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A mostrar mensagens de Junho, 2013

Boiando em Guarujá...

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Boas!

Nesse final de semana (domingo) eu deveria dar aula para o Kleber e para o Luiz Malito. O Luiz já é nosso conhecido, fez curso com a gente em abril desse ano e está a cinco minutinhos de comprar um mega veleiro. Aliás, cabe observar que tem muito ex-aluno de nossa escola de vela inflacionando o mercado. O Marcello Yesca já saiu do "movimento dos sem barco", comprando um albatroz 27 e há ainda outros três na busca incessante pela melhor embarcação. Um deles, o Ivan - o cozinheiro, anda sofrendo com o pé direito baixo dos barcos que vê. Acho que o Malagô elevou os parâmetros do rapaz muito para cima! 
Já a história do Kleber é fantástica: ele (brasileiro) e seu amigo Paul (inglês) comparam um veleiro em Nova Iorque. O barco está lá. O plano deles é assim que possível (leia-se, assim que o barco estiver equipado), descerem para uma temporada no Caribe e, de lá, seguirem via canal do Panamá e Galápagos para  casa. Detalhe: eles moram na Tailândia!  Enquanto o dia da partid…

Dia de encanador...

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Boas!

Hoje acordei bem cedo e fui trabalhar. No Malagô. Às nove da manhã, depois de um belo café da manhã (em casa), estava eu a bordo do velho Mala. Missão:  dar um jeito na hidráulica. Desde que cheguei de Ubatuba só tinha água doce na pia do banheiro. A pia estava seca e o chuveiro de popa também.
Comecei mandando embora a bomba de água que estava a bordo - tão velha quanto o barco! Ocupava um armário inteiro e parecia uma locomotiva alucinada. Comprei uma jabsco de 1.9 gpm, automática. Ela tem vazão suficiente para alimentar até dois chuveiros ao mesmo tempo (ou torneiras) e é acionada assim que se abre o chuveiro ou a torneira (não é preciso apertar botãozinho).  No Mercado Livre estava custando em média R$ 380,00, sem o frete. Fui até a Mar Matos e lá custava - a mesma bomba - R$ 370,00. À vista e no dinheiro (o mundo é sempre mais barato assim), saiu por R$ 350,00 e eu levei para casa na mesma hora (os correios têm me dado uns furos).

Mas a tarefa levou o dia todo. Estava tão c…

Vizinho do Cusco Baldoso...

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Boas!

O Malagô está de casa nova e é vizinho do Cusco Baldoso (o novo dono vai trocar de nome, mas ainda não o fez). Ter ficado um tempo longe do atollzinho me fez bem, pois olho para ele e já não o sinto mais meu, nem me importo (tanto) se estão limpando ou não o fundo. Ainda bem, pois já tenho problemas demais com o meu próprio barco!
Semana passada instalei um painel solar de 50W (comprei no Mercado Livre). Ele gera cerca de 25 amperes por dia. A conta é simples e até eu sei fazer: 50 W / 12 V =  4,16 Amperes por hora. Em um dia, ele gera essa amperagem ao longo de seis horas em média. Logo 6 x 4,16 =  24,96 Amperes.
Meu consumo maior vem da bomba de porão, que consome 8 amperes por hora. Em sua situação normal (como agora) as bombas do Malgô funcionam meia hora por dia no total. O consumo de 4 amperes por dia, está, assim, plenamente garantido e com folga para em uma situação emergencial, como a que eu enfrentei  não haver falta de energia e alagamentos (na crise o consumo chegou …

ACHEIIIIIIIII!!!!!!!!!!!

Boas!!!


Ontem, finalmente, achei o "fuio".
Não era "fuio": era "pino frouxo". Não que eu esteja ficando louco (embora tenha ficado muito perto disso). A água vinha de um parafuso do túnel do eixo do motor. Com a vibração ele afrouxou. Foi só entrar lá (essa parte foi difícil) e dar uns dois ou três apertos. Minha vida voltou ao normal. Quero nem pensar na despesa e no desassossego que esse danado me causou. Ainda bem que tenho médico na quarta, kkk.
Ficou a lição, a ajuda dos amigos e vamos que vamos, agora mais do que nunca: no pano mesmo!

- Alô, é do navio?!

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Boas!

Durante nossa travessia, ainda em Ilhabela (e antes da quebra do quadrante da roda de leme) o Ivan ficou olhando para os navios no Porto de São Sebastião. Queria ver se encontrava o João Cândido, o maior petroleiro brasileiro. Ele estava impressionado com o navio pois vira uma maquete no museu de São Francisco do Sul/SC. Nenhum deles era.
Mais tarde, já depois da Ilha de Toque Toque, havia um baita "naviozão" fundeado. Ele me perguntou se não seria o João Cândido e eu, santista que vê navios a toda hora (até da janela da casa nova), disse: -"Nada, esse nem é tão grande assim".
Pois é... quando deu para ler o nome do danado, não é que era o João Cândido? Depois dessa bola fora   eu não poderia deixar essa passar em branco. Então perguntei: "- Ivan, você já conversou com um navio?"


