Perrengue nos arvoredos...

Boas!


Ontem foi dia da tradicional Regata de Arvoredos, em Guarujá.

Fui tripulante em um dos veleiros (33 pés) e passamos por uma situação "interessante".

O vento, desde o início, estava na casa dos 10 nós, com 15 nas rajadas. Já na altura da praia da enseada a coisa começou a mudar: o vento subiu para 20 nós. Estavamos apenas de genoa e mestra, ganhando altura para montar a ilha dos arvoredos.

Entramos em um través já no rumo exato para contornar a ilha, deixando-a por bb como constava das instruções de regata. Eu ia no leme quando tomamos a primeira atravessada. O barco foi para frente do vento. O dono do barco então assumiu o leme e eu enrolei um pouco a genoa, com muito sacrifício. Estavamos apenas os dois no convés. No "speed" o vento estava na casa dos 24 nós e retomamos o rumo.

De brincadeira, perguntei se não era melhor rizar a mestra e colocarmos o cinto. Mas de brincdeira mesmo, pois aquilo parecia que não poderia piorar... Mas foi apenas o dono do barco perguntar se eu realmente queria usar o cinto (no exato instante em que iamos começar a contonar a ilha) e tudo piorou muito: 30, 32, 35 nós e nova atravessada. O barco então ficou afilado ao vento, a corrente o fazia andar de lado em direção aos "arvoredos". Iamos bater. O dono do barco então, pediu para eu enrolar a genoa. Nada... não havia como enrolar, nem usando as catracas. Tentou empopar e seguir com o vento... nada! o barco só se movia, de lado, em direção a ilha, que devia estar a uns 30 metros (para mim, juro que pareciam três, mas o medo nessas horas não é um bom juiz!). Ligamos o motor, abandonando a regata, que nessa altura nem importava mais. O mar cresceu um bocado.

As velas batiam muito e só depois de muito custo, conseguimos aquartelar a genoa - cujos cabos se emaranharam - e a enrolamos, mal e porcamente. E ainda faltavam 18 milhas para a marina, sob aquelas condições.

"Esse lance me deixou meio assim"...


Arvoredos ao fundo, na regata do ano passado...



No meu Cusquinho, estou inclinado a voltar a usar garrunhos, por mais que a dona patroa reclame. Se aquilo tivesse acontecido comigo no Cusco - lembrando que esta é a area onde eu navego - sei lá o que teria acontecido, pois se aquele enrolador não cumpriu sua função, ainda que por culpa nossa, no Cusco, então, não duvido que seria diferente. E pior: quem acha que o motor de popa iria funcionar??? Por mais que seja complicado, hoje a ideia de me amarrar e ir até a frente baixar a genoa de garruncho me soa menos assustadora do que soava atá ontem.

E vamos no pano mesmo.

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