Obrigado 2017

Boas!

Essa será minha última postagem de 2017.

Dia 29 de dezembro embarco no Soneca, junto com meus amigos Spinelli e Alan, com destino à Africa do Sul. A data exata da partida ainda é incerta. O tempo do mar não é mesmo que o de terra. Mas assim que tudo estiver pronto, incluindo a gente, soltaremos da poita e literalmente seguiremos rumo ao horizonte.

O mais difícil dessa viagem é deixar as amarras de terra. Dia após dia construímos um muro ao nosso redor que nos impede de mudar, de ir além, de sair do ordinário e do comum. O mais incrível é que com o passar do tempo não apenas achamos isso normal, como fazemos de tudo para defender a rotina, mantê-la em nossa vida, sã e salva, firme e forte.

Se eu fosse parar para pensar talvez essa não seria a melhor época para eu ir. Há muito o que fazer no escritório; há alunos de vela querendo aulas em janeiro e fevereiro; há uma pilha de contas; há aquelas que mais amo se mudando para tão longe de mim. E se eu continuar procurando nesse baú, encontrarei mais uma infinidade de motivos para não ir. Todos relevantes, socialmente justificáveis e até mesmo nobres. É um fato que as armadilhas que criamos para nos prender ao dia a dia são infinitas e suscetíveis de infinito desenvolvimento. Um jeito complicado de dizer que sempre arrumamos uma desculpa para não realizarmos nossos sonhos.

Há dezoito anos, exatamente, eu estava viajando para Cuiabá para encontrar meu pai moribundo. No voo lia um livro de um navegador que, em cem dias, remou da costa Africana até a baia da espera. Aquela viagem a remo (à época eu era canoísta) me marcou muito e povoou meu imaginário durante muito tempo. Hoje sou eu quem, ainda que pela rota inversa (e mais difícil) fará esse caminho. 

É uma travessia relativamente simples e até certo ponto, óbvia.  Os navegadores portugueses e espanhóis a fizeram centenas de vezes com muitos menos recursos. A maior dificuldade está dentro da cabeça: manter-se são ao passar um mês isolado da rotina. Espaço confinado. Convivência.

Por que fazer essa viagem?

Porque é meu sonho. Apenas por isso. Não ganharei nenhum prêmio, não ficarei famoso, não me tornarei menos comum por isso. Vou pelo simples pelo fato de estar realizando um sonho - e diante de tantas amarras que temos na vida, fazer isso já é uma conquista.

Esse ano não foi fácil. Muita coisa mudou. Muita coisa se perdeu. Outras tantas novas surgiram. Às vezes é preciso mudar tudo, para que tudo continue fazendo sentido.

Obrigado 2017.

Eu vou até ali, e já volto.


Para quem quiser acompanhar nossa travessia segue o link do nosso Spot (a partir de 29/12/2017): 

http://share.findmespot.com/shared/faces/viewspots.jsp?glId=0uTjrkv3BEmZTs52R0qATpMEzdhc1ORd7


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