Meus vinte minutos na Semana de Vela de Ilhabela!

Boas!

Emocionante em todos os sentidos, ainda que por um breve período. É isso o que em resumo eu tenho a dizer sobre a largada das regatas Alcatrazes por Boreste e Toque Toque na abertura da 42ª Semana de Vela de Ilhabela.

Eu fui proeiro no veleiro Superbakanna, um RC 33 do nosso parceiro na escola de vela Alexandre Dangas e posso dizer que valeu cada minuto. Participaram da largada 143 barcos e ver isso tudo de velas ao vento em um mesmo momento é algo difícil de traduzir em palavras.



Nossa largada não foi boa, mas foi linda: o Atrevida vinha atrás da gente, com todo o pano que as condições permitiam e era algo de fazer simplesmente cair o queixo de tão lindo. Na largada o mar estava baixo e o vento na casa dos 20 nós, com algumas rajadas de 24. O Camiranga, nosso conhecido lá da Refeno, voava baixo para quebrar o recorde de Alcatrazes.

(c) Fred Hoffmann
O vento estava bastante forte e o céu púmbleo. O Superbakanna adernava loucamente e andava bem. Próximo ao porto de São Sebastião, porém, o vento começou a aumentar, subindo para a casa dos 30 nós com alagumas rajadas bem maldosas de até 35. Foi então que nosso capitão deu a ordem de rizarmos a vela mestra... o rizo, porém, não funcionou.  A testa da vela desceu bem, mas a valuma ficou mal posicionada e o shape da vela foi para o espaço. Começamos a velejar só de genoa, com a vela mestra "morta" pelo traveller. Perdemos várias posições. Tentamos o segundo rizo e a coisa piorou: a parte de baixo formou uma barriga e logo perdemos o controle do barco. A regata, para nós, acabava ali, vinte minutos depois de começar. Enrolamos a genoa, abaixamos o resto da vela e ligamos o motor.

Há tempos, contudo, eu não sentia tanta emoção velejando. A uma porque aquela largada com tantos barcos é algo simplesmente lindo de se ver (e as quase colisões dão arrepios na espinha). A duas pois o vento uivou bonito e ver o barco andando daquele jeito foi sensacional. O vento e o mar não estavam impraticáveis, mas cada peça deveria estar em seu devido lugar, incluindo a tripulação, que não poderia errar. Além disso o risco de quebra era evidente e era mesmo o caso de avaliar até que ponto valia a pena arriscar. Fosse com o Malagô eu não teria saído, pois só eu sei como é complicado consertar um fuzil dele quebrado. Fosse com o Grandpa eu teria ido apenas de genoa. 





Enfrentar o mau tempo quando não se tem escolha é uma coisa; entrar nele por opção, outra: é preciso estar já como o Caulimaran - um barco pronto e testado. O Superbakanna é um barco novo, estava com velas novas e ainda precisa de alguns ajustes. Para o vento até 8 nós ele está imbatível (no último Ubatuba Sailing Festival ele foi o fita azul da regata de percurso, chegando mais de meia hora na frente do segundo colocado). Para ventos fortes o Alexandre ainda irá trabalhar nas regulagens.

Essa questão do rizo que não funciona adequadamente  tem sido bastante comum em barcos que tenho velejado. Por isso teste sempre seu sistema de rizo em situações controladas e não pense que você não irá precisar dele. Rizar faz parte de velejar! Outra coisa que tenho observado é que essa dificuldade é maior em barcos novos, algo que contraria em parte nosso senso comum, pois tendemos a pensar que em coisas novas tudo funciona a contento. Nem sempre é assim. Por isso conheça seu barco e o deixe sempre preparado para condições mais difíceis de navegação. Um barco mais antigo já passou por esses enroscos e se teve um dono "do ramo", foi devidamente ajustado.

De volta ao clube começamos a colecionar os relatos de avarias feitos pelos outros barcos e a contabilizar as desistências, que foiram em número recorde. Eu ia voltar para casa naquele mesmo dia, mas a balsa parou de funcionar e eu fiquei literalmente ilhado. Como estava de ônibus só consegui voltar no dia seguinte, por São Paulo. Em Ilhabela eu sempre passo algum perrengue, não tem jeito. Para mim a semana de vela terminou ali, mas o Superbakanna e sua tripulação continuarão por lá.



E vamos no pano mesmo!

Comentários

  1. Juca, o Tio Spinelli fez algumas alterações na forma de rizar a mestra do Gaipava e posso afirmar que ficou muuuito mais fácil. Usou os slides (torpedinhos) por dentro da retranca, e os cabinhos prá rizar. Fica a dica. Fala com ele!!

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    1. Valeu, Ricardo! O Spinelli é o cara! Vou falar para o Alexandre falar com ele, pois afinal, o Super não é meu, rs. Bons ventos! Achei que fosse te ver lá na Ilha!!!

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    2. Só fui com o Cesar e o Hermes levar o Hakuna até IB.
      Recomendações médicas.... : sem esforços.
      abç.

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  2. Juca, mais um blog que eu leio sobre como o ATREVIDA é lindo!
    Esse barco deve ser realmente maravilhoso!

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