quinta-feira, 26 de junho de 2014

A nova poita do Malagô.

Boas!

Desde que voltei ao Saco da Ribeira fiquei em uma poita alugada de um mergulhador local, o Juliano (cel. 12 - 99793-3337). A coisa era provisória (eu consertaria o motor e retornaria ao Guarujá, para o CIR) e não fazia sentido comprar uma poita por ali. Mas, como dizia o poeta, nada mais definitivo do que as coisas provisórias e nessa toada o "Mala" ficará lá por mais tempo do que eu imaginava. O motor já está zero kilometro, mas o fato é que eu adoro aquele lugar...

No longo prazo o aluguel de uma poita na Ribeira não é caro. Eu pagava R$ 200,00 por mês. Mas com o passar do tempo esse valor pesa, pois com o valor de dez meses de aluguel é possível, com um pouco de sorte, comprar uma.

Como funciona?

Em princípio bastaria lançar a poita e, depois, efetuar o processo de registro junto à Marinha. Acontece que a Marinha deve autorizar o lançamento de poitas no local pretendido, pois isso interfere diretamente na segurança da navegação (não apenas na sua, mas na de outras embarcações).

Acontece que o Saco da Ribeira está lotado e a Marinha não autoriza o lançamento de novas poitas. O que fazer, então?

A primeira opção é mandar fazer uma poita e lançar mesmo assim, pagando para ver. Eu não recomendo isso, por razões óbvias. De tempos em tempos a Marinha faz inspeções e o aborrecimento com um veleiro lacrado e multas pode ser absurdamente grande.

A segunda opção é comprar uma poita já existente, de preferência uma poita que já tenha sido registrada (se não você cai na primeira opção e isso não resolve nada). Foi o que fiz..

Mas não é tão simples assim.

O que é uma poita? Ora, uma poita é um sistema fixo de fundeio. Uma âncora gigante, feita com uma base de concreto, denominada "morto" e um cabo. Como o peso é extraordinariamente grande, o cabo pode ser mais curto do que o que seria usado em um fundeio e isso permite que mais barcos utilizem uma mesma região, pois há a redução no raio de giro da embarcação.

Comprar uma poita usada implica em você não saber como está os cabos e o morto. O cabo é fácil ser substituído e não custa muito. Já o morto... Se ela não for registrada há ainda o agravante de não se saber se quem se diz dono é mesmo o dono.

O que foi que eu fiz, então?

Comprei uma poita usada e registrada. Mas, para não ter dores de cabeça, fiz um "transplante", ou seja, troquei o morto e o cabo.

O serviço foi feito pela empresa COSTA NORTE - www.marinacostanorte.com.br, sediada em Ubatuba sob a batuta do Sr. Raphael. O esquema deles é muito profissional. Fui muito bem atendido, o prazo de lançamento foi cumprido à risca e pude pagar em quatro vezes. Além disso eles dão garantia e fazem revisões periódicas sem custo adicional. Recomendo!


O morto da poita, com 2,7 t.

Os cabos.

A poita lançada em seu local.

Detalhe da bóia. O cabo não afunda e fica muito mais fácil a faina de amarração.

O processo para registro de uma poita está na NORMAN 11, item 0116, a seguir reproduzido:


"0116 - BÓIAS DE AMARRAÇÃO DE EMBARCAÇÃO 
a) Documentação Exigida 
Quando se tratar de bóias de amarração de embarcações, o interessado deverá requerer a CP, DL ou AG com jurisdição sobre o local, informando a localização pretendida e o porte das embarcações utilizadoras.
Para o estabelecimento desse tipo de bóia deverão ser apresentados os seguintes documentos, em duas vias:
1) Requerimento assinado pelo interessado ou representante legal.
2) Memorial descritivo, no qual deverá constar obrigatoriamente:
- finalidade das bóias;
- tipo e quantidade - deverão ser detalhados os sistemas de fundeio
empregados e a carga máxima suportada, considerando o porte e as características das embarcações a serem amarradas ao dispositivo, bem como a sua adequação às características fisiográficas do local;
- coordenadas geográficas das posições de lançamento expressas em graus, minutos e centésimos de minutos, e respectivo datum; e
- sistema de fundeio (descrição e especificação de todo o material).
3) Carta náutica, confeccionada pela DHN, de maior escala da área, contendo a plotagem do local de lançamento das bóias.
4) Cópia do documento de regularização da embarcação junto à CP, DL ou AG da jurisdição.
Quando do estabelecimento efetivo da bóia, tal fato deve ser informado, imediatamente, à CP, DL ou AG, para divulgação em Avisos aos Navegantes.
b) Encaminhamento do Processo 
O Capitão dos Portos, Delegado ou Agente despachará o requerimento sumariamente, a seu critério, caso a localização pretendida não comprometa o ordenamento do espaço aquaviário e a segurança da navegação. Uma cópia dos processos deferidos será encaminhada ao CHM quando for necessária a atualização de documentos náuticos. Após a análise do processo, o requerimento será despachado e devolvido ao interessado, com o parecer da MB. Os demais documentos do processo, bem como cópia do requerimento permanecerão arquivados na OM de origem".

