sábado, 26 de maio de 2012

Atoll 23 - Entrevista com o Cabinho

Boas!

A série de posts sobre o Atoll 23 termina com chave de ouro! Com inegável orgulho o blog publica, a seguir, uma entrevista que fiz com o próprio Roberto Mesquita Barros, o Cabinho no dia 25/05/2012. Gentil, solícito e sempre bem humorado, ele conversou rapidamente comigo sobre o querido Atollzinho:


(c) Yachtdesign - 2011


Blog Cusco Baldoso: Como surgiu a ideia de fazer o Atoll?

Roberto Mesquita Barros - Cabinho: O Atoll 22, depois transformado em Atoll 23 foi desenhado para permitir que as pessoas pudessem ter um barco oceânico a baixo custo.

Blog : O Atoll 22 foi o predecessor do Atoll 23 ou foram projetos distintos, tendo o primeiro sido abandonado pelo estaleiro?

Cabinho: O Atoll 23 é o Atoll 22 com um pouco mais de lançamento. Essa mudança foi feita mais em função de marketing. Os barcos, no mais, são idênticos.

Blog : O Rio 20 e o Atoll 23, em termos de projeto, foram concebidos em um mesmo momento?

Cabinho: O Rio 20 antecedeu o Atoll e foi desenhado depois do Tahity 16.

Blog : O estaleiro Multiglass era seu ou o Sr. foi convidado a projetar para eles?

Cabinho:O estaleiro que fundei chamava-se Atoll Iates. Quando vendi o estaleiro os novos donos trocaram o nome para Multiglass. Isso aconteceu em 1974.

Blog : O Atoll 23 é um barco incrivelmente marinheiro para seu tamanho. O fato de longas travessias, como a do Atoll 22 Aquarela (Christina Amaral) e do Atoll 23 Sdruvs (Luciano Zinn) terem sido feitas com êxito lhe causou espanto?

Cabinho: A viagem da Christina foi muito legal. Eu também velejei muito em mar aberto com o Atoll e sei que ele é bem marinheiro. Não sei que viagem fez o Sdruvs. Não soube da viagem ao uruguai.

Blog: Mesmo após trinta anos de seu lançamento o Atoll continua um barco muito ativo, com unidades em excelente estado e uso constante. Como o Sr. se sente sabendo disso?

Cabinho: É bom saber que as classes Atoll 23 e Rio 20 ainda tem adeptos. Às vezes eu até me espanto de encontrar um barco desses em bom estado. Esses bracos não têm trinta anos. Eles já são quarentões! Os Atoll 23 do meu tempo [até 1974] eram mais robustos do que os fabricados depois de a fábrica mudar de direção. Outro dia vi um vídeo no Youtube sobre o Atoll  23 que achei muito legal.

Blog: O escritório (B & G Yachtdesign) tem alguma intenção de desenvolver outro projeto de 23 pés ou os que estão no estoque são definitivos?

Cabinho: Recentemente lançamos um novo veleiro de cruzeiro oceânico que está fazendo bastante sucesso: o Pop 25. Em poucos meses desde seu lançamento já temos construtores em nove paises diferentes, quatro deles com blogs na internet.  

Blog: Sempre que pode a Revista Náutica alerta que apesar de ser um  um barco bom de mar,  o mastro do Atoll 23 não é firme porque fica apoiado em uma antepara. Eu não enxergo lá muito bem, mas não vejo meu mastro balançando (risos). O Sr. poderia fazer um breve comentário sobre isso?

Cabinho: Os primeiros Atoll tinham a ponte sob o pé do mastro com madeira dura internamente. Quando a fábrica mudou de dono passaram a usar massa no lugar, o que não ficou tão forte. Nesses barcos que apresentarem deformação no vão sob o pé do mastro é aconselhável fazer um arco sob a porta , mesmo perdendo um pouco de pé direito.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Atoll 23 - A reforma do veleiro Gaipava

Boas!

