Mensagens

A mostrar mensagens de 2015

O milagre é cada novo dia...

Boas!

Em abril desse ano um aluno de nossa escola de vela provocou uma emoção diferente em mim. Receoso por ter um pouco mais do que cinquenta anos, ele chegou um tanto hesitante. Expliquei que isso era normal, que muitos de nossos alunos eram dessa faixa etária, que o campeão tinha oitenta e dois anos e que a vela permite uma longevidade rara em outras atividades ao ar livre. Imaginava que era mais uma história "padrão", quando então veio a surpresa. "- Há trinta e poucos anos" - começou ele - "eu fui passar minha lua de mel em Paraty. Um dia nós estávamos em uma praia e eu vi um veleirinho amarelo ancorado. De entro dele saiu o pai, a mãe e dois filhos, que logo pularam na água e começaram a nadar. Eu imediatamente apontei para aquele barquinho e disse para minha mulher: 'É aquilo o que eu quero para a gente!' Ela, porém, retrucou imediatamente: 'Pois não conte comigo! Naquilo eu não entro!' Então, durante mais de trinta anos eu alimentei em …

Ação Social - Natal no Montão de Trigo

Imagem
Boas!

Como minha família faz há alguns anos, estamos arrecadando donativos para as crianças que vivem na ilha Montão de Trigo, em São Sebastião/SP. 

O Montão é aquela ilha que fica no meio do caminho entre a Moela e Ilhabela e que nunca chega em nossa proa, rs. Ali é o lar de cerca de 20 famílias que vivem basicamente da pesca, mantendo algumas tradições caiçaras. 

Precisamos de doações de 1 kg de alimento não perecível, leite em pó e brinquedos para as crianças (são dezessete crianças com idades entre zero e doze anos). Quem puder contribuir basta levar qualquer doação desses itens na sede Náutica do Clube Internacional de Regatas aos sábados e domingos pela manhã a partir de 28/11. 

Eu estarei lá para receber no Veleiro Malagô. As doações serão levadas para a ilha em veleiros no dia 19 ou 20/12, a depender da previsão do tempo. Participe! Bons ventos e vamos no pano mesmo! Detalhes de como chegar ao local "in box".

Apoio: ABVC Santos e Clube Internacional de Regatas.


A primeira vez, de novo...

Imagem
Boas!

Sábado de manhã o dia amanheceu cinzento, em contraste com a sexta anterior de céu azul e sol forte. Encontrei o Eduardo Colombo ainda na ponte Edgard Perdigão antes das 9h30. Ao embarcar na catraia que leva até a sede náutica do Clube Internacional de Regatas vi no caderno de embarque que pouca gente estava por lá e era assim mesmo que eu queria. Desde o dia anterior estava conversando com o Malagô sobre a gente dar uma volta e esse seria o dia.
Devo confessar que a relação que eu tenho com esse barco nem sempre é fácil e acordá-lo depois de oito meses sem velejar me deixava nervoso. Eu simplesmente não sabia se ele estava com a mesma vontade que eu... Se ele quisesse ficar no píer, acreditem, haveria pouca coisa no mundo que o faria mudar de ideia. O Malagô é um veleiro muito, mas muito teimoso. 


O fato é que eu não estou reconstruindo o barco inteiro à toa e eu iria tentar. Eu e o Eduardo embarcamos e de forma discreta começamos a retirar os trezentos toldos e capas... Fui até…

Travessia Ubatuba Buenos Aires - Soneca - Parte 05 - Final.

Imagem
Boas.

Dia desses eu estava no Soneca, durante sua estadia aqui no Clube Internacional de Regatas. Enquanto o Tio Spinelli falava de seus planos e os marujos Bruna e Vitor se debruçavam sobre cartas náuticas, ansiosos com a viagem, eu me peguei pensando em quanto aquele barco era diferente, comendo um naco de doce de banana. 
O Soneca é um barco espartano. Não tem luxos como ar condicionado, geladeira elétrica ou convés de teca. Aliás em seu convés pode-se andar calçado, coisa que me agrada por demais! A comida é feita em conservas e com isso no meio do oceano pode-se comer um bife a rolet com cheiro de recém cozido. O casco é um tanque de guerra.

Cada coisa em seu interior não está lá à toa. Cada item tem sua função específica e está em lugar determinado. Não raro a gente escuta o Tio dizer: "Pega aquilo que está no segundo armário da cabine de proa, a bombordo, em uma caixa amarela de tampa transparente". E sempre a tal coisa está lá, do jeito que ele falou. Em uma travessi…

Travessia Ubatuba Buenos Aires - Soneca - Parte 04 - Rio Grande

Imagem
Boas!

