW de mais de dois metros e ventos acima de quinze nós.

Por volta de 15h00 de domingo fiz contato com eles a partir do Malagô, que está no Saco da Ribeira. O Fratelli passava ao largo da Ilha da Vitória e nos copiou bem. A partir de então eu entro em contato com eles duas vezes ao dia pelo telefone via satélite.

A primeira dúvida era se eles parariam ou não em Cabo Frio. Isso dependeria do progresso da frente fria, necessária para vencer o desafio seguinte, o Cabo de São Tomé. Por sorte o mar estava revolto, mas ia na direção certa e os ventos também (tanto que o motor quase não foi utilizado). O Cabo Frio foi montado por volta de 21h00 do dia 18/07 e como as condições eram boas para isso, o Fratelli seguiu direto para Vitória. A tripulação navegou a uma média de trinta milhas da costa, tendo vencido o São Tomé às 09h00 do dia 19/07. A chegada no Iate Clube do Espírito Santo, em Vitória, ocorreu  à 01h10 do dia 20/07. Foram cerca de 450 milhas náuticas em cerca de 70 horas , o que dá uma média acima de seis nós, a maior parte na vela e com vento de popa e alheta.

A próxima perna agora deve ser Vitória - Salvador e a previsão de partida é no próximo dia 22.

E vamos no pano mesmo!

Galeria:



Sr. Gerson


Marcelo, o capitão!

Sr. Gerson e Milton

Sr. Gerson e Vitor


O Fratelli em Vitória.