No ano de 2005 Fabio Fabbris comprou um atoll 23. Mal sabia ele que estava acabando de entrar no "hall da fama" dos Atoll 23! Após velejar por cerca de seis meses na represa de Guarapiranga, Fabio decidiu iniciar uma pequena reforma para preparar o veleiro para navegar no mar (como se fosse preciso!). Contratou um engenheiro naval e simplesmente construiu um novo barco, usando como base as formas do antigo. Não houve uma única estrutura que não tenha sido senão refeita (como o espelho de popa), severamente reforçada, mas mantendo as formas e as linhas originais do atoll.

O "extreme makeover - reconstrução total" durou um ano e meio, com trabalho pesado aos finais de semana e certamente custou, pelo menos, o valor de outro barco - e com motor 15 hp zero bala! 

O resultado foi uma obra primorosa: um atoll 23 ano 2007, ainda mais seguro do que o já seguro atollzinho.

Hoje o Gaipava pertence ao amigo Ricardo Stark - O Forte! - e é um dos veleiros que mais veleja (em sentido estrito) na querida baía de Paraty. Já o Fabio prepara seu novo brinquedinho: um MC 28, também do Cabinho!



Confira a ultra mega power blaster reforma do Gaipava AQUI!

E vamos que vamos!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Atoll 22 e Atoll 23

Boas!

Projeto de Roberto Mesquita Barros, o Cabinho, O Atoll foi lançado na década de 1970 sob o nome Atoll 22. Pouco após o lançamento, o estaleiro fluminense Multiglass efetuou algumas pequenas alterações e rebatizou o barco para Atoll 23, pois se bem medido o Atoll 22 tinha praticamente 23 pés (fenômeno  semelhante ao Spring 25, que tem 25 pés e uma fração que quase o torna 26). Os dois barcos são, em termos práticos, o mesmo e se não fosse pelo fato de o Atoll 22 ter vigia única, ao passo que o Atoll 23 tem duas vigias de cada bordo, seria impossível diferenciá-los - inclusive no desempenho. O Atoll foi produzido até meados da década de 1980, quando o plano cruzado deu início à quebradeira generalizada da indústria náutica brasileira - que apenas agora, trinta anos depois, esboça recuperação.



O Atoll 22 mais famoso é o Aquarela, da amiga Christina Amaral. Dentre outras aventuras mirabolantes o Aquarela já fez, ida e volta e sem motor, a travessia Angra/Abrolhos/Angra, cujo relato você pode ler aqui!

Mas fica a dica: vale a pena ler o blog todo, pois a dona moça é velejadora com "V" e todas as outras letras maiúsculas - e quando crescer eu quero ser como ela!

E vamos no pano mesmo!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Atoll 23 - Teste Revista Vela e Motor Novembro de 1983

Boas!

Dia desses encontrei na internet (o que não encontramos por aqui, não é?!) uma reprodução, digitalizada, de um teste do atoll 23 feito na edição de novembro de 1983 (eu tinha apenas quatro anos!) da Revista Vela e Motor.: Atoll 23: Veloz na Orça e Estável no Mar Picado. O teste foi feito em condições mais duras de mar (um sudoeste de 20 nós) em uma ensolarada baía da Guanabara, a todo pano (sem rizos e com a buja). Alguns pontos negativos do teste já não estão presentes, como o sistema de manejo de velas, pois depois de tantos anos quase todos os barcos foram substituídos, assim também como a falta de registros de segurança nas três saídas de água abaixo da linha d'água. Outros, como o controvertido sistema de fixação do mastro sob a antepara principal (sobre o qual faremos um post específico) já estavam por lá... Quanto à navegação, o teste comprovou que o barco é veloz na orça (é mesmo) e que enfrenta mar picado como gente grande!

E vamos que vamos, direto do túnel do tempo!

Clique nas imagens para ampliar e ver a reportagem integral:






sexta-feira, 18 de maio de 2012

A adriça da genoa e "otras cositas mas"...

Boas!