O Soneca partiu de Floripa dia 09/11/2015 com destino a Rio Grande. Os ventos na casa dos 30 nós e as ondas a favor fizeram com que o valente barquinho batesse seu recorde de singradura: 152 milhas em quatro horas, apenas "no pano".
A saída de Floripa foi um pouco dificultada por dezenas de redes de pesca sem sinalização.; Algumas enroscaram no leme e hélice do Soneca e obrigaram o Capitão a fazer alguns mergulhos em águas frias.
A chegada ao Porto de Rio Grande aconteceu na manhã do dia 12/11. Eles haviam chegado antes disso e para entrar apenas de dia - como manda a prudência - diminuíram o passo ao longo da madrugada.
Em terra puderam desfrutar de prazeres mais simples, como fazer uma refeição "retos".



Nossos amigos partiram de Rio Grande no dia 15/11 e neste exato momento estão na altura de Montevideu.
Acompanhe a aventura do Soneca através do Spot clicando AQUI!
E vamos no pano mesmo!

Travessia Ubatuba Buenos Aires - Soneca - Parte 03 - Florianopolis

Imagem
Boas!

Após terem deixado Paranaguá e chegado em São Francisco do Sul no dia 03/11, por volta das 20h00,  a tripulação do Soneca nada pôde fazer senão esperar por uma janela meteorológica para continuar a descida até Buenos Aires.



Em São Chico nossos amigos foram muito bem recebidos pela velejadora Marina Bruschi, Diretora do Museu Nacional do Mar, a quem uma vez mais agradecemos por tudo e também pela lasanha vegetariana. Além disso aproveitaram a parada mais longa e fizeram alguns experimentos gastronômicos, como o "bolo torto" ( alguém esqueceu da trava do fogão!!!). Deram também entrevista para o programa da Izabel Pimentel no Youtube, falando sobre trabalhos e bordo e felicidade. 




No dia 05/11 o Soneca avançou pela Baía da Babitonga e fez uma escala técnica em Joinville para abastecer o barco com água e diesel. No dia seguinte, assim que houve condições de tempo mais adequadas para a descida, partiram com destino a Porto Belo.


A travessia noturna até Porto Belo (completa…

Travessia Ubatuba Buenos Aires - Soneca - Parte 02 - Tiro, porrada e bomba!!!

Imagem
Boas!

O Soneca deixou o porto de Santos no dia 30/10 com destino a Paranaguá. Foram apenas de genoa e no piloto automático sob ventos de leste (20 nós) e um pouco de mar. A embarcação fez uma excelente singradura: 145 milhas náuticas em apenas 24 horas! Nada mau para um 33 pés. Dessa vez  a tripulação não sofreu (muito) com o balanço das ondas e ao amanhecer do dia 31/10 o barco já estava ancorado no Iate Clube de Paranaguá.
O único detalhe dessa travessia ficou para a equipe de terra que sofreu com uma falha do Spot. O localizador pessoal parou de enviar posições às 10h00 do dia 30/10, quando o veleiro estava no través de Itanhaém. O problema já foi resolvido (aparentemente foi problema com as baterias, mas o Tio não ficou muito convencido) e na manhã de hoje a tripulação deixou Paranaguá com destino a São Francisco de Sul, onde esperarão outra janela de tempo. Há cerca de uma hora o Spot atualizou a posição: través de Guaratuba/PR (metade do caminho para São Chico). Além do Spot o S…

Travessia Ubatuba Buenos Aires - Soneca - Parte 01 - Arribada forçada

Imagem
Boas!

Meu professor de direito processual penal, Pedro Garutti, costumava se divertir ao indicar aos alunos que lhe pediam opinião sobre o tema do TCC o assunto "arribada forçada". A graça estava no fato de a bibliografia sobre isso ser extremamente diminuta, o que torna praticamente impossível escrever as mínimas cinquenta páginas exigidas. Confesso que era mais engraçado para ele do que para quem estava na aflição de concluir logo o curso e que nem sabia o que era esse negócio.
A arribada forçada, em português, é a escala não programada do navio em um porto não previsto no plano de navegação, por conta de alguma situação excepcional. O conceito vem no art. 740 do então Código Comercial Brasileiro, que é de 1850 e ainda está vigente nessa parte: "Art. 740. Quando um navio entra por necessidade em algum porto ou lugar distinto dos determinados na viagem a que se propusera, diz-se que fez arribada forçada". Ainda segundo referido Código,  "Art. 741. São causas …

