O dia que eu quase matei o Walnei e outras histórias do mar.

Boas!

O Walnei Antunes, do Veleiro Vivre, é amigo e parceiro já há bastante tempo. Como eu sempre digo, eu sei quase nada, mas estou sempre perto de pessoas que sabem muito. Por isso, aproveitei seus dotes de eletricista e o contratei para refazer o sistema elétrico do Malagô.

O Walnei, velejando com a gente no Malagô em Ubatuba, em março de 2013.
Antes de terminar essa história é preciso um pequeno parênteses. Já aqui em Santos eu resolvi dar uma olhada no sistema elétrico do Malagô. A situação estava meio feia e ao invés de fechar tudo e fingir que não vi nada, adotei mais uma vez a "solução Juca Andrade": arrancar tudo, tudo mesmo, e refazer do zero. Nisso peguei um alicate e depois de algum par de horas sai de dentro do barco com quase duzentos metros de fios, direto para o lixo. Agora o Walnei terá de refazer tudinho, pois não tenho como acender sequer uma lâmpada.

Mas, voltando ao "causo" deste post... eu peguei o Walnei na Rodoviária de Santos às 14h00 da sexta-feira (ele veio de Caçapava) e de lá fomos direto para a sede náutica do clube. Chovia aos cântaros, por isso ficamos fazendo hora na lanchonete da Dona Lúcia. O tempo foi passando e foi preciso instalá-lo de uma vez no "Velho Mala", pois lá pelas 17h30 o motorista da família (eu, no caso) teria que sair buscando todo mundo por ai. Deixei o Walnei no Malagô (munido apenas da Helmman´s Light) e fui.

Na catraia do clube o Sr. Augusto, gerente da marina, puxou papo e perguntou do Malagô. Eu respondi que a coisa ia indo, que agora está mais devagar, mas que um amigo meu estava ai e ia começar a refazer a parte elétrica e ... Não teve tempo para "e". O Sr. Augusto me fuzilou com os olhos e disparou (com perdão para o trocadilho) "- O seu amigo vai dormir ai? Você avisou na portaria?!". "- Não!" - respondi, já entendendo onde ele queria chegar.

Nisso eu só vi o Sr. Augusto sacando o celular (o trocadilho, de novo) para tentar evitar o pior. "- Juca, os seguranças verão ele lá,  pensarão que invadiu o barco e ...". Pois é, nem precisava terminar.  Nisso, porém, a ligação nunca completava e eu só me imaginava tendo que pagar as faculdades dos filhos do Walnei - e são QUATRO! Nããããããããããooooooo!!!

Ainda naquela noite acabei voltando na marina para levar um lanche para o Walnei e um saco de dormir. Estava 15º C. Mas dentro do Malagô é sempre quentinho no inverno e fresco no verão (vantagens de um barco de madeira - alguma deveria mesmo haver!). Ele estava bem, com a cara amassada apenas pelo sono precoce e a portaria já havia sido avisada. A ignorância é uma das mães da felicidade!

No dia seguinte eu dei aula de vela no Grandpa para o Eduardo e o Carlos Eduardo. O Alan tocou outra turma, no Meltemi, tendo a bordo o Paulo, o Marcos, o Flávio e a Camila. A lestada comia solta, na casa dos vinte nós e a aula rendeu: foi uma senhora velejada! 

Já o Tio Spinelli, a bordo do Soneca, levava nossos alunos Mauro, Elder, Rogério e Roney para uma velejada sensacional de Ubatuba até o Saco do Sombrio, em Ilhabela. Houve momentos de o Soneca voar a 9 nós, apenas no pano, tendo andado sempre acima de 7 nós (nada mau para um 33 pés nada regateiro)! As ondas - o mar estava ressacado - estavam na casa dos 2,5, com uma malvada com o dobre disso de quando em vez. Desde fevereiro temos conseguido manter a meta de uma travessia de instrução por mês e isso só foi possível graças a parceria que fizemos com o Spinelli, a quem eu só tenho que agradecer por levar e trazer nossos alunos sempre em segurança e com excelentes memórias.

O SPOT da travessia.

O Mauro, pensando como seria o jantar naquela ressaca toda.

Amanhecer no Saco do Sombrio. Coisas que só quem vai ao mar vê.
O Walnei fez todo o projeto elétrico durante o sábado, cheio de detalhes e com muito carinho e cuidado. Voltou para Caçapava no ônibus das 18h30. Eu senti apenas não poder ter dado mais atenção ao meu amigo. Ele me contou que gosta apenas de cação e eu achei que precisava fazer alguma coisa, pois cação não é peixe! Para que comer o coitado do tubarãozinho, quando Deus nos fez o robalo?! Mas não foi dessa vez...

O domingo foi especial. Pela manhã fui surpreendido pela minha filha mais velha, que resolveu assistir um filme comigo abraçadinha. A gente sempre fazia isso quando ela era menor, mas agora, que eu "não sei de mais nada", isso é raro. Ela gosta mais de filmes e de livros do que de barcos. E eu a amo  mais que qualquer coisa. Ficou bom assim. Depois almoçamos em família no Estrela de Ouro, quando encontramos casualmente o Cassio e a Chris, do veleiro Serelepe. Como eu gosto desses dois! Para terminar depois do almoço levei a Alice comigo para o Malagô, para terminar de desmontar o interior: o marceneiro deve começar essa semana, se o Eduardo Coton, do Pelayo, deixar (brincadeirinha!). A pequena adora o barco e eu tenho certeza de que se no futruro ela não seguir na vela, ao menos sempre terá uma lambrança boa de mim  e da infância dela quando vir por ai um barquinho com um pano branco, levado pelo vento.

Dona Pescoçuda, Dona Alice e um saco de jujubas a bordo do Malagô.

Vaidoso do jeito que é...

... tenho certeza que o Malagô está sofrendo...

... nesse processo de desconstrução...

... mas é para o bem dele!

Os novos esticadores chegaram na quinta-feira. Ai meu saldo!
E vamos no pano mesmo!

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