Nos próximos dias vou começar uma série de posts sobre o Atoll 23. A exemplo do que fiz com o Rio 20, espero que nosso espaço vire referência para dados técnicos desse outro projeto do Cabinho. Semanalmente recebo muitos e-mails de pessoas interessadas em velejar (em geral), no Rio 20 e no Atoll 23 e espero prestar um serviço à altura da gentileza dos leitores do blog (que para minha surpresa, são muitos!)

Hoje foi dia de mudanças no Cusco Baldoso. Troquei a adriça da genoa (uma novinha está vindo ai, não é  mesmo Sr Arnaldo Andrade?!). A antiga era original do barco, estava puindo e eu simplesmente não me sinto confortável com essa situação. Uma vergonha, como diria o poeta... Esse era o último cabo original do barco, já troquei todos os outros.

A nova adriça tem 20 metros (o suficiente para descer o distorcedor do enrolador inteiro e ainda sobrar), 8 mm e é de admiral dyneema sk 75 (spectra), com capa de poliéster (importante, pois há abrasão nas polias e nos stoppers).  Comprei na Náutica 30 Nós, capitaneada pelo amigo Sandro e que tem ótimos produtos e, mais importante do que isso, ótimos preços. A carga de ruptura é absurda: 3.900 kg/f! Ou seja, se ela arrebentar por esforço, o mundo acabou.  Aproveitei e subi no mastro novamente para ajeitar o ponto da adriça do assimétrico. Vou testar amanhã, mas creio que "agora deu" e não teremos mais  enroscos, ok Capitão Stark?!


O Cusco Baldoso adota as seguintes medidas e configurações de cabos:


1. Adriça da mestra: 16 metros, 8mm, pré-estirado, cordoaria São Leopoldo (verde).
2. Adriça da genoa: 20 metros, 8mm, admiral dyneema sk 75 (branco com detalhes em vermelho).
3. Adriça da gennaker: 16 metros, 6mm, admiral dyneema sk 75 (cinza sólido).
4. Amantilho/mestra: 12 metros, 2mm,  pré-estirado, Cordoaria São Leopoldo.
5. Burro: 03 metros, 6mm, admiral dyneema sk 75 (cinza sólido).
6. Escota vela mestra: 12 metros (a confirmar), 8mm, pré-estirado, Cordoaria São Leopoldo (azul);
7. Escotas da buja/genoa: 10 metros, 8mm, pré-estirado, Cordoaria São Leopoldo (vermelho/amarelo);
8. Escota da gennaker: 10 metros, 6mm, admiral dyneema sk 75 (cinza sólido).
9. Cabo do enrolador: 12 metros, 6mm,  admiral dyneema sk 75 (branco e vermelho).
10. Cabos do sistema de rizo automático (que também controla a tensão na testa da vela mestra): 6 metros (total) admiral dyneema sk 75 (cinza sólido).

Uma preocupação que sempre tive em meus barcos e que recomendo é usar cabos de cores diferentes o máximo possível. Quando se tem gente não habituada com a vela ou com o barco é muito mais fácil dizer: "-Por favor, me passe o cabo vermelho?", do que "-Por favor, me passe a escota de bombordo da genoa?. Nas aulas de vela esse sistema também tem ajudado muito.

E é isso ai, vamos que vamos!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Vamos no pano mesmo!

Boas!

Em algumas postagens aqui no blog e em grupos ou fóruns náuticos eu termino a mensagem com a frase "Vamos no pano mesmo!".  Há uma historinha por trás disso.

Em 30/10/2009 eu, a Priscila e a Brida (a Alice não era nem projeto) decidimos fazer um mini-cruzeiro de Santos até Bertioga no Brisa, nosso Daysailer. A epopéia está registrada aqui, mas apenas no essencial. Houve muito bastidores e a frase foi cunhada no auge deles!  