Menos de um minuto depois, ouvi o seguinte diálogo:
"- Atento João Cândido, Atento João Cândido, copia veleiro Malagô? - Malagô, aqui João Cândido  - canal 17. - João …

Travessia Guarujá - Ubatuba - Final

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Está acabando, ufa!

Meu plano era sair de Ilhabela as 03h00. Mas a noite via facebook, fui lembrado que não conheço bem o canal de São Sebastião. O quintal da minha casa é outro e a noite e com os ventos da Ilha tudo é mais difícil. Abortei a missão. Sairíamos ao nascer do dia. Destino: Guarujá, Pier 26.
Foi nossa sorte. Não fosse essa alteração e provavelmente nosso destino teria sido outro, bem pior. E eu não falo do Guarujá, mas do fundo do mar. 
Contei os segundos no relógio. Precisamente às 06h00 soltei o cabo da poita. Manobrei devagar e em poucos minutos estávamos no canal, indo para casa. Toquei até o Porto de São Sebastião e depois que cruzamos a balsa, abri a genoa. Ventava bastante, mais de dez nós, ora de proa, ora de través. Motor ligado para poupar baterias. Marolas grandes na popa. O leme, acostumado com anos de Ubatuba e Paraty, sofria ao receber um "mar de verdade" de novo. Quando tínhamos a laje dos moleques, pedi para o Ivan colocar o cinto. Subiríamos a …

Travessia Ubatuba - Guarujá - Parte Três

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Continuando, acordamos às 06h30. Guardamos o motor de popa e subimos o bote. O sol já havia nascido. Liguei o motor, rezei e soltei os cabos da poita. Partir na sexta dá azar. Isso não saia da minha cabeça. mas a previsão do tempo me deva apenas essa janela. Fiquei pensando no romano Públio Claudio Pulcro. Comandante da esquadra romana na primeira guerra púnica (a data eu não lembro ao certo, mas faz muito tempo) ele não conseguiu ler a sorte no ventre dos frangos do templo, pois eles recusaram alimento por dias a fio. Enraivecido, as jogou no mar. Consta que Pulcro teria dito:  "se não querem comer, deem de beber!". De volta a Roma ele se deu mal porque não acreditou nos sinais... O que pouca gente conta é que se não tivesse esperando os frangos comerem desde o princípio e atacado de uma vez, não teria perdido Cartago para Aderbal, pois ele ainda não estava preparado...
E como estar preparado é tudo (Hamlet, ato V, cena II), e preparado eu estava, entre a lógica e a crendi…

Travessia Ubatuba - Guarujá - Parte Dois

Pois é...

Fui de ônibus para Ubatuba na quarta noite, de ônibus. Cheguei no "Mala" às 03h00, debaixo de muito vento. Mas não choveu. Barco seco, mas bateria no fim. Acordei às 07h00, já sem bateria. A água começou a subir. Sem meios de carregar nem ligar o motor por falta de diesel, teria que esperar até às 08h00 para a sede de AUMAR abrir e eu buscar a bateria que pedi para o marinheiro colocar para carregar. Eram 09h00 quando o motor voltou a roncar e as bombas a funcionar. Ufa!
Passei o dia preparando o barco para a travessia. Revisei tudo. Instalei as linhas de vida. Deixei os cintos de segurança no convés. Preparei a bolsa de abandono, com água, ração sólida, pirotécnicos, GPS, celular carregado, faca, cabo e lanterna. Fiz mercado. Comprei diesel extra. Andei tanto para lá e para cá que não tomei banho. O último foi na quarta a tarde e outro viria apenas no sábado às 20h00, já em casa!
Às 17h00 meu amigo e tripulante, Ivan Rodrigues, chegou. Já estava tudo pronto. Dessa…

Travessia Ubatuba Guarujá - Parte Um

Boas!
Para quem gosta, senta que lá vem história! Para a coisa não ficar longa e cansativa, vou dividir a epopéia em vários posts. Esse é o primeiro.
Na terça-feira, 28 de maio, pedi para meu amigo Ricardo Stark ir até o Malagô ver como estavam as coisas. Bem cedinho lá estava ele me ligando de dentro da cabine do Velho Mala. O barco estava seco. As bombas funcionavam. Mas a carga da bateria dava um sinal de alerta: 12.4 v. Ainda havia bastante carga, mas essa era a bateria número um, que usamos apenas para dar partida no motor. A dois estava zerada e isso ocorreu entre sábado e terça. Um absurdo! Pedir para ele medir o tempo de acionamento da bomba e, claro: coisa de cinco minutos. Para ajudar meu grande marinheiro conseguiu gastar vinte litros de diesel em uma semana, navegando zero milha - de Ubatuba para Guarujá, navegando setenta milhas, gastei um pouco mais do que isso. Ahã, tem pai que é cego... rs.
Tomar as decisões a distância e no desespero é algo complicado. E caro. Liguei…