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A mostrar mensagens de Abril, 2012

Curso de vela oceânica

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Boas!

Quando eu era iniciante tive dificuldade em achar um curso do jeito que eu achava que um curso de vela deveria ser: pura imersão! Por isso desenvolvi o curso que na verdade eu mesmo queria ter feito: passar o dia embarcado e aprender a USAR o veleiro, desde soltar a poita até içar as velas; saber como fundear, como regular as velas, como e para que usar o VHF. Sob supervisão de alguém mais experiente, mas comigo pondo a mão na massa.
Pois é. Depois de um balão de ensaio com alguns amigos e de já ter tido alguns alunos pagantes, creio que já posso dizer que sou, oficialmente, instrutor de vela oceânica. Dar aulas não é exatamente uma novidade para mim, afinal eu faço isso desde meus quinze anos... comecei com o português, passei pelo direito do trabalho, pelo direito previdenciário e, agora, a ciência de Éolo. 


Com o Cusco Baldoso aqui perto essa atividade ficou mais fácil. As aulas têm sido realizadas em Guarujá, a partir do canal Bertioga.
O curso tem funcionado assim: embarcamos …

Adeus ao Zé Peixe...

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José Martins Ribeiro Nunes, ou Zé Peixe, foi com certeza o Prático menos convencional que já existiu. Ao contrário de seus colegas de profissão, não usava lancha de apoio para ir ou voltar até os navios que entravam ou saiam da barra. Do alto de seus 1,60 m de altura, Zé Peixe guiava o navio até o mar aberto e de lá pulava de uma altura de até quarenta metros. Se outro navio estivesse para entrar, aguardava abraçado em uma bóia de sinalização até ser içado; se não, simplesmente voltava nadando mais de dez quilômetros e, segundo dizem, saia da água sem sequer estar ofegante. Nunca achou que o que fazia era excepcional, nem se achava um herói ou coisa que o valha. Não bebia água doce, não tomava banho e se alimentava basicamente de frutas, pão e café. Ontem,  depois de oitenta e cinco anos de amor à vida e ao mar, ignorou a tradição de que não se inicia uma travessia em uma sexta-feira e deixou Aracaju/SE com destino à eternidade...


Marina Pública em Santos?

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Boas!

Um projeto que há tempos está na pauta de aspirações do Prefeito-Velejador João Paulo Tavares Papa está para sair do papel: a revitalização da região do Valongo (no centro histórico de Santos), que prevê a criação de um complexo com centro de negócios, hotel e marina na área hoje ocupada pelos degradados armazéns 01 a 08 do cais. Tem muita gente graúda de olho nisso, desde Amyr Klink (que veio muitas vezes a cidade tratar do assunto com o Prefeito), passando pela  MSC Cruzeiros, e pelas grandes empreiteiras e construtoras. Se a ideia vingar - oxalá vingue! -, eu troco o apartamento por um barcão e vamos morar na tal marina! Será?!


Previsão do tempo...

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Boas!

Dia desses comentei aqui no blog sobre o serviço meteoromarinha, prestado pela Marinha do Brasil no site: http://www.mar.mil.br/dhn/chm/meteo/. No começo o linguajar parece um tanto complicado, mas na verdade a coisa é bem simples. No boletim, que tem duas rodadas diárias (00h00 e 12h00), são trazidos avisos de mau tempo, avisos de vento forte (força 7 para mais) e de mar grosso, por exemplo. 
É feita, ainda, a análise do tempo, no geral e em específico para cada região do litoral brasileiro, identificada por uma letra do alfabeto fonético. A maior parte do litoral sudeste do Brasil fica na área Charlie (verifique onde fica sua área aqui!), mas esta área também sofre influência da área Bravo (atenção!). 
Fazem parte do serviço as cartas sinóticas, representações gráficas dos fenômenos atmosféricos em andamento, como esta:


 Para entendê-las melhor é preciso, porém, dominar a principal simbologia:

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A muito grosso modo e de uma forma extremamente simplista (atenção!) pode-se esper…

Há tempos não via uma ideia tão boa!

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Como adoçar o motor de popa sem tirá-lo do barco:




Vale para bote, veleiro, lancha...só quem já carregou 31 kgs para lá e para cá sabe o valor disso!!!
Os créditos são para o Mario, do veleiro Redboy, de Angra dos Reis (in http://www.nautica.com.br/forum/viewtopic.php?f=5&t=11596).
Bons ventos!