Eu achei que ir apenas na vela seria complicado, pois conhecia o canal de bertioga  e sabia que havia lugares apertados, com facilidade de encalhar e pouco vento. Além disso, havia a travessia de balsas, que em pleno feriado prolongado (finados) seria complicada de fazer caso não tivesse vento. Foi então que depois de muito procurar um motorizinho de popa baratinho, encontrei lá no centrão de São Vicente uma "lojinha"que vendia peças de museu em excelente estado. Tinha até garantia, mas com a ressalva de que "até avião quebra...". Pois é... pela bagatela de R$ 500,00 levei para casa um motor de popa Johnson 2 hp, que pagava na primeira (na primeira hora de puxadas!) e dava choque... 

Barco pronto, cheio de tralhas, lá fomos nós. Passamos a balsa no motor (que funcionou honestamente) e na altura do Iate Clube de Santos o desligamos. Seguimos pelo canal do porto no vento, na maior alegria. 

Na entrada do canal de bertioga existe uma ponte de linha férrea, elevadiça. Por conta da altura do mastro (a ponte tem apenas quatro metros de altura em relação à maré mais baixa),  é preciso esperar que o operador erga uma seção. Era meio dia em ponto e o tal operador saiu para almoçar. Fundeamos, baixamos as velas e esperamos. MAS, nisso, o operador nos viu ali, esperando, ficou com pena e voltou  pedalando sua "barra circular" para erguer a ponte... 

Foi ai que a dificuldade começou!

O valente Johnson 2 hp!

Liguei o motor e, "just in case", subi as velas de novo. Toquei a meio nó em direção à passagem. O referencial nessas horas é péssimo e sempre parece que vai bater... Eu então conferi coma Priscila se daria para passar, e ela bastante decidida respondeu: "- Não sei".

Quando chegamos bem pertinho da ponte, motorzinho roncando, o operador gritou algo parecido com: "- Volta!". A Priscila, então, me "sugeriu", com sua habitual calma: "- Volta, volta, volta!!!"... e a besta aqui voltou. Nisso, vi o operador sinalizando freneticamente para passarmos, pois a altura já era suficiente (e ele , na verdade, só queria saber que horas voltaríamos, para se programar... -"Que horas vc VOLTA?").

Eu, então, girei a proa cento e oitante graus, colocando o nariz no rumo da ponte. Motorzinho roncando. Porém, justo na entrada da passagem um saco de lixo prendeu no hélice, travando o motor! Maré contra, vento contra, espaço apertado, velas panejando e lá fui eu dar um puxão para ligar o valente 2 hp (rezando que ele funcionasse). Pois é... nisso, o cabo de partida veio soltinho na minha mão!!! - mas de primeira, ok?!

Era lutar ou morrer! Era a honra da família em jogo! Foi então que eu gritei: "- Vamos no pano mesmo!".

Nascia um bordão.

Passamos "no pano", bordejando embaixo da ponte e passando de raspão pelos pilares de concreto (a Brida, com sua imaginação sempre vívida, imaginava que usaríamos um pano ou uma toalha para passarmos, vejam só!). Na verdade,  fizemos toda a travessia, ida e volta, no pano mesmo - pois o motor ensaiou funcionar novamente nas Marinas Nacionais, mas foi só um ensaio.

Desde então, quando lá por casa passamos por alguma dificuldade, não raro nos pegamos dizendo uns para os outros: "Vamos no pano mesmo!"

Ah! E que fim levou o motor?!

Pois é. 

Eu  acabei doando o motorzinho para um dos ajudantes da Náutica Sangava, o Messias, para que ele fizesse bom uso.

E tempos depois  lá fui eu procurar outro motorzinho, pequeno, baratinho... até que encontrei o mesmo Johnson 2 HP no centrão de São Vicente, numa "lojinha" que vendia peças de museu em perfeito estado, com garantia, mas limitada aos termos: "- Até avião quebra".

Comprei um Sailor 3,6 HP na Velamar. Mas esse já é outro causo!

E vamos no pano mesmo!



domingo, 6 de maio de 2012

Ilha do Cedro - Paraty


Boas!