Santos Rio 2015 a bordo do Off Line

Imagem
Boas!
Após duas largadas anuladas por conta de barcos que queimaram a partida, finalmente o Off Line cruzou o alinhamento entre a Comissão de Regatas - CR e a bóia. Começava a Santos Rio para a gente, às 12h45 de um sábado de céu púmbleo.
Eu fiz parte da tripulação reunida pelo dono do barco, Eduardo Coton, a quem desde já agradeço uma vez mais pela oportunidade e receptividade. Conosco estiveram ainda o Ronei e o Antonio Carlos, donos do veleiro Panda (um Fibramar 34), o Claudio Luiz Gregório (uma lenda viva da vela santista) e o Maurício, que é o marinheiro do Off Line e do Grandpa. Uma tripulação bastante heterogênea em todos os aspectos, mas tranquila quanto ao nosso único obejtivo: completar a prova antes do tempo limite. Nossos adversários seriam nós mesmos, como combinamos antes e como veríamos bem claramente um pouco antes de chegarmos ao Rio.
Conforme o previsto os ventos eram na casa de 15 nós, de  SE. O mar estava baixo e por todo lado havia nuvens de chuva a espreita. Até…

Ubatuba - Buenos Aires e Santos - Rio

Imagem
Boas!

No próximo dia 25 de outubro, domingo, o veleiro Soneca, do Capitão José Spinelli Neto dará início a travessia Ubatuba - Buenos Aires.



Spinelli, ou "Tio Spinelli" para os íntimos, é capitão amador e velejador há várias décadas, possuindo vasta experiência em navegação oceânica.  O veleiro Soneca é um Samoa 33 preparado para longas travessias. Foi  construído pelo próprio Tio e já está no Saco da Ribeira pronto para mais essa aventura!
Na tripulação teremos o Vitor , a Bruna , o José Eduardo, o Genésio e o Silvio, alunos de nossa escola de vela.
Faremos o acompanhamento dessa travessia aqui no blog, passando o maior número possível de detalhes.
A primeira perna será Ubatuba - Florianopolis e a previsão para o dia 25/10, data da partida, é bastante favorável: ventos de Leste e Nordeste, acima de dez nós. De Florianópolis, onde dois tripulantes desembarcam (Vitor e Genésio) e outro embarca (Silvio) a trupe parte para o desafiador porto de Rio Grande. Mas o grande desafio …

Navegando em braile ...

Imagem
Boas!

Em parceria com a empresa Brazil Boat Share realizamos mais uma turma de nosso curso básico de vela oceânica, dessa vez a bordo do veleiro Anarquia, um Pantanal 25 de propriedade compartilhada sobre o qual eu já falei aqui antes.
Na tripulação tivemos o casal Rogerio e Alessandra, o Julio e o Rafael, na sexta, e o Felippe, que se juntou ao grupo no sábado. Por conta de uma frente fria as condições estiveram um pouco fora do usual: muitos carneirinhos, chuva, sensação térmica lá embaixo e visibilidade baixa.
No sábado, em especial, as nuvens baixas nos permitiam ver apenas alguns prédios da orla de Santos. De resto havia apenas uma névoa branca e o som dos sinais sonoros dos navios que entravam e saiam do porto mais movimentado do país.
Por segurança conduzimos a aula na altura do ISO Vermelho, que tem boa distância da orla e fica igualmente afastado do canal dos navios. Mantivemos, ainda, a navegação em um eixo Leste-Oeste, sempre em orça e afsatando da orla. Assim ficava mais f…

Curso de vela na Represa Guarapiranga

Imagem
Boas!

Durante o mês de setembro nosso instrutor Alexandre Dangas ministrou o curso básico de vela para o Maurilo a bordo do Fast 230 + Bakanna na represa Guarapiranga.  Esse curso é regular e acontece sempre que há interessados. A vantagem é que está dentro da cidade de São Paulo e o regime de ventos é espetacular.
Vejam o que nosso amigo e agora velejador Maurilo achou da experiência:
"Bem, velejar pra mim é outra maneira de se viver, descobri esse ano o que é de fato velejar, entrei no Colégio Naval e logo escolhi a equipe de Vela Oceânica. Que desafio! Aprendi tudo na raça do dia-a-dia como é esse esporte e continuo aprendendo... Tanto que procurei ajuda nessa área e descobri o Curso Baldoso, mas o que me alegrou mesmo foi ter a instrução aqui na Represa Guarapiranga!! Isso mesmo em uma represa, eu moro a uns 40min dela e não acreditei que era possível velejar. Foi um tremendo equívoco! Cheguei lá e fui recebido pelo Alexandre Dangas de uma simpatia sem igual com o +Bakanna e f…

Propriedade compartilhada de veleiros.

