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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2015

O que não cabe em um veleiro?

Boas!

Em qualquer atividade humana nós nos deparamos, no dia a dia, com diversos tipos de pessoas. Na vela não é diferente. Talvez por uma questão que esteja no inconsciente coletivo e no imaginário popular, um veleiro com sua aparente calma e tranquilidade atrai pessoas que tendem a ter uma certa leveza na alma, ou se não a tem ainda, anseiam por ela.
Porém, de quando em vez, aparece um ou outro aluno - ou candidato a aluno - que traz uma bagagem mais pesada: querem rigidez na programação, pré-definição de tudo o que vai acontecer durante a aula, simulações audiovisuais com imagens de satélite (é sério!). Mais de uma vez um ou outro se identifica como "executivo" de uma grande marca e aponta com o dedo em riste o que chama de amadorismo, falta de profissionalismo, etc. Na sequência se dispõe a investir no negócio e se mostra um gentil salvador samaritano. Não estou sendo específico. Hoje recebi um e-mail assim, é verdade, mas não foi o primeiro e não será o último.
Ocorre q…

Novos rumos...

Boas!

Quem acompanha nosso trabalho na escola de vela deve ter percebido que nosso volume de trabalho cresceu um bocadinho, a ponto de eu sozinho não conseguir dar conta de toda a demanda. Por conta disso meditei bastante e cheguei até mesmo a pensar em abandonar o direito e seguir nessa inteiramente. Contudo, bem feitas as contas, ainda não é o momento. A pastinha "contas a pagar" ainda não permite.
Ficou, então, a questão no ar: O que fazer? 
Aproveitando algumas conversas prévias a solução foi ampliar o número de barcos e o número de instrutores, o que na prática acabou fazendo de nossa escola de vela uma das maiores do país - se não a maior.
A partir de março de 2015 a coisa estará assim dividida:
As aulas do curso básico serão ministradas apenas em Guarujá e em São Paulo, na represa Guarapiranga. Para isso usaremos três barcos: o Grandpa (Fast 230), o Meltemi (Farr 32) e o Mais Bakanna (Fast 230). Os instrutores serão, respectivamente, Juca Andrade (Grandpa),  Alan Trim…

De Ubatuba a Santos no Malagô.

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Boas!

Há tempos eu precisava trazer o Malagô para Santos para fazer o fundo. Mas ia sempre adiando. Contudo chega uma hora em que não é possível mais adiar e essa hora foi durante esse carnaval. Cheguei em Ubatuba no sábado, com as meninas todas e a sogra. Demos uma geral durante o sábado e o domingo e na segunda, ao meio dia, saímos em direção à praia da Fortaleza, onde passaríamos a tarde.  Um pouco antes de chegarmos, porém, a Priscila olhou para mim e eu entendi: desviei a proa alguns graus e seguimos até Ilhabela. As meninas estavam preocupadas com o fato de eu fazer a travessia de quase cem milhas em solitário e fazer aquela perna comigo seria tranquilizador para elas. O mar estava baixo e não havia vento. Seguimos apenas no motor. 
Na altura de Caraguá a chuva veio com força e molhou até nossos ossos. Mas foi divertido. Antes do sol se por ancorei (no ferro mesmo) ao lado do Iate Clube de Ilhabela e ali passamos a noite, ao lado de outro veleiro de madeira, o Horizonte. Na manh…

Meteorologia para navegantes - parte três.

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Continuando nosso assunto, vejamos a carta sinótica de 11/02/2015:



Da análise da imagem (clique para ampliar) podemos tirar algumas lições.
Na área Charlie (que vai de Santa Catarina até o final do Rio de Janeiro) a pressão está na casa dos 1016 e está assim ao longo de uma grande área. Sabemos disso pois não há isóbaras por perto, o que demonstra que a pressão sob a área está uniforme. 
Imagine um embolo de seringa. Tampe com o dedo a entrada e puxe o embolo.Você sentirá o vácuo sendo criado e sugando a carne de seu dedo. Ao soltar, porém, o ar em volta - pressão mais alta - imediatamente preenche esse vácuo. Com a atmosfera é a mesma coisa: zonas de baixa pressão tendem a serem preenchidas pelo ar que está nas zonas de alta pressão. Haverá vento sempre em que houver diferença de pressão entre uma área e outra. .
O que irá determinar o quão suave ou violenta será essa transição é a diferença de pressão entre as camadas da atmosfera e sua proximidade. Hoje, pela carta, vemos que na ár…

Meteorologia para navegantes - parte dois

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O domínio da interpretação das cartas sinóticas , ou cartas de ventos, demanda tempo e paciência.
O primeiro passo é dominar a simbologia básica, trazida nessas duas tabelas:




A carta sinótica é uma fotografia de um instante. Analisada isoladamente, nos dá apenas um retrato imediato do clima, o que pode não ser suficiente, pois o clima deve ser administrado conforme sua dinâmica. Traduzindo: não adianta eu saber, por exemplo, que há um frente fria no Uruguai, se eu não tiver dados que me indiquem se ela chegará ao local em que me encontro. 
Por isso, antes de uma travessia nós analisamos as cartas com certa antecedência, para entender a dinâmica que o clima está desenvolvendo. Há momentos em que queremos frentes frias, pois precisamos subir a costa; há momentos em que elas nos atrapalhariam. Algumas vezes trabalhamos no intervalo entre frentes, as chamadas janelas de tempo e entender o ciclo das frentes é de fundamental importância para uma navegação segura.
Voltando à simbologia, que …