Ande onde tenha vento; dê poucos bordos e vá direto para onde tem que ir!

Boas!

Como já havia antecipado por essas águas, nossa escola de vela participou da Regata da Marinha no último sábado, 06/12. Estivemos desfalcados de tripulação e apenas o Cassio pode comparecer, ou seja, tocamos o Grandpa em apenas dois.

O vento estava excelente (entre sete e nove nós), de quadrante sul e a regata foi barla-sota, mas no limite para um barco nervoso como o Grandpa ser tripulado por apenas dois. Largamos bem e começamos um duelo bastante interessante com o Viva, outro Fast 230. Ele estava com mais tripulação e com uma genoa maior. Com isso, quando o vento não apertava tanto ele andava mais que a gente (nas rajadas ele desequilibrava, por conta do excesso de pano) e manter a frente dele era bem complicado. Então era um tal de regula aqui, folga ali, aperta lá que me deixaram moído, doendo até o RG como diria meu amigo Satrk. Pena que no meio da primeira perna ele quebrou e teve que descer a mestra. Ainda assim continuou só de genoa por um bom tempo, até desistir. 



Na hora de subir o balão acabamos sendo mais conservadores e o deixamos no saco, até porque nosso combatende direto não estava mais na raia. O Cassio ainda não sabe subi-lo, ou seja, eu teria que fazer isso. Mas no leme ele ainda está um pouco inseguro, fazendo alguns "s" bem bonitos. O risco de um jibe chinês era absurdo (e os tantos jibes involuntários que demos nos provou que fizemos bem).

O Grandpa tem uma gennaker, mas eu ando relutante em usá-la em barla-sotas, pois temos que entrar com o vento mais pela alheta e isso torna o caminho maior, o que não sei bem até onde compensa a velocidade maior. Ainda acho que ir direto (ou algo próximo a isso) para a bóia  é mais eficiente e nisso o simétrico é imbatível. Na medida do possível em regata temos usado as três regras que o Cassio ouviu de um regateiro mais experiente: ande onde tenha vento; dê poucos bordos; vá direto para onde tem que ir. Nossa perna de contravento está boa; já a de popa, está péssima (isso quando caprichamos). Ainda assim ficamos em quarto entre oito veleiros e no tempo corrigido conseguimos uma façanha que só deve se repetir daqui a cem milhões de anos: ganhamos do Skipper 30 Pelayo (foi mal, Eduardo!). Ele fez em 1h21'19 e nós em  fenomenais 1h20'40!



Andam me perguntando se eu virei regateiro. Respondo que continuo velejador. Essas dicotomias são sem sentido (aliás, no Brasil de hoje em dia o que mais há são dicotomias sem sentido). O cruzeiro lhe dá prazer, mas saber velejar bem  e saber tirar tudo o que o barco pode dar pode salvar sua vida ou, sendo menos dramático, trazer mais conforto. Essas regatinhas aqui em Santos me tem ensinado que eu não sei nada, apesar de todos esses anos e que tenho tanto ainda a aprender... E tem sido bem legal ver que a cada regata conseguimos tirar mais do barco, apenas com regulagens, manhas e uma pitadinha de malícia - não necessariamente nessa ordem.

O ano está acabando, mas ainda não acabou. Ainda tem mais por ai!!!

E vamos no pano mesmo! 







Comentários

  1. Uma frase que vc soltou ainda no pier ilustra bem o que aconteceu a bordo do Pelayo: Pra mau pintor, até o pincel atrapalha.

    De qualquer maneira, o preço do chart plotter que vou te vender acabou de subir!

    😈

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    Respostas
    1. Calma, Eduardo! Cem milhões de anos demoram para passar! Outra dessa, só em outra vida, kkk!

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  2. kkkkkk.....exemplo de tiro que sai pela culatra....Juca...

    'foi mal..'.kkkkk

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  3. Caro Juca,
    Sempre visito seu blog e aprendo muito! Em relação ao jibe chinês não é possível usar um preventer em regata?
    Bons ventos
    Marcelo
    Cruiser 23
    Boccanera

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    Respostas
    1. Marcelo, em cruzeiