Kits para construção amadora - POP 25!


Boas!

Dando uma conferida agora há pouco no blog do Roger, cujo Tiki Rio está quase pronto, encontrei esse site:  http://construindoseuveleiro.com.br

Foi uma grata surpresa. Em linhas gerais um dos construtores do POP 25 - projeto do Cabinho - montou em empresa que vende as anteparas já prontas para a construção amadora. O serviço parece ser de primeira, com o corte do compensado a laser. Para quem se aventurar  isso representa uma economia de tempo absurdamente grande (e na vida, o tempo é o item mais caro. Aliás, caríssimo!). Além disso, confere ao projeto uma chance de exito enorme, pois as anteparas são o esqueleto do futuro barco.


Achei a iniciativa bem legal e se a moda pegasse, poderia haver mais barcos indo para a água - ainda que o problema principal da náutica talvez seja a guardaria, como já dissemos antes. Achei bacana o jeito de pensar do empreendedor: o esporte vela é caro, mas a vela de cruzeiro não precisa ser. E não mesmo. Não se populariza a vela colocando crianças carentes para velejar (e depois, quando muda o governo, tira-se os barcos delas). A solução está em convencer as pessoas de médio poder aquisitivo que ao invés de um segundo carro, é mais negócio ter um barco! E como disse o Guilherme Dilascio no facebook dia desses, "um dia o carro ainda será considerado tão prejudicial à saúde quanto o cigarro".

O que deve ser difícil nessa ideia é agradar os preciosismos que todo construtor tem: cedro rosa ou guaipuruvu vermelho da casaca roxa do Pará cortado em noite de lua cheia por um índio de 32 anos e virgem? Resina epóxy do fabricante A, B, C ou D? Compensado de virola? Aliás, essa é a típica empreita que deveria usar espuma. 99% da chateação (para vendedor e construtor) sumiriam.

Eu mesmo achei que usar cedrinho nas anteparas uma coisa temerária que mascara um problema de mercado: reduzir custos... cedrinho é uma porcaria. Porém o empreendedor dá a opção de outras madeiras - ufa!

Quanto ao POP 25 sou muito curioso para ver como será navegando. A rapidez na construção, uma das premissas do projeto, já tem se mostrado uma realidade. Não se vê obras empacadas nem abandonadas.

Mas apesar de eu ser fã do Cabinho, aquelas quilhas para navegação costeira não me convencem. E eu acho estranho que ele as tenha engolido.




Qualquer um que já foi a mais de duas milhas da costa sabe como é desviar a toda instante de redes de pesca. Se uma delas pega em uma, em mar grosso, sei não... acredito que ele fez uma concessão (o projeto não é dele mesmo, mas do Luis e da Astrid) na segurança em prol da simplicidade de construção e custo. Claro que vai ter todo um discurso para justificá-las e convencer de que não há perigo. Mas há sim - daí a importância de já ter se estado "lá" na hora de avaliar um projeto (mas isso é outro assunto).

E vamos no pano mesmo!

Comentários

  1. Juca, a desmistificação do tipo de madeira para ser usado na construção de um barco, logicamente utilizando em sua construção a resina epoxi, deve passar pela sua resistência mecânica, peso e disposição de suas fibras, e tudo isso em função de onde ela vai ser utilizada. O cedrinho, considero ser muito boa madeira para se fazer as anteparas, tanto do POP quanto de qualquer outro barco. Ela cumpre com os requisitos de resistencia e peso. O uso de outras madeiras mais nobres e caras não mais se justificam depois do advento das resinas epoxi, a não ser para "polir" a descrição de uma embarcação. O cedro rosa ou cedro do líbano, assim como outras são madeiras nobres e que fizeram seu nome nas construçoes navais "antes" da descoberta da resina epoxi. O desconhecimento de muita gente que se propõe a construir um barco de compensado e madeira, faz com que, pelo investimento de trabalho, ele faça as escolhas pelo o que manda a tradição para não correr "riscos". Felizmente, pelo preço dessas madeiras, faz com que rapidinho a escolha venha por madeiras mais baratas e renováveis, mas com resistencia igual ou superior as dita "nobres". Devemos também nos orientar, não só para baixar custos, sobre as madeiras tratadas que evitam a formação de fungos, se por ventura o construtor se descuidar e deixar uma parte da mesma sem a devida proteção de epoxi. Aos que pensam em se vangloriar de usar madeiras nobres em seus barcos de plyglass, que saibam que por esse fato seus barcos estarão sujeitos a mesma manutenção de outro feito com madeiras renováveis e que o custo mais alto não se justifica mais. Outra coisa para pensar é que não se populariza nada de forma não sustentável, tanto econômica quanto ecológicamente. Agora sim, o cedrinho, eu compro em táboas e desdobro no momento em que vou utilizar para evitar que se empene e tem um pó resultante do corte e lixação que é insuportável, causando corisa e espirros, mas, nada que com o uso de uma máscara descartável resolva. O compensado de virola ou de pinho são mais que suficientes desde de que sejam bem fabricados.

