Festa na Ilha da Cotia!

27 de dezembro. Dia de velejar. Passamos o dia para lá e para cá apenas com as velas levantadas, a partir da Ilha da Bexiga. O vento não estava forte, uns sete nós, quando muito. Andávamos a três, quatro nós. O Malagô orça muito bem, mas aderna bastante. No través é um sonho. No popa, com vento fraco, ele sofre um pouco. Precisa de mais vento e de mais pano. Armamos a asa de pombo com o pau de spi. 

No meio da tarde seguimos para a Cotia. Quando estávamos no Saco da Velha outro SW, mas este de "apenas" vinte e cinco nós. Liguei o motor e abaixei a mestra. Chegamos a sete nós, com o motor desengatado e a genoa aberta. Na entrada da Cotia cruzamos com o veleiro Planckton. Recolhi a genoa e engatei o motor.

Mais uma vez escolhi o lugar errado. Pouco abrigado e longe da praia. Eu sou mesmo uma besta...  mais um ponto no concurso de pior ancoragem! Eram 15h30.

Às 17h30 meu amigo Alan chegou com o Meltemi, vindo do Guarujá, de onde saiu dois dias antes.  Avistei para ele não parar perto de mim, pois o lugar era ruim. "- Ruim não, é péssimo!" - gritou ele, me enchendo de orgulho!


Como levantar a âncora não era mais um problema, esperamos ele fundear - num local excelente - e mudamos a ancoragem. Guincho? Nem pensamos nesse negócio supérfluo!

O Alan veio a bordo, batemos um papo e depois fomos cuidar da vida na enseada da paz universal, como diz o amigo Helio Solha. Soltei algumas iscas para ver se pesávamos alguma coisa além de algas. Comemos, rezamos e amamos. Choveu só um bocadinho.

No dia seguinte a Alice fez dois anos.  Nossa, como o tempo passa... outro dia eu a estava anunciando aqui no blog!

Preparamos uma festa linda para ela. Com presente, balões, bolo, brigadeiro e guaraná. Durante o dia muita gente veio de botinho pedir para conhecer o barco. Era no mínimo interessante ver o pessoal dos Benneteau, Delta e Fast da vida babar no nosso barco. Falou-se português, inglês e alemão a bordo. Aliás, eu parecia um índio germânico: "- Mein kleine Mädchen! Geburstag! Heute! Zwei jahrE", tendo sido  corrigido prontamente com a sutileza tedesca: "- Zwei jahreNNNNNNNNN?" Pois é, quis dar uma de bacana poliglota... Selbstnatüralich!




Passamos na peixaria e compramos pescadas e camarão para o almoço. Comprei muito camarão e foi difícil comer tudo de uma vez (o gelo havia acabado). Ano passado os preços estavam mais em conta. Esse ano a coisa estava para grã-fino ($$$). Como eu ando com muito pouco dinheiro a bordo, fiquei a zero.





Às 17h00 puxamos um parabéns e para nossa surpresa a Ilha da Cotia toda entrou no coro. Foi bonito! Foi bem legal!  Pena não ter bolo e brigadeiro para todos. Ano passado o parabéns foi na marina e todos os barcos ganharam eu pedaço. Até hoje eles lembram! Ok, ok, eu sou mesmo um pai babão.





No fim da noite peguei o botinho e fui atrás de sinal de celular - na Cotia não tem e essa é uma de suas virtudes. Eu queria a previsão do tempo, mas acabei recebendo um e-mail de trabalho que estragou um pouco as coisas. Um acordo que eu havia feito e que pagaria as contas de janeiro deu errado. Informei a conta errada na petição e a seguradora não faria o depósito se eu não enviasse uma petição assinada, digitalizada, aditando a petição do acordo. Meu Deus, como fazer isso ali? Ou mesmo em Paraty?  Pronto, fiquei com a cabeça meio lá, meio cá. Maldito capitalismo!

No dia seguinte voltamos para a marina. Rebocamos o Serelepe, do Edson, sua esposa e Mano - um beagle  que a Alice chama para brincar até hoje "- Mamo, Mamo!". Ele teve problemas com o motor de arranque e sem vento, só no reboque. Deixamos ele na porta da Marina do Engenho e fomos gentilmente presenteados com uma garrafa de espumante (dos bons!) que ainda ia dar o que falar nessa viagem. O destaque foi a Brida, que levou o Malagô por mais de quatro milhas - e bem levado!









ILha da Cotia - Paraty/RJ - Carta 1633
Coordenadas do fundeio: 23º13.58'8S / 44°38.51'3W
Distância de Paraty (Pier 46): 9,5 Milhas Náuticas.
Cuidados na navegação: Existe uma pedra há cerca de dois metros de profundidade entre a Ilha do Catimbau e o continente. Eu já passei por ali de Rio 20, mas de Atoll 23 eu já não arriscava (mas já vi gente apssar com barcos grandes). Passava entre a Ilha Comprida e o Catimbau de Atoll numa boa, mas de Malagô já passo por fora. A passagem entre a Ilha dos Cocos e a Ilha do Algodão não deve ser feita por conta de pedras. O Malagô cala 1,80m.





Comentários

  1. Que bom saber que não sou só eu que faço uns fundeios horríveis por ai!
    Feliz 2013 e bons ventos a vocês do Malagô!

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    1. Walnei, eu já te disse para não se cobrar tanto e ir mais para oi mar velejar! Cagada a gente faz todo dia e são elas que nos ensinam! Vc é um exemplo. Bons ventos!

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  2. Grande Juca!!!! Meu querido, fico muito feliz em lhe ver feliz com a sua família e o barcão novo!!!

    O Malagô é a sua cara!

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    1. Matheus! Espero ter vc em breve a bordo do "Velho Mala"! Bons ventos!

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  3. Grande Juca, tenho ficado feliz com seus relatos. O barco novo, parece que foi feito para vcs. Em breve nos veremos no mar...abçs

    Roger

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    1. CAPITÃO Roger! (vc viu? seu nome está lá na lista de aprovados!) Logo logo nos vermos no mar, com ctz! Bons ventos, sempre!

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  4. Olá Juca,
    Como está linda sua filha. Precisamos realmente nos encontrar para juntar as nossas meninas para brincar. A Helô tem 3,5 e adora brincar na água e áreia, adora o barco.
    Você estará em Paraty no Carnaval?
    Mais uma vez parabens pelo lindo barco, vendo as fotos aqui no blog ele é de babar realmente. Não foi a toa que todos queriam visita-lo.
    Lindas experiências!!
    Bons Ventos,
    Paulo Ribeiro
    Bepaluhê

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