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A mostrar mensagens de Novembro, 2013

O mais longo dos dias - parte IV

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"- Imagina se o Júlio França estivesse aqui?" -  provocou o Cassio.  Eu ri. Na travessia para Ilhabela eu praticamente o embarquei a força, pois ele estava receoso. Tudo tem seu tempo. Se pegamos aquela  porranca é porque era a hora. Pior seria se eu estivesse com a Pri e as meninas, o plano original...
Amanheceu e voltei para o convés. Estavamos um  pouquinho mais perto da  costeira,  mas ainda seguros. O mar trazia ondas de três metros, algumas maiores. O barco capeava magnificamente bem. Tentei abrir a vela, mas o enrolador travou. Os restos do lazy jack se projetavam como lanças para fora do barco e se enroscaram nas escotas.Fui até a proa, deitado no convés. Livrei parte do enrosco, mas não foi suficiente.O Ivan, atado ao cinto, surgiu meio que do nada e me ajudou. Voltamos para o poço e abrimos a genoa. Meu plano era voltar para casa de través. 
Mas não seria tão simples. Ao abrir a genoa a capa foi para o espaço. O barco andava em círculos, procurando sempre ir para a…

O mais longo dos dias - parte III

O vento entrou, mas não veio tão forte quanto eu esperava. Coisa de vinte nós e, vinte nós, devidamente rizados, não matam ninguém. Vento de través, vindo de sul. Mar crescendo, mas nada absurdo. Ainda sem motor, nem reclamavamos mais pois íamos entre seis e sete e poucos nós direto para casa. Motor de veleiro é vela!
Acertadamente  coloquei nosso rumo não para as proximidades do Indaiá, mas sim para a Moela. Uma aproximação no Indaia seria feita com ele bastante ao largo, pois havia o risco de estando perto demais, fossemos conhecer sua costeira. Isso salvou o  barco e, talvez, nossas vidas.
O Malagô pôs suas artroses para trabalhar. Zumbia, rangia, gritava...a madeira viva que lhe habita produzia os sons mais inusitados. Improvisei um "preventer" na retranca, deixei o Cassio e o Rodrigo no convés e  voltei para dentro, para tentar dormir. 
Quando o vento de vinte nós começou estavamos no través de boracéia. As 03h00 da manhã, no exato través do Indaiá, aconteceu: o vento …

O mais longo dos dias - parte II

Ao chegarmos nas Ilhas o churrasco ainda não estava pronto, mas estava em vias de. Contraternizamos com as tripulações do Jazz IV, Meltemi, Easygoing, Grazina e Gaudério. Após umas duas horas deixei os meninos em terra se divertindo e fui ver  motor do Malagô. Mergulhei e limpei a admissão da água salgada. Estava um pouco suja, mas não obstruída. Depois desmontei a bomba d´água e troquei o rotor.O antigo estava perfeito. Verifiquei o óleo e estava tudo perfeito. Mas a água do radiador estava baixa. Procurei vazamentos, mas  só encontrei algum pela tampa. Improvisei uma vedação, mas não resolvia. Ainda assim a água que pingava era muito inferior a água perdida e nenhum grande vazamento era encontrado... Estavamos no pano mesmo. 
Logo uma ameaça de chuva surgiu no horizonte e as tripulações voltaram para seus barcos. O plano era ficarmos ali até a manhã seguinte. Enquanto o Ivan preparava um  almoço daqueles, ligamos para o Ricardo para tirar um sarro sobre o que ele estava perdendo. E…

O mais longo dos dias... - parte I

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Boas!

Como começar uma história longa sem ficar cansativo? Talvez haja apenas uma maneira: abordar o começo, o meio e o fim. Essa forma de contar essa história me veio à mente quando estava junto com minha tripulação trancado na cabine do Malagô, sendo violentamente jogado de um lado para outro a oito milhas ao largo de Bertioga.
Esse post, então, começa justamente pelo começo.

Nos dias 15, 16  e 17 de novembro passado a ABVC Santos organizou  o "Encontro das Ilhas", um microcruzeiro de tres dias saindo de Santos e indo até As Ilhas, litoral norte de São Paulo. Em princípio eu ia com as meninas, mas como a Priscila sempre arruma alguma coisa para fazer nessas horas acabei escalando outra tripulação: o André, o Ivan e o Ricardo Stark. Esse último no meio do caminho esqueceu que ia conosco e acabou sendo substituído pelo Rodrigo, inscrito na bolsa de tripulantes da ABVC. Também se juntou a nós o Cassio e isso, como veremos mais adiante, fez toda a diferença no desfecho da vel…

Fomos lá...

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Boas!

Os preparativos para a regata da marinha seguem a todo pano. No último final de semana realizamos um "treino em condições reais" com a equipe base: Juca, Luiz, Cassio, Aruã e Fabio (a Tamis está numa mega viagem ao redor do Brasil e enchendo sua página no face de fotos legais). Constou da equipe também - para minha alegria e graças a sogra (que ficou com as crianças), a Capitã Priscila!
A largada foi sensacional: estavamos milhas antes do lugar correto e parecia que não havia vento apenas para a gente, pois os outros veleiros voavam baixo, lá na frente. O Mala é um pouco pesado além da conta e sofre quando o vento acaba. E nessa regata o vento foi intermitente, de forma que se nosso avanço era de  seis nós em um momento, em outro nos arrastavamos a dois. 
A velejada foi super divertida e o objetivo primário foi alcançado: fazer a turma conhecer um ao outro e o equipamento. Aprendemos um bocado sobre o comportamento do barco e acho que no próximo treino já dá para tirar…

O barco avisa...

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Boas!

Quem nos acompanha deve se lembrar que a vela mestra, na volta de Ilhabela, apresentou problemas ao subir. Voltamos só de genoa, balançando feito loucos - pois sem a mestra em cima e na ausência de vento a estabilidade é prejudiciada - e chegamos sãos e salvos.
Matutei bastante sobre o problema e me dispus a subir no mastro para desentortar o carrinho do trilho (teoria que desenvolvi para explicar o assunto, sempre de olho na tal da navalha de Occam). Desde já agradeço aos meus alunos/amigos Cassio, Júlio e Flávia que mais de uma vez se ofereceram para ajudar nessa empeitada.

Contudo, todavia e entretanto o tempo foi passando e o vento se fez bem presente aqui. Era impossível subir no mastro com segurança e mais impossível ainda testar a subida da vela mestra, a não ser que tirassemos o barco da vaga para fundeá-lo ao largo, mas eu não estava com a mínima disposição para isso.


Nisso  o tempo foi passando e eu comecei a pensar melhor... Ora, se fosse o trilho torto não subiria car…