Imagem
Boas!

Domingo passado eu fui velejar com o Rodrigo e com a Simone, dois alunos que fizeram o curso conosco em maio desse ano e que recetemente compraram seu próprio veleiro, o Anarquia, um Pantanal 25  projetado pelo  Cabinho.



Foi a primiera vez que velejei em um Pantanal 25 e gostei muito do barco. O espaço, como característica dos barcos do Cabinho, é de um 28 pés e o desempenho não decepciona: com uma leve brisa de cinco nós entramos e saímos da baia algumas vezes, fazendo bons ângulos de orça. O cockpit  é bastante espaçoso e bem arranjado e a ausência do estai de popa torna-o desimpedido. A popa é aberta e tem um excelente acesso ao mar. A boca é estreita (pois o barco foi projetado para ser rebocado em nossas estradas por um carro de passeio), o que faz com que o ajuste de velas tenha de ser bem feito, sob pena de comprometer o rendimento. Como resultado tem-se um barquinho ao mesmo tempo técnico e divertido. 

O Anarquia é um barco muito bem cuidado e mantido e eis ai um ponto i…

Impressões do curso de vela oceânica, por Bruna Tau

Imagem
Boas!

A visão que esse blog traz de nossos cursos de vela é sempre a minha e há tempos eu queria inverer isso, trazendo as impressões de algum aluno ou aluna. Pois na última turma de nosso curso básico de vela oceânica, em Ubatuba, a bordo do Soneca e sob a batuta do Tio Spinelli isso finalmente aconteceu. A serelepe Bruna Tau, (ex)lancheira e atual velejadora que está prestes a ser salva e se tornar proprietária e moradora de um veleiro, resolveu nos presentear com um belo relato sobre seus três dias no Saco da Ribeira a bordo do Soneca. 
Por isso, hoje, vamos de Bruna Tau mesmo!
"Minha paixão foi sempre o mar. Vivi a bordo de diversas embarcações, meu pai teve algumas, o negócio dele era pesca esportiva. Há dois anos e meio minha mãe e meu pai faleceram. Foi ai que o mar voltou à tona. Corri para comprar minha primeira embarcação. Foi a motor. Legal, mas vi que o veleiro sim traria o que eu queria e seria o melhor jeito de me sentir mais perto dos meus pais; desde então comecei …

Cusco Baldoso na loja do #SAL

Imagem
Boas!

Vocês com certeza já conhecem ou pelo menos ouviram falar sobre a websérie #SAL, produzida, dirigida e apresentada pelo velejador (entre outras coisas) Adriano Plotzki. Com belas imagens e excelente argumento e produção, a cada lua nova um novo episódio vem ao ar (canal no Youtube) trazendo um pouco sobre a vida de quem faz do mar e de veleiros a sua casa ou o seu modo de viver. O meu episódio favorito ainda é o dia 12:


Mas a verdade é que a cada novo episódio a gente se surpreende por ter sido no mínimo tão bom quanto o outro. 
Essa semana o #SAL evoluiu e lançou uma loja virtual, onde podem ser comprados desde produtos com a marca da websérie (uma caneca, por exemplo), até passeios e cursos de vela. E nós, como não poderia ser diferente, embarcamos nessa e estamos divulgando nosso curso básico de vela oceânica nas bases Guarujá e Ubatuba.

A loja está muito bem estruturada e as inscrições para nossos cursos são feitas on-line!

Visite, conheça e ajude a manter essa projeto que h…

Como instalar a sonda do GPS Garmin sem furar o casco.

Imagem
Boas!

Nosso Fast 230, o Grandpa, está equipado com um GPS Garmin 441s, aparelho que traz chartplotter (carta naútica) e sonda (ecobatímetro/profundidade). No começo do mês nosso amigo e sócio no barco Cassio Souza instalou a nossa sonda, de forma que agora possuimos dois ecobatímetros: o antigo e o do GPS.
Pouca gente sabe, mas é possível instalar a sonda por dentro do casco, sem precisar fazer nenhum furo. O melhor é que isso é bem fácil e barato e pode ser feito por vc mesmo. Entenda o que o Cassio fez:
1. Escolha um lugar próximo à proa do barco. O ecobatímetro não indica a profundidade do leito marinho à frente, mas sim a profundidade de um eixo cônico a partir de onde ele está instalado. Fazer a instalação na popa, por exemplo, poderá trazer uma indicação de profundidade diferente  do que aquela que há na proa. Em um barco de sete metros de comprimento, como o Grandpa, é perfeitamente possível a popa indicar dois metros de profundidade enquanto sob a proa há apenas um metro. O re…