E vamos no pano mesmo!!!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O que é ter um barco à vela?

Boas!

Muitos me perguntam o que é preciso para ter um barco. Mas talvez a pergunta mais importante seja o que é ter um barco, em especial um barco à vela. A resposta mais imediata é até mesmo intuitiva: é poder velejar de lá para cá, sempre que o clima e o mar permitirem. Eu desde sempre me recusei a acreditar que seja apenas isso. Há muito mais em torno de cascos, mastros e velas e ter um barco não se resume apenas à navegar. Se ainda não inventaram a máquina do tempo um veleiro é, com certeza, uma máquina de tempo. É um lugar onde além de navegar você pode passar momentos com sua família e amigos, exercitando uma arte que hoje aos poucos vai caindo no esquecimento: a conversa olho no olho, em especial entre pais e filhos. Tem acontecido em minha casa e acredito que não seja um fenômeno endêmico: por vezes, na mesma sala, cada um está conectado em seu equipamento (eu incluso) e chega-se ao absurdo de haver interação on line com quem está a apenas dois palmos de distância, no mesmo sofá! Ter um veleiro permite viver o mundo real. Sentir o vento, o cheiro do mar, a chuva, o calor, o frio, o doce e o amargo da vida. Duvida? O Walnei Antunes, do Vivre, passou o feriado praticamente todo na cabine de seu veleirinho com três de seus quatro filhos. Eu que passei lá diversas vezes - até mesmo para filar um café da manhã depois da remadinha de SUP às 7h00 com um friozinho de 17ºC - ouvi conversa e risadas que poucos pais têm hoje em dia com seus filhos e que duvido que ele teria se a televisão, a internet e o computador estivessem ali, ao alcance das mãos e dos olhos. No sábado à noite jantei no Serelepe, que estava com a tripulação completa (Cassio, Chris, Lucas e Gabriel) depois de uma faina tanto trabalhosa quanto oleosa para instalar o GPS e de uma troca de botijão de gás quase mortal, mas que rendeu muitas risadas. Os adultos comeram no cockpit e as crianças dentro da cabine. Foi o macarrão sem sal mais gostoso dos últimos tempos! No domingo, já de volta a Santos, tive a honra de receber o cabo de atracação do Augenblick (do casal Elfriede e Jadyr Galera, construído por eles mesmos ao longo de vinte e quatro anos e meio) na doca do CIR e perceber que em torno daquele veleiro - que sequer tinha ido para a água ainda - houve a formação de uma bela família e de laços de amizade e coleguismo que poucas tribos, além dos velejadores, têm entre si. O barco chega a ser quase um detalhe, um mero catalisador. O dia a dia rouba tempo e a tecnologia tem roubado nossa presença. São fatos da vida e é preciso saber se adaptar a eles. Ter um barco não é apenas poder navegar, é uma forma de viver. E vamos no pano mesmo!

Ubachuva...

...Ubasol

Recebendo os cabos do Augenblick.

A  famiília Andrade, a família Galera e mais uma máquina de tempo.




sexta-feira, 6 de junho de 2014

REFENO 2014

Boas!

Este ano participaremos da Refeno 2014 a bordo do CAULIMARAN, o super Samoa 36 do Comandante Ulisses. Como não poderia deixar de ser, nossos alunos e amigos estão desde já convidados a se juntarem a essa valente tripulação, com condições diferenciadas de pagamento! 



