sexta-feira, 26 de abril de 2013

A história dos Classe Brasil

Boas!

Desde o tempo da canoagem oceânica eu sonhava em ter um veleiro. Desde aquele tempo o "meu" veleiro dos sonhos era um Classe Brasil. No CING um deles, o Flegon, ficou a me provocar no início dos anos dois mil. Eu nem imaginava quem era Sparkman, muito menos Stephens. Mal sabia eu a rica história que estava por trás daquelas belas linhas de madeira.

Em 2011, quando cheguei em Paraty para assumir o Cusco Baldoso (Atoll 23), lá estava mais um Classe Brasil a me provocar. Porém eu achava que era algo tão fora do meu alcance, que nem inveja do Cesar Pastor dava para ter. Em pouco tempo nossas famílias acabaram ficando amigas e lá fui eu passear no "Velho Mala". 

Claro que muita gente torceu o nariz para minha escolha. O argumento é sempre o mesmo: "barco de madeira...". De fato, um barco de madeira tem um grande "defeito", praticamente intransponível por muitos donos de barcos de fibra: eles não aceitam o abandono. Não dá, mesmo, para ficar seis meses sem ir ao barco ou deixar o fundo todo infestado de cracas e gusanos. Barcos de madeira sempre precisam de um dono. São menos lenientes com proprietários relaxados.



Mas para quem cuidar de um barco é um prazer tão grande quanto usá-lo, só tenho a dizer que ser de madeira para mim é apenas uma grande vantagem: é mais fresquinho no calor, mais quentinho no inverno. Além disso, barcos de madeira têm alma.

Hoje pela manhã recebi um e-mail do Ricardo Amatucci, grande jornalista, velejador e editor do jornal (impresso e virtual) Almanáutica. No último mês Amatucci se debruçou sobre a história da mítica classe Brasil. O trabalho não foi fácil, mas valeu a pena. Após muitas pesquisas e entrevistas, Ricardo conseguiu montar um complexo quebra cabeças de informações truncadas e contraditórias. O resultado foi o resgate, definitivo, da história desses valentes pioneiros.

Quer viajar no tempo?

Então acesse a matéria agora mesmo!


E vamos no pano mesmo!

domingo, 21 de abril de 2013

Kits para construção amadora - POP 25!


Boas!

Dando uma conferida agora há pouco no blog do Roger, cujo Tiki Rio está quase pronto, encontrei esse site:  http://construindoseuveleiro.com.br

Foi uma grata surpresa. Em linhas gerais um dos construtores do POP 25 - projeto do Cabinho - montou em empresa que vende as anteparas já prontas para a construção amadora. O serviço parece ser de primeira, com o corte do compensado a laser. Para quem se aventurar  isso representa uma economia de tempo absurdamente grande (e na vida, o tempo é o item mais caro. Aliás, caríssimo!). Além disso, confere ao projeto uma chance de exito enorme, pois as anteparas são o esqueleto do futuro barco.


Achei a iniciativa bem legal e se a moda pegasse, poderia haver mais barcos indo para a água - ainda que o problema principal da náutica talvez seja a guardaria, como já dissemos antes. Achei bacana o jeito de pensar do empreendedor: o esporte vela é caro, mas a vela de cruzeiro não precisa ser. E não mesmo. Não se populariza a vela colocando crianças carentes para velejar (e depois, quando muda o governo, tira-se os barcos delas). A solução está em convencer as pessoas de médio poder aquisitivo que ao invés de um segundo carro, é mais negócio ter um barco! E como disse o Guilherme Dilascio no facebook dia desses, "um dia o carro ainda será considerado tão prejudicial à saúde quanto o cigarro".

O que deve ser difícil nessa ideia é agradar os preciosismos que todo construtor tem: cedro rosa ou guaipuruvu vermelho da casaca roxa do Pará cortado em noite de lua cheia por um índio de 32 anos e virgem? Resina epóxy do fabricante A, B, C ou D? Compensado de virola? Aliás, essa é a típica empreita que deveria usar espuma. 99% da chateação (para vendedor e construtor) sumiriam.

Eu mesmo achei que usar cedrinho nas anteparas uma coisa temerária que mascara um problema de mercado: reduzir custos... cedrinho é uma porcaria. Porém o empreendedor dá a opção de outras madeiras - ufa!

Quanto ao POP 25 sou muito curioso para ver como será navegando. A rapidez na construção, uma das premissas do projeto, já tem se mostrado uma realidade. Não se vê obras empacadas nem abandonadas.

Mas apesar de eu ser fã do Cabinho, aquelas quilhas para navegação costeira não me convencem. E eu acho estranho que ele as tenha engolido.




Qualquer um que já foi a mais de duas milhas da costa sabe como é desviar a toda instante de redes de pesca. Se uma delas pega em uma, em mar grosso, sei não... acredito que ele fez uma concessão (o projeto não é dele mesmo, mas do Luis e da Astrid) na segurança em prol da simplicidade de construção e custo. Claro que vai ter todo um discurso para justificá-las e convencer de que não há perigo. Mas há sim - daí a importância de já ter se estado "lá" na hora de avaliar um projeto (mas isso é outro assunto).

