segunda-feira, 21 de março de 2011

E lá vamos nós, de novo!

Pois é...

Tudo começou com o desejo de instalar um bimini (capota) no Cusco. Assim eu e as meninas (em especial a Alice) ficaríamos protegidos do sol. Mas o cockpit do Rio 20 é muito pequeno... então fiz algo muito perigoso: conversei com alguém mais "maluco" do que eu e juntamos nossas maluquices.

O resultado, muito graças ao Arnaldo Andrade, da velaria Cognac e quem eu já tenho como amigo, foi que o Cusco vai passar por uma verdadeira revolução:  o cockipit vai ficar totalmente livre e o barco, no final desse processo, vai andar melhor do que antes, com um bimini de última geração!

As principais alterações serão:

1. A retranca será sensivelmente diminuida, terminando no ponto em que começa a cabine;
2. O estaiamento será todo trocado e modificado o ponto de fixação para a borda do barco.
3. As cruzetas vão crescer e ficar bem anguladas;
4. O estai de popa vai sumir;
5. O enrolador vai ser instalado como foi projetado e não na base da adaptação, como está hoje.
6. A vela mestra, apesar de mais estreita, ficará maior, pois será bem aluada e seu tope será quadradão;
7. As catracas vão mudar de lugar (nunca gostei mesmo de onde elas estão);
8. E, tudo isso, para instalar o tal do bimini!

Em um barco o tripulante mais perigoso é mesmo o Jaque! Uma vez a bordo, chamos ele o tempo todo.  "Já que" vamos botar o bimini, por que não...? E nisso, ainda essa semana, o mastro vai descer!

Calculo que em dois meses estará tudo pronto. Logo, isso vai levar quase um ano... Mas o progresso será mostrado aqui.

E vamos que vamos!!!


quarta-feira, 9 de março de 2011

Roteiro do Canal de Bertioga

Breve Roteiro de Navegação do Canal de Bertioga
Versão  2.0
22/09/2012

1. Objetivo

Este breve roteiro tem por objetivo orientar a navegação de veleiros nos limites do canal de Bertioga – São Paulo/SP , pois em alguns trechos há restrição de calado. Por “limites do canal” estão compreendidas as águas que têm início no alinhamento entre a Pedra do Corvo e o Forte São João (23°51'23.47"S/ 46° 7'52.61"W) e término na ponte férrea que fica nas proximidades da Base Aérea de Santos (23°55'33.03"S/ 46°18'35.33"W). Distância total: 13,37 milhas náuticas.


Percorremos esse trecho com veleiro de 20 pés, com 1,05 m de calado, altura máxima (pontal + mastro) de 8,00 metros, em maré de 0,3 m no dia 05/03/2011.

No dia 22/09/2012 fizemos uma ATUALIZAÇÃO e para isso utilizamos um veleiro atoll 23, com 1,47 de calado e 9,00 m de altura (da linha d´água até a ponta do mastro). 

Embarcações com calado e altura máxima superiores devem ter cautela ao adotarem esse roteiro.

2. Barra do canal

Em geral a barra do canal é de fácil demanda, pois as marolas – que surgem apenas com mar com 1.0 metro ou mais de ondulação – não chegam a arrebentar, salvo em condições extremas de tempo. Há intenso trânsito de lanchas, de grande porte inclusive, o que traz algum incômodo. A entrada e a saída devem ser feitas de forma a manter a embarcação o mais próximo possível da Pedra do Corvo, conforme a linha amarela na figura abaixo. Mas não passe exageradamente perto, pois existem pedras na flor d'água difíceis de ver com mar calmo e maré alta. Junto ao Forte as águas são rasas e a navegação deve ser evitada. O melhor horário é antes das 10h00 e após às 18h00 (menor movimento). Às quartas-feiras quase não há trânsito, pois as marinas estão fechadas.

Atenção para a travessia de balsas!




3. Barra do Canal/Largo do Candinho 

Da Barra do Canal até o Largo do Candinho não existem riscos significativos. Logo após a Marina Porto do Sol há uma bifurcação. O canal está à esquerda/bombordo de quem vem do mar. À direita/boreste está o Rio Itapanhaú. Se houver necessidade, por alguma razão, de entrar no Rio Itapanhaú,  atentar  para uma coroa (ícone vermelho na fugura a seguir) que traz risco de encalhe na entrada do rio e demandar como na linha branca, a seguir:



Nesse trecho existem pelo menos dois postos de abastecimento (Marinas Nacionais e Posto Vindumar, que fica ao lado das Nacionais) e opções de marinas para estadia/pernoite:

Porto do Sol – BOA ESTRUTURA - $$: 23°51'41.40"S/ 46° 8'50.47"W – Tel: (13) 3305.1584

Marinas Nacionais – ÓTIMA ESTRUTURA - $$$: - 23°52'8.34"S/ 46° 9'22.49"W – Rádio VHF Delta 45 no canal 68 – Tel.: (13) 3305-1421