Há poucos minutos o casal Fernando e Marta, do veleio Planeta Água, enviou o seguinte e-mail para o grupo da ABVC:

"Estamos agora na Ilha do Cedro e uma operação realizada aqui fechou os bares e restaurantes da Dita e do Nelson, que foram ou teriam sido construídos em área de preservação ambiental de Paraty. A operação recebeu o nome ‘União Para Todos', devido ao fato de ter sido realizada em parceria entre o Instituto Chico Mendes, Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), INEA (Instituto Estadual do Ambiente), e pelas polícias Federal e Florestal. A Dita e o Nelson receberam multas de 20.000,00 cada, além de terem sido abordados de forma grosseira por pessoal fortemente armado. Pessoal tá tudo errado neste Brasil ou sou eu que não entendo nada ???????
Fernando & Marta
Veleiro Planeta Água"

Enquanto a casa do Luciano Huck é descaradamente "aprovada" em Angra, pessoas comuns que não têm amigos poderosos como o Governador Cabral enfrentam a pirotecnia do tucano com a estrela vermelha no peito (ou da estrela vermelha com nariz de tucano).

Há algo de errado nessa política ambiental. Mas nesse governo ninguém vai mudar isso ou discutir o assunto de forma desapaixonada... e esse governo vai durar décadas.

Eu não gosto de colocar minhas opiniões políticas aqui no blog. Mas tem horas que simplesmente não dá!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Regulagens de velas - algumas dicas!

Boas!

Há tempos tenho um texto sobre regulagens de velas que encontrei na internet e, grande falha minha, não lembro onde. Mas, por ser interessante e trazer dicas que uso na prática, publico no blog. Se o autor aparecer por aqui, por favor, me avise para que eu possa atribuir os créditos de forma correta!!!

Bons ventos!


REGULAGENS E MANUTENÇÃO 

GENOAS

A própria vela nos mostra se está bem regulada; devemos aprender a observá-la e interpretá-la de acordo com a ocasião.

1. Se aparece uma ruga paralela a testa é sinal de que a adriça está caçada demais para aquela intensidade de vento.

2. Se aparecem várias rugas transversais à testa é sinal de que a  adriça está folgada demais para aquela intensidade de vento.

3. Se aparece uma ruga do punho de escota em direção ao estai de proa é sinal de que o estai de proa está muito esticado (estai de popa ou brandais volantes muito caçados).

4. As birutas da testa devem estar todas voando paralelas, sinal de que a vela está bem regulada, esta é a regra básica, dependendo do tipo de barco, podemos velejar ou com a de barlavento ou a de sotavento, levemente levantada, mas atenção: é uma regulagem muito fina!

5. Biruta de barlavento está para baixo, sinal de que a vela está muito solta, devemos caçar um pouco mais a escota.

6. Biruta de barlavento está para cima; sinal de que a vela está muito solta, devemos caçar a vela um pouco mais.

7. Posição média do carro passa escota, deve ser onde o prolongamento da escota na vela acompanhe a “bissetriz” da valuma com a esteira; se o mar for de ondas devemos levar o carro mais avante a fim de transformarmos a vela mais potente; se o mar estiver mais liso, devemos deslocar o carro mais a ré, a fim de achatarmos mais à vela e orçar um pouco mais.

8. Potência X aponte, quando velejando em contra vento, com vento forte e ondas, é melhor soltarmos um pouco a testa (adriça e estai de popa ou brandal volante), e avançarmos mais o um pouco carro passa escota, para tornar a vela mais potente, e com vento forte sem ondas, o contrário para achatar de todo a Genoa e ganharmos um pouco mais de aponte.

9. Guarda da vela, a melhor maneira uma guarda a vela é enrolando-a sobre um cano do PVC, mas na maioria dos barcos isto é impossível, então recomendamos dobrar, utilizando dobras largas e sempre as mudando de lugar para não quebrarmos a resina ou o filme do tecido.

