Meteorologia para navegantes - parte dois

O domínio da interpretação das cartas sinóticas , ou cartas de ventos, demanda tempo e paciência.
O primeiro passo é dominar a simbologia básica, trazida nessas duas tabelas:




A carta sinótica é uma fotografia de um instante. Analisada isoladamente, nos dá apenas um retrato imediato do clima, o que pode não ser suficiente, pois o clima deve ser administrado conforme sua dinâmica. Traduzindo: não adianta eu saber, por exemplo, que há um frente fria no Uruguai, se eu não tiver dados que me indiquem se ela chegará ao local em que me encontro. 

Por isso, antes de uma travessia nós analisamos as cartas com certa antecedência, para entender a dinâmica que o clima está desenvolvendo. Há momentos em que queremos frentes frias, pois precisamos subir a costa; há momentos em que elas nos atrapalhariam. Algumas vezes trabalhamos no intervalo entre frentes, as chamadas janelas de tempo e entender o ciclo das frentes é de fundamental importância para uma navegação segura.

Voltando à simbologia, que é o assunto desse tópico, a carta nos traz uma série de informações. Partindo do exame de carta de 31/01/2015:



As linhas espalhadas pela área de representação são as isóbaras, ou seja, as linhas que indicam onde a pressão do ar é uniforme. Nas pontas de cada uma dessas linhas temos, por isso, a indicação da pressão barométrica.  Por exemplo, sob as áreas Charlie e Bravo há uma zona, circular, em que a pressão está fixa nos 1024 Mb. Um pouco acima, no final da área Charlie e início da área Delta, há a ponta de uma enorme frente fria, que termina em uma formação cilcônica no atlântico sul onde a pressão está na casa dos 962 Mb. Quanto mais baixa a pressão, mais severo é o clima.

Ainda analisando essa carta, sob cada área há uma seta com um bolinha. A direção da seta em relação ao norte indica a direção de onde o vento vem. Se bolinha estiver com o interior sem estar pintado, a visilbilidade é boa. Se estiver metade pintado, a visibilidade é moderada. Se estiver totalmente pintada, como o caso da carta ora em estudo, a visibilidade é bastante baixa. Na área Charlie os ventos vêm de quadrante norte e têm intesidade abaixo dos dois nós (veja simbologia de intensidade de ventos na primeira figura deste post).


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