Garagem Náutica Chinen (apenas poitas) – REGULAR ESTRUTURA - $ - Funciona todo os dias do ano! - 23°53'0.90"S/ 46°10'5.24"W – Tel.: ( 13) 3305-1224

Tropical - BOA ESTRUTURA - $$ - 23°53'38.57"S/ 46°11'17.97’’W – Tel.: (13) 3305-1321 

Tchabum - BOA ESTRUTURA - $$ - 23°53'59.20"S/ 46°11'27.28"W – Tel.: (13) 3351-7558

Pier XV - BOA ESTRUTURA - $$ - 23°54'4.60’’S/ 46°11'28.35"W - – Tel.: (13) 3351-7558

Após a marina Píer XV (que é vizinha da Tchabum), existem alguns restaurantes com poitas e entrega a bordo, mas o preço pode ser bem salgado!

Atenção para:

a) Em frente às Marinas Nacionais existe um balizamento particular - bóias verdes/encarnadas. A velocidade de 6 nós, no entanto, deve (ou pelo menos deveria) ser seguida ao longo de todo o canal, e não apenas ali. As marolas, além de atrapalhar embarcações miúdas e pequenas, têm alterado a fisionomia do canal e, talvez, provocado assoreamento.

b) Veleiros apoitados em frente à Garagem Náutica Chinen - 23°53'0.90"S/46°10'5.24"W;

c) Destroços visíveis em frente ao bairro de Caruara - 23°53'29.97"S/46°11'19.75"W;

d) Fios de alta tensão que cruzam o canal na altura da Marina Tropical - 23°53'38.57"S/ 46°11'17.97’’W l;

e) Embarcações (na maioria lanchas) apoitadas em frente às marinas Tchabum e Píer XV - 23°53'59.20"S/ 46°11'27.28"W.


4. Largo do Candinho

Esse é o trecho mais complicado. Mais até do que o seguinte, de “curvas”, pois por ser amplo dá a falsa impressão de que é profundo em toda a sua extensão. Não é. O “lado de dentro” da curva é extremamente raso, por uma longa extensão. Cuidado! Nessa região ocorre o encontro da maré que entra pela Barra do Canal com a maré que entra pelo Porto de Santos. Por isso as águas avançam terreno adentro (um vasto manguezal preservado). O efeito da maré é praticamente anulado. Por ser o encontro de duas fontes de maré, ocorre um fenômeno interessante: quando a maré está enchendo, a água “entrará” por ambos os lados, vale dizer, se estiver enchendo da Barra até o Candinho, estará enchendo da Ponte Férrea até o Candinho, onde, no encontro, se anulam. Se estiverem vazando, ocorre a mesma coisa: vaza pelas “duas pontas”. Por isso é bom planejar a navegação de sorte a ter a maré sempre favorável. Eu gosto de estar por ali quando há a mudança da maré. Assim chego até lá com maré a favor e sigo viagem com maré também à favor. Faça o mesmo! Ao demandar o Largo do Candinho, mantenha o veleiro o mais próximo possível do lado de fora da curva, até a bóia encarnada que fica na base do morro do Caeté. Alguns guias trazem indicação dessa bóia como sendo verde. Atenção, ela é encarnada! Ao atingir a bóia, alinhe-a com a sua popa. A sua proa, então, deverá estar alinhada com uma bóia verde. Eis o percurso percorrido por nós, com a maré extremamente baixa – 0,3 m. Nãoencalhamos nenhuma vez!




ATENÇÃO: APENAS ALTERE O RUMO APÓS ESTAR BEM PRÓXIMO DA BÓIA VERDE!


5. Curvas

Esse trecho é o que mais assusta quem nunca navegou pelo canal. Mas repito que o mais traiçoeiro é o Candinho, pois nas curvas você sabe que deve tomar cuidado, ao passo que no Candinho existe a falsa sensação de que é sempre profundo, por ser  amplo. O segredo desse trecho é seguir as curvas sempre, sempre e sempre pelo lado de fora, que chega a ter oito metros de profundidade. Tenha sempre em mente que aqui o leito do canal navegável é bem estreito. Prefira passar na maré baixa, se o seu caldo permitir, pois se houver encalhe a maré alta permite a saída e é possível ver melhor os trechos rasos. Já na maré alta, qualquer encalhe tende apenas a ser piorado. Em geral, nos trechos fundos a água está sempre “mais limpa” do que nos rasos, onde é possível ver muitos galhos e folhas. Atenção!



6. Monte Cabrão

Após as curvas segue-se a navegação até o bairro do Monte Cabrão (que pertence a Santos, mas fica em Guarujá). Nesse trecho deve-se atentar apenas para: a) a ponte da Rodovia Cônego Domenico Rangoni (o Cusco passou com folga de três metros, aproximadamente); 

b) três torres com  fios de alta tensão, duas antes antes e uma logo após a ponte e 

c) restos da base de uma antiga torre de alta tensão. No mais, é seguir sempre pelo lado de fora das curvas, no trecho mais limpo, atento a tudo!