10. Tempo da vela na no estai, nos barcos de cruzeiro as velas costumam ficar muitos dias ou meses no enrolador, isto não é bom, pois a capa protege contra os raios Ultra Violeta, mas não protege do efeito calor durante o dia X frio durante a noite, a umidade gerada também ataca as fibras do tecido e as linhas de costura, então se vai ficar mais de 15 dias sem ir ao barco tire a vela do enrolador.

11. Pontos de atrito, em sua maioria, os barcos não têm protetores nas pontas cruzetas, junção do cabo de guarda mancebo com o púlpito de proa, baby stai; estes são alguns pontos onde mais freqüentemente as velas se danificam, estes lugares devem ter algum tipo de proteção, ex. espuma com fita adesiva, a fim de diminuir o atrito com a vela, e também na Genoa devemos colocar algum tecido de sacrifício, nas Velas de regatas estas proteções são vitais, pois os tecidos são muito frágeis a abrasão.





REGULAGENS E MANUTENÇÃO 

VELA GRANDE


A própria vela nos mostra se está bem regulada; devemos aprender a observá-la e interpretá-la de acordo com a ocasião.

1. Se aparece uma ruga paralela a testa, é sinal de que a adriça está caçada demais para aquela intensidade de vento.

2. Se aparecem várias rugas transversais a testa, é sinal de que adriça está folgada demais para aquela intensidade de vento.

3. Se aparece uma ruga do punho de escota em direção ao mastro, é sinal de que o mastro está com muita curvatura (estai de popa ou brandais volantes muito caçados).

4. As birutas das talas devem estar todas voando, sinal de que o canal de vento (formado pela Genoa e a Grande) está perfeito.

5. Biruta da tala superior está virada para barlavento, sinal de que a valuma da grande está muito para sotavento, devemos trazer a vela um pouco mais para barlavento.

6. Biruta da tala superior está virada para sota vento, sinal de que a valuma do grande está muito para barlavento, devemos trazer a vela um pouco mais para sotavento.

7. Potência X aponte, quando velejando em contra vento, com vento forte e ondas, é melhor soltarmos um pouco de esteira para tornar a vela mais potente, e com vento forte sem ondas, a esteira deve ser toda caçada para achatar de todo a Vela Grande e ganharmos um pouco mais de aponte.

8. Guarda da vela, a melhor maneira uma guarda a vela é enrolando-a sobre um cano do PVC, mas na maioria dos barcos isto é impossível, então recomendamos dobrar, utilizando dobras largas e sempre as mudando de lugar para não quebrarmos a resina ou o filme do tecido.

9. Tempo da vela na retranca, nos barcos de cruzeiro as velas costumam ficar muitos dias ou meses sobre a retranca, isto não é bom, pois a capa protege contra os raios Ultra Violeta, mas não protege do efeito calor durante o dia X frio durante a noite, a umidade gerada também ataca as fibras do tecido e as linhas de costura, então se vai ficar mais de 15 dias sem ir ao barco tire a vela da retranca.

10. Bolsas de Talas, na maioria das velas de Dacron, as bolsas de talas têm elásticos nas pontas, e a maioria destas velas é deixada na retranca com as talas dentro, com o tempo o elástico perde a elasticidade e a tala fica solta dentro da bolsa, você continua usando a vela, de vez em quando dá um panejada e mais dia menos dias a tala solta acaba rasgando a vela. O recomendado é primeiro tirar as talas, mas como isto nunca é feito devemos levar a vela a cada ano até uma veleria para a troca de elásticos, é como trocar o óleo do motor, a cada tantas horas você faz a troca.

11. Forra de rizo, ao rizarmos, é importante a colocação de um cabo de segurança passando pelo olhal da vela e a retranca, pois se alguma o cabo soltar ou estourar, a vela vai rasgar nos ilhoses, pois os ilhoses do meio da vela não foram colocados para segurar o esforço do rizo e sim ajudar a abafar a vela rizada.

Velejando no Nordeste...

Boas! Por conta do lançamento do livro A Travessia Azul, fiz palestras em algumas cidades para contar para as pessoas mais sobre o que ...