"A Regata Internacional Recife - Fernando de Noronha atrai, todos os anos, competidores do Brasil e de várias partes do mundo. E não é difícil entender por quê. O mar, o vento e o clima de Pernambuco são ideais para a navegação. E as paisagens, tanto na partida quanto na chegada, são das mais belas do país.
Os barcos partem do Marco Zero, ponto turístico do Recife e seguem com destino a Fernando de Noronha, ilha oceânica de águas cristalinas, onde é possível encontrar natureza pura, com golfinhos e atobás fazendo a festa dos visitantes. São 300 milhas náuticas de percurso, ou 545 km entre céu e mar.
Organizada pelo Cabanga Iate Clube de Pernambuco, em parceria com a Federação Pernambucana de Vela e Motor, a REFENO quebrou um recorde em 2004: foram 146 barcos inscritos na regata. Veleiros de tamanhos e categorias diferentes. E o grande vencedor foi o Ave Rara, um trimarã de Pernambuco, embarcação espartana e muito veloz, comandada por Vicente Gallo.
A REFENO é considerada a primeira regata oceânica do país. Ela foi criada em 1986 e cresceu tanto, que hoje é necessário limitar o número de participantes.
O atual recorde é do veleiro Adrenalina Pura, da Bahia, que tem como comandante Georg Ehrensperger. Ele conquistou a marca de 14 horas, 34 minutos e 54 segundos em 2007.
O recorde dos monocascos é do veleiro carioca Indigo, comandado por Ivan Botelho com Torben Grael na tripulação, que em 2011 fez a travessia em 25 horas, 57 minutos e 59 segundos.
Mas não é apenas o barco que chega primeiro que recebe prêmio na regata mais charmosa do Brasil. Além do fita azul, os três primeiros colocados das diversas classes também recebem troféus. Outras premiações também fazem a alegria dos competidores, como o primeiro estrangeiro a cruzar a linha de chegada, o barco que vem de mais longe, o tripulante mais jovem e o mais velho e a primeira mulher a chegar. O penúltimo colocado na regata leva para casa o troféu TAMAR: tartaruga marinha.
E é assim, festejando do primeiro ao último colocado, que a REFENO faz sucesso. Ela é muito mais do que uma simples competição; é um ponto de encontro de amigos, que escolheram a vela como estilo de vida" - in www.refeno.com.br.
Não fique ai apenas lendo a aventura dos outros! Venha escrever a sua própria história! Seja o protagonista de sua vida!


MAIORES INFORMAÇÕES: CUSCOBALDOSO@GMAIL.COM e no SITE DO CAULIMARAN!
E vamos no pano mesmo!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Travessia Paraty - Ubatuba

Boas!

Chegamos em Paraty de ônibus às 04h00 de sábado, 31/05. Na tripulação o Cassio e a Christiane, novos donos do Fast 345 Serelepe e o Edson, antigo dono desse belo veleiro. Por razões de logística dividimos a travessia em duas etapas: a primeira de Paraty até Ubatuba (Ribeira) e a segunda, ainda a acontecer, entre Ubatuba e o Guarujá (Clube Internacional de Regatas).

Embarcamos no cais da Pier 46 e seguimos até o posto de combustível da Porto Imperial, que só abriria às 07h00. O céu estava sem nuvens e trazia um azul profundo. Paraty continua um lugar especial. 

Lavamos o barco, enchemos os tanques de água e de diesel e  às 07h15 partimos, no motor, com vela mestra em cima. Fiz o primeiro turno no leme (duas horas cada tripulante). Seguimos até a Ilha do Mantimento e de lá para a Ilha do Algodão, passando pelo meio do Catimbau. Ao contrário do que sempre faço, entramos na baía da preguiça, saindo em Paraty-Mirim e de lá fomos até a Ponta da Cajaiba. Costeamos a Cajaíba, o Pouso e o costão rochoso que leva à Joatinga. 

A travessia da "Tia Jo" foi tranquila, já no turno do Edson, um maluco gente boa ao extremo. O mar estava um pouco mexido e nós passamos um pouco mais perto do que eu gostaria. Aliás, beeem mais perto. Mas deu tudo certo e foi bonito. Ao meio dia já havíamos vencido a Ponta Negra. Às 15h25 chegamos na Ribeira, onde amarramos o Serelepe a contrabordo do Malagô.

Fizemos a travessia toda no motor, pois o vento simplesmente não apareceu. Faz parte. O saldo final foi bastante positivo, não apenas porque cumprimos a missão, mas porque vivemos belos momentos e semeamos novas amizades. 

E vamos no pano mesmo! 

Galeria:

07h00 - Porto Imperial, Paraty/RJ

10h00 - Ponta da Joatinga


Chris, Cassio e Edson.

Ilha Cairuçu.

Ponta Negra.


Ilha das Couves.

Saco da Ribeira.



Velejando no Nordeste...

Boas! Por conta do lançamento do livro A Travessia Azul, fiz palestras em algumas cidades para contar para as pessoas mais sobre o que ...