E vamos no pano mesmo!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

E por falar em saudades, onde anda você...

Boas!

O barco que deu início à saga cuscobaldoseana foi um Rio 20, ano 1984, projeto do Cabinho (Roberto Barros). O nome, Cusco Baldoso, tem origem no apelido que a Priscila me deu logo que nos conhecemos - no tempo que ela ainda era gaúcha com sotaque de gaúcha! Cusco nada mais é senão um cachorro sem raça definida (nome politicamente correto para vira lata!). Já baldoso deriva de balda, manha. Ou seja, um Cusco Baldoso nada mais é do que um cachorro vira lata manhoso!

Esse primeiro barquinho de oceano ficou quase à deriva, preso na poita lá na marina do Chinen por quase três anos. Agora seu dono pegou gosto pela coisa e o levou para o Clube Internacional de Regatas, em Guarujá, onde ele deverá voltar a ver água passando por baixo da quilha com mais frequência.

O curioso (e legal) é que cada pessoa que passa por lá e me conhece (ou acompanha o blog) envia uma foto! Eu não tenho todas, mas só para dizer que não é conversa de pescador seguem duas, enviadas pelo Jefferson Neitzke (via facebook) e pelo Eduardo Coton (por e-mail):





Já o outro Cusco Baldoso, o Atoll 23, continua firme e forte lá no canal de bertioga, nas mãos do zeloso Victorio.

E vamos no pano mesmo!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Vamos no pano mesmo - Lá em João Pessoa!

Boas!

No dia 01 de abril as mãozinhas da Alice sortearam o vencedor da promoção "Eu quero um boné do Cusco!". E para provar que não foi mentira, eis a foto que o vencedor, Roberto Cavalcanti, postou hoje no facebook:




Parabéns Roberto e, como você mesmo disse, agora em João Pessoa quem diz  "vamos no pano mesmo" é você!

Estrelas à barla!


terça-feira, 9 de abril de 2013

Curso de Vela, Golfinhos, Pato Voador e Papo de Popa...

Boas!

No último final de semana teve curso de vela oceânica, a quarta turma de 2013.

Chegar em Ubatuba já foi uma aventura. Sai de Santos às 8h00 e assim que peguei a Rio - Santos belas rajadas de vento começaram a soprar, vindas da serra do mar. Mas ventos de verdade, com  belos quarenta e poucos nós. O carro ia para o acostamento, sem controle; árvores caiam pelo caminho - postes também - e pontos de ônibus dobravam feito papelão. Após orçar bastante (com o carro) cheguei em Ubatuba às 13h50! Em situações normais eu chegaria por volta de 11h20, mas mesmo assim ainda daria para eu trabalhar: tinha que colocar velas no carro, trocar escotas, instalar moitões novos e toda aquela faina interminável. 

Mas não teve jeito: a Ribeira ficou sem luz. Com isso, o comércio local fechou mais cedo. Já no barco não dava para fazer nada, pois o vento ainda estava na casa dos vinte/trinta nós. A boa notícia era que o windguru finalmente indicava a ventania, com apenas umas horinhas de atraso... Fiquei no barco, assisti um filme, cozinhei um miojo com sardinha e fui dormir. O que não tem remédio, remediado está.

No dia seguinte acordei cedo e comecei a arrumar o barco para receber os alunos. Por sorte estes começaram a chegar bem antes da hora: primeiro o Nelson, seguido pelo meu amigo Ricardo (o imediato preferido do Malagô), depois o Luiz e por fim o Helder e a Vanessa. Com mão de obra qualificada (alunos!) o serviço rende bem mais, rs!

Da esquerda para a direita: Juca, Ricardo, Luiz (que já trabalhou em um barco de pesca de caranguejo das neves, no Alaska - olha só a pinta do cara!), Vanessa, Nelson e Helder.
A aula começou no horário, dentro do padrão. Seriam dois dias a bordo do Malagô. O vento soprava de quadrante sul, com ligeiras variações para sudoeste e com menos de oito nós, assim como aprontava a previsão. Motoramos "só até ali" e já com a mestra em cima abrimos a genoa. O Velho Mala avançava com dignidade, mesmo diante das condições de vento. Dividi a turma em duplas e assim que a situação permitiu apenas os alunos conduziam o barco, sob a minha supervisão e do grande Ricardo Stark.

Ricardo, mantendo a lei e a ordem a bombordo e Vanessa, quebrando a lei e a ordem a boreste: dormir no botinho ou andar na prancha?!
O plano era contornar a Ilha Anchieta, por bombordo, passando por fora da Ilha das Palmas e da Ilha das Cabras, para depois ancorarmos em frente a praia do engenho, para o pernoite. No dia seguinte a intenção seria contornar a ilha do mar virado, por boreste.


