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A mostrar mensagens de 2013

Feliz tudo!

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A todos os que passaram pelo nosso convés em 2013, nosso muito obrigado! Que estejamos juntos em 2014!

Feliz Natal!!!

Feliz 2014!!!

Feliz tudo!!!



Hoje, só ano que vem. Vamos só até ali e já já voltamos!


Limpando os porões...

O ano, como medida de tempo, é apenas uma ilusão. Mas não existe à toa: de tempos em tempos é preciso liberar o passado e começar de novo, ainda que isso seja um simples faz de conta. Foi o que fiz. Abri as tampas do porão do Malagô e comecei e retirar a sujeira. É incrível como coisinhas tolas, do dia a dia, vão se acumulando. Papel de bala, muitos parafusos, lascas de tinta e de madeira. Sozinhas, são pouca coisa. Mas aos poucos elas se encontram e formam uma parede potente que bloqueia a passagem da água. O espaço entre cada antepara ou caverna fica estanque e a bomba de porão funciona em seco, até queimar. Dá trabalho? Claro. Mas pelo menos uma vez por ano precisamos limpar os porões do barco. Revisitar o que perdemos. Passado demais pesa. O barco anda menos e isso nos dá raiva. Pior: sentimos raiva sem nem lembrarmos o motivo... Mas não se engane, navegador: é culpa dela, da sujeirinha santa - ou não tão santa assim - de cada dia, que consegue entrar pelas frestinhas mais absurd…

Regulagens de velas em veleiros de oceano

1. Regulagens de velas em veleiros de oceano.

1.1 Vento real e vento aparente e sua influência no ajuste das velas.
Vento real, como o nome indica, é a direção de onde o vento naturalmente vem. Vento aparente é a direção do vento em razão do movimento da embarcação.
Imaginemos uma manhã sem vento. O sol ainda está baixo e o mar está espelhado. Um veleiro deixa o porto e se dirige, em mar aberto, rumo a uma ilha. Não há vento, mas a tripulação sente uma brisa, cuja velocidade é igual à velocidade da embarcação – nesse caso, cinco nós – e vem sempre de uma direção: da proa em direção à popa.
É um dia típico de verão e por não haver nenhum fenômeno atmosférico relevante (uma frente fria, por exemplo), o vento apenas começará a soprar quando a terra estiver suficientemente aquecida pelo sol, de modo que o ar nessa região irá subir e o ar que está sobre o mar, mais frio, se deslocará para preencher o vazio.
Depois de duas horas de navegação, às onze horas manhã, esse processo começou a acontec…

Curso de vela oceânica - novo formato em 2014

Boas!

Desde que iniciamos nossas atividades de Escola de Vela, no Cusco Baldoso Atoll 23, em abril de 2012, nossa proposta sempre foi a de possibilitar uma formação continuada ao futuro velejador. 
A grande dificuldade, nisso, é que aquilo que eu chamo de um curso verdadeiro demanda mais tempo do que as pessoas em geral costumam dispor - ou desejam. Assim, por exemplo, fazer um curso de dez horas e acreditar que se aprendeu a velejar é uma meia verdade. Com certeza estaremos, ao final, menos ignorantes do que éramos no início. Porém, o que são dez horas diante do mar?
Ao longo do ano de 2013, que foi bastante intenso,  pensei muito sobre isso e percebi que alunos meus que retornam e fazem outras aulas, participam de passeios e regatas com certa frequência  têm rendimento muito superior a partir do terceiro embarque. Mais além: isso ocorre de maneira uniforme para todos os alunos. Haveria, então, de existir uma maneira de transportar isso para o curso!
Foi assim que remodelei toda nossa p…

E depois da tempestade, vem a belíssima!

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Boas!