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    1. Marcos, obrigado pelo seu comentário - adoro seu trabalho! Acredito que por razões de diferenças regionais o que se chama cedrinho por ai pode não ser o mesmo que aqui. O cedrinho daqui é uma madeira barata, utilizada em reforços para tapumes, por exemplo. A resina epoxy faz milagares, mas o preço do cedro rosa não é, ainda, algo tão absurdo que justifique a economia. E o cedro absorve muito bem o epoxy. Já os compensados são um assunto polêmico. Em 2012 eu comprei alguns de cedro com miolo de cedro. Mesmo com algumas demãos de resina epoxy (tubolit), em pouco tempo vi no chão farelinhos de cupins. Pode ser que o clima úmido aqui de Santos tenha facilitado isso, mas de fato foi o que ocorreu. Por isso acho que a espuma acaba de vez com essa discussão. MAS veja, eu tenho um barco de 11 toneladas de perobinha do campo, com mastro de pinho de riga e convés de camamu - SEM RESINA EPOXY, a não ser no convés. Entao, minha opinião final é: faça o barco que lhe der na telha, do jeito que lhe der na telha (rs) e seja feliz! O importante é velejar!!! Bons ventos!

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  2. Caro Juca,


    obrigado pela postagem e pelas críticas, pois é com elas que crescemos. Quanto à questão das madeiras: o cedrinho que estamos utilizando é chamado aqui de cedro alagoando e tem ótimas propriedades mecânicas e baixa densidade, endossando o pensamento do Marcão. A madeira está cumprindo muito bem a função. Tirando o fato de ter diferenças de tonalidades, (não sei se isto é problema) acho bonita. De qualquer modo, como você mesmo comentou, temos outras opções (menos aquela colhida pelo indio virgem!). Já o compensado de virola que usamos é de qualidade indiscutível (Compewit), fabricado aqui em Santa Catarina.
    Mas concordo em gênero, grau e número quanto a velejar e ser feliz!


    Grande abraço,


    Marcelo

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    1. Marcelo, se existissem mais três ou quatro pessoas como vc o desenho da náutica de lazer no Brasil seria outro. Apenas quem construiu (ou tentou, como eu, rs) sabe o valor que comprar peças prontas tem. Eu fiz o 'post' justamente para enaltecer essa empreita que tenho como um "acontecimento digno de nota". Acredito que vc foi muito feliz, tbm, na escolha do projeto. A par de algumas críticas, ele é de fácil e rápida execução, o que anima! Quando vc tiver algumas unidades feitas nesse sistema, vai poder apé passar para outros modelos, tenho certeza! Bons ventos e no que precisar, estamos por aqui!

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  3. Senhor Juca : Poderia elaborar um pouco mais sobre a quilha dupla ou singela " Made in Santos e vizinhanças " muito bem pensada , informe se realmente foi soldada a algo flutuante ou foi so um projeto.

    Obrigado.
    R.M.Silva

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    1. R.M. Silva, a quillha das fotos foi feita na argentina, por um construtor do Pop 25. O projeto prevê que ela seja soldada. Bons ventos!

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  4. Juca, iniciei a construção de um veleiro POP 25, no estaleiro FLAB. Espero contar com suas preciosas sugestões e observações. Segue o link: http://www.veleiropop25.blogspot.com.br/

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  5. Qual o valor para se construir um veleiro POP 25?

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  6. Sistema gera planilha com cálculo de quantidade de materiais e mão de obra, muito bom para planejar sua obra, Lista de Produtos e Serviços com preços. Você pode configurar as definições da sua obra.

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