Devaneios ...

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Velejar é estar em comunhão com Deus, é surfar nos ventos...


MAS não é um barquinho ao por do sol numa brisa leve. Em geral, quando o sol se põe nem venta (aqui em Santos, pelo menos, é assim).


Para cada hora velejando, você passa quatro consertando... (velejar é consertar o veleiro em lugares exóticos, me ensinou o amigo Stark dia desses). Às vezes faz calor demais, outras frio... vc se programa, mas o tempo não ajuda... chove na hora errada, venta na hora errada, ou o oposto, ou o telefone toca... Às vezes é o céu, outras o inferno. Muito raramente será o meio termo. Você precisa lidar bem com a frustração, esperar a hora certa de fazer as coisas e aprender, com isso, a valorizar aquele dia perfeito (que são tão poucos...)


Viver a bordo não é algo tão romântico e simples quanto parece. Mas pode dar certo. Sem fazer filosofia de botequim, quando se está em paz consigo mesmo, qualquer lugar pode ser um lar. Mas se não estiver... ao invés de solução, provavelmente você terá um monte de pr…

Ventos de 35 nós na Regata do Rio Boat Show 2012!

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Boas!
Parece que vento é o que não faltou na Regata do Rio Boat Show 2012. Apesar de ser um evento festivo, as tripulações viveram momentos de Volvo Ocean Race em plena Baia da Guanabara: SW de 35 nós, resultado da entrada de uma frente fria (que nem foi das mais fortes!).
Veja abaixo os vídeos feitos pelos veleiros Drunk Turtle (um belíssimo Atoll 23 - o Cusco quer ser como ele quando crescer, rs) e pelo Piacere (um Velamar 34). É interessante notar as estratégias diferentes de cada tripulação para encarar a situação.








E com esse ventão, mais do que nunca vamos no pano mesmo!

Eu quero um!!!

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Travessia Paraty - Guarujá em um atoll 23 - Abril de 2012 - Parte 02/02

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Vídeos











Travessia Paraty - Guarujá em um atoll 23 - Abril de 2012 - Parte 01/02

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Relato da travessia
No dia 02 de abril de 2012 eu e meu amigo Ricardo Stark deixamos a Ilha da Cotia com destino ao Guarujá. Mas essa travessia começou antes, quando eu decidi que não ficaríamos mais em Paraty (pelo menos não o ano inteiro). A primeira coisa que defini foi o tipo de clima que eu gostaria de encontrar pelo caminho: sol ameno, sem chuva, pouco vento e ondas baixas, ou seja, uma típica semana de outono. A navegação seria apenas diurna. Mas era preciso atenção, pois essas semanas costumam cobrar um preço alto: as frentes frias, quando entram, vêm com mais força.
Desde os primeiros dias de março passei a acompanhar diariamente, em suas duas rodadas, o meteoromarinha, serviço sensacional prestado pela Marinha do Brasil que disponibiliza além da análise do tempo e da altura das ondas, as cartas sinóticas que permitem visualizar melhor a previsão. Há até uma previsão detalhada para o litoral do Rio de Janeiro e uma ainda mais específica para a baía da Guanabara.


Foi um períod…

Travessias e cruzeiros costeiros em pequenos veleiros...

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Existe um mito no meio náutico brasileiro de que pequenos veleiros não servem para cruzeiros costeiros. Travessias, em nossa cultura náutica, são destinadas apenas aos veleiros maiores do que trinta pés e poucos são os que discordam disso. Os pequenos são destinados para as pequenas baias, rios, lagos e lagoas abrigadas. Isso se deve basicamente ao fato de que a maior parte dessas embarcações está concentrada no eixo Niterói/Santos, região onde venta relativamente pouco (vinte nós já é “ventão”).


Mas quem fica algum tempo na baía da Ilha Grande logo percebe que há mesmo algo de errado em nossos conceitos. Não raro aparecem por ali embarcações de 23, 25 ou 27 pés que cruzaram o Atlântico – algumas sem um motorzinho de popa sequer, só no vento (as francesas, aliás, geralmente têm um estado de conservação que não inspira muita confiança!).
Daí logo percebemos que veleiros pequenos podem fazer travessias ou pequenos cruzeiros costeiros. Tudo depende apenas e tão somente de um minucioso  pla…