O avanço era muito lento por conta do vento muito fraco e a guinada para bombordo para começarmos a contornar a Anchieta veio depois de muitos bordos. Fomos guerreiros e não desistimos. Fomos no pano mesmo! Como recompensa  avistamos muitos golfinhos e fomos seguidos por um atobá, (ou pato voador, como a esposa do Luiz o chamou ao receber o vídeo pela internet) que chegou até a pousar no guarda-mancebo. Ele voava, pousava perto da proa e quando o a popa começava a se afastar, começava tudo de novo.

Um pouco antes de chegarmos no través da Ilha das Palmas, na parte de mar aberto da Ilha Anchieta, as condições de vento pioraram muito. Ainda a uma distância bem segura ligamos o motor para ajudar um pouco, pois estávamos sendo levados para o costão rochoso. Abortei a passagem por fora da Ilha das Palmas e passamos por dentro, com cuidado para uma laje que há entre uma ilha e outra.  Depois das Palmas a perna seria de popa, mas cadê o vento?! Acabou. Enrolamos a genoa e o motor ganhou mais alguns giros. Mais golfinhos...



Ensinamos os alunos como se ancorar um veleiro e sob um solzinho gostoso e a partir das 16h00 ficamos de bobeira na Ilha Anchieta, conversando, nadando, almoçando e rindo muito, não necessariamente nessa ordem.




No dia seguinte a previsão era de nada de vento. Apenas alguma coisinha lá pelas 15h00. Assim que todos acordaram e tomaram café da manhã levei a maioria para passear na Ilha Anchieta. No Malagô ficamos eu, o Ricardo e o Helder, para trocar a adriça da genoa (as escotas eu havia conseguido trocar no dia anterior, pela manhã) e instalar o moitão com redução 4x1 e mordedor que eu comprei na Náutica 30 Nós.

Deu quase certo. A adriça (que no enrolador Alado precisa ter apenas meio comprimento) ficou curta. Mais  uns dois metrinhos e daria. Não, não deu. O cabo original voltou para cima até que dê para comprar uns dezoito metros de dyneema. Em compensação o moitão funcionou e eu e o Ricardo aprendemos um novo nó com o Helder, praticante de rapel. E quem disse que quem dá aulas não aprende nada?! Sempre aprendemos muito com nossos alunos e por isso é preciso saber ouvi-los, sem soberba.

Invadindo a praia!

Nos juntamos ao pessoal na Ilha e quando bateu a forme, tocamos o Malagô para a praia do Flamengo: porém o restaurante estava fechado. Era quase meio dia e então optamos por voltar para a poita e irmos comer no Porto do Cais, restaurantezinho honesto pertinho do píer e que serviu até tomate!

Devidamente abastecidos, voltamos para o barco e ver os outros veleiros retornando para suas poitas no motor era um sinal claro de que vento, mesmo, não seria o prato do dia. Até o Carabelli 30 que voa por aquelas águas retornou motorando para o Iate Clube de Ubatuba. O curso acabou em um delicioso papo de popa, sobre muitos assuntos ligados ao mar e aos veleiros. E, para finalizar, a Vanessa, esposa do Helder, fez pipocas.

Pipoca!
Eu brinquei que essa foi a melhor turma "de abril de 2013" do nosso curso, mas  a verdade é que apesar da falta de vento o final de semana foi muito bacana e a julgar pelas risadas a ressalva feita entre aspas na início da frase nem se justifica!

E vamos no pano mesmo!



Fotos de Helder Andrade.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Regata de Veleiros Clássicos - 2013

Boas!

Entre os dias 03 e 05 de maio tem início a temporada 2013 da Regata de Veleiros Clássicos. Esta será a etapa Angra dos Reis e o Malagô já fez sua inscrição!

Como tripulantes convidamos nossos ex-alunos, que para nossa satisfação abraçaram a ideia com muita rapidez e entusiasmo: em menos de vinte e quatro horas as seis vagas para tripulantes disponibilizadas pela nossa escola de vela foram preenchidas!

Dentro da proposta do Clube Cusco Baldoso, nenhum valor será cobrado dos ex-alunos, que terão assim uma oportunidade ímpar de colocar em prática o que foi aprendido no curso e, ainda por cima, desfrutar das belezas de barcos clássicos e de um local maravilhoso pela própria natureza: Angra dos Reis.

O Malagô, ao fundo, fazendo bonito na regata de Clássicos de Paraty, em 2012

A próxima etapa da Regata de Veleiros Clássicos acontecerá entre os dias 09 e 11 de agosto de 2013. Quer participar? Então faça um curso conosco e entre para essa turma!

E vamos no pano mesmo!


Velejando no Nordeste...

Boas! Por conta do lançamento do livro A Travessia Azul, fiz palestras em algumas cidades para contar para as pessoas mais sobre o que ...