7. Ponte férrea

Nesse ponto a travessia atinge seu final (ou seu começo, a depender do sentido que se navega). Ao se aproximar da ponte faça sinal ao operador para que ele eleve o vão móvel. Segundo informações que me foram passadas pelo próprio operador, o vão livre mais alto na maré mais baixa é de apenas 4.0 metros, sendo que o vão se eleva a pelo menos dez metros. O operador não usa rádio VHF (apenas Nextel, que se você pedir, ele informa) e deve ser usada a buzina. Atenção: antes de demandar o canal, se houver intenção de passar pela ponte, verifique se o equipamento está em operação junto à CODESP (13 – 3202-6565) ou à CPSP (13 – 3221-3454). Além disso, entre 12h00 e 13h00 não há operação, que também é suspensa entre 18h00 e 07h00.




Na medida do possível deixarei esse roteiro sempre atualizado.

Uma observação importante é: mantenha-se no curso principal do canal o tempo todo.

Não entre em nenhum de seus braços. Não existe atalho!

É possível fazer esse trecho todo à vela em embarcações miúdas. Eu já fiz de Daysailer e HC14, sempre à vela, ida e volta e, também muitas vezes de caiaque. Mas veleiros maiores devem preferir usar o motor. É mais seguro!

Cuidado com o tráfego de lanchas e jets por toda a extensão do canal. Com honrosas exceções, essas embarcações costumam abusar da velocidade e ignorar regras básicas de governo.

Bons ventos!

Juca Andrade
Santos/SP

Colaboraram na elaboração deste roteiro: Alan Trimboli, Luis Augusto Araujo, Donald Cooper,Marcelo Lanzara e Alexandre Asesti.


Dias de folia!


Boas!

No Carnaval passado estavamos em Paraty, estreando o Cusco. Nesse, ficamos em casa, curtindo o bloco da Alice. Acreditem, nele não faltou animação! Foi Láááááááááááááááá para todo lado (ou seria Buááááááááá?), até rasgarmos a fantasia!!!

Meu plano, prevendo o trânsito complicado e a agitação aqui por casa, era trazer o Cusco mais para perto. Ajeitei de deixar o barco no Pier 26. 

No sábado, às 07h45 soltamos as amarras rumo ao CING, via canal de Bertioga. Eu já fiz essa travessia algumas vezes, a maioria de caiaque. A mais divertida foi com o Brisa, apenas no vento (vamos no pano mesmo!), ida e volta.

Como nunca atravessamos o canal com barco de quilha fixa e sabendo que em alguns lugareso encalhe é certo, levei comigo o Pirulão, como "prático" e o Luis, que conheci em uma lista de discussão na internet e com quem já passei alguns perrengues caros e memoráveis (para tirar a teima se o azarado era ele ou eu). Contei também com a ajuda do amigo Alan Trimboli, que me passou wayponts precisos do trecho do largo do Candinho, para mim o mais complicado.

Às 10h45 em ponto haviamos vencido as 10 milhas entre a poita e a ponte férrea. Ao solicitarmos ao operador que subisse o vão móvel, fomos informados que a ponte estava interditada por tempo indeterminado. Foi um balde de água fria! Já dava para ver os prédios na Ponta da Praia! O CING estava logo ali, a menos de uma hora de navegação! Foi duro dar meia volta... Menos mal que deu para velejar por um bom trecho, com ventos fracos, ventos fortes, frio e chuva caindo as cântaros, cujos pingos  mais pareciam pedras... divertido!

Pois é, ainda não foi dessa vez que o Cusco veio para Santos... já é a segunda tentativa. Mas no mar é assim mesmo, não dá para se controlar todas as variáveis. Depois de alguns dias, bem feitas as contas, não teria valido a pena, pois o tempo ficou uma droga...
















O céu púmbleo foi uma constante nos dias de Momo...

Velejada do dia 07/03, com a Alice a bordo. Em asa de pombo da poita até Candinho!


No dia 07/03 saimos novamente, com a Alice a bordo.
O fato notável foi a Priscila, que quis dar uma de engraçadinha e mergulhou no canal sem antes lançar um cabo para fora do barco, como sempre faço. " - Frescura do Juca!", deve ter pensado. Quando percebi, a guria estava se afastando rápido, por conta da forte corrente do canal. Nadava, nadava, e nada de sair do lugar! (sem trocadilhos). Lancei a bóia, mas a retinida de 50 metros acabou e nada de ela alcançar. Emendei mais 20 metros de cabo e nada... É claro, as duas se afastavam na mesma velocidade! Foi ai que o pessoal da marina se tocou e mandou um barco atrás dela, para o resgate. Esperta a moça, não?!
E vamos que vamos...

Velejando no Nordeste...

Boas! Por conta do lançamento do livro A Travessia Azul, fiz palestras em algumas cidades para contar para as pessoas mais sobre o que ...