Já dizia o ditado que  depois da tempestade, vem a belíssima... é isso, não é?!
Bom, deve ser, pois o fato é que no dia seguinte ao nosso perrengue aluguei o Malagô para a Editora Abril/Revista Estilo - edição 0135. O Velho Mala, então, ainda um pouco capenga (mas disfarçando muito bem, pois a essa altura da vida ele aprendeu a não mostrar abatimento), tratou de ir passear  pela baia de Santos com a atriz Vitoria Frate, a fotógrafa Karine Basilio e a equipe de produção, maquiagem e toda essa coisa da qual eu entendo tanto quanto aramaico arcaico. Ainda bem que o Malagô tem um convés amplo! 
Entre uns bordos para lá e para cá - o vento, o mar e o céu estavam perfeitos - a intrépida fotográfa fez acrobacias e colocou a modelo até em cima da retranca... Só não deu para fazer uma foto do alto do mastro, com o barco velejando e adernado!, porque eu tenho juízo e o vento apertou muito (não necessariamente nessa ordem).
Cabe destacar que nessa faina tão estressante (principalmente para…

O mais longo dos dias - parte IV

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"- Imagina se o Júlio França estivesse aqui?" -  provocou o Cassio.  Eu ri. Na travessia para Ilhabela eu praticamente o embarquei a força, pois ele estava receoso. Tudo tem seu tempo. Se pegamos aquela  porranca é porque era a hora. Pior seria se eu estivesse com a Pri e as meninas, o plano original...
Amanheceu e voltei para o convés. Estavamos um  pouquinho mais perto da  costeira,  mas ainda seguros. O mar trazia ondas de três metros, algumas maiores. O barco capeava magnificamente bem. Tentei abrir a vela, mas o enrolador travou. Os restos do lazy jack se projetavam como lanças para fora do barco e se enroscaram nas escotas.Fui até a proa, deitado no convés. Livrei parte do enrosco, mas não foi suficiente.O Ivan, atado ao cinto, surgiu meio que do nada e me ajudou. Voltamos para o poço e abrimos a genoa. Meu plano era voltar para casa de través. 
Mas não seria tão simples. Ao abrir a genoa a capa foi para o espaço. O barco andava em círculos, procurando sempre ir para a…

O mais longo dos dias - parte III

O vento entrou, mas não veio tão forte quanto eu esperava. Coisa de vinte nós e, vinte nós, devidamente rizados, não matam ninguém. Vento de través, vindo de sul. Mar crescendo, mas nada absurdo. Ainda sem motor, nem reclamavamos mais pois íamos entre seis e sete e poucos nós direto para casa. Motor de veleiro é vela!
Acertadamente  coloquei nosso rumo não para as proximidades do Indaiá, mas sim para a Moela. Uma aproximação no Indaia seria feita com ele bastante ao largo, pois havia o risco de estando perto demais, fossemos conhecer sua costeira. Isso salvou o  barco e, talvez, nossas vidas.
O Malagô pôs suas artroses para trabalhar. Zumbia, rangia, gritava...a madeira viva que lhe habita produzia os sons mais inusitados. Improvisei um "preventer" na retranca, deixei o Cassio e o Rodrigo no convés e  voltei para dentro, para tentar dormir. 
Quando o vento de vinte nós começou estavamos no través de boracéia. As 03h00 da manhã, no exato través do Indaiá, aconteceu: o vento …

O mais longo dos dias - parte II

Ao chegarmos nas Ilhas o churrasco ainda não estava pronto, mas estava em vias de. Contraternizamos com as tripulações do Jazz IV, Meltemi, Easygoing, Grazina e Gaudério. Após umas duas horas deixei os meninos em terra se divertindo e fui ver  motor do Malagô. Mergulhei e limpei a admissão da água salgada. Estava um pouco suja, mas não obstruída. Depois desmontei a bomba d´água e troquei o rotor.O antigo estava perfeito. Verifiquei o óleo e estava tudo perfeito. Mas a água do radiador estava baixa. Procurei vazamentos, mas  só encontrei algum pela tampa. Improvisei uma vedação, mas não resolvia. Ainda assim a água que pingava era muito inferior a água perdida e nenhum grande vazamento era encontrado... Estavamos no pano mesmo. 
Logo uma ameaça de chuva surgiu no horizonte e as tripulações voltaram para seus barcos. O plano era ficarmos ali até a manhã seguinte. Enquanto o Ivan preparava um  almoço daqueles, ligamos para o Ricardo para tirar um sarro sobre o que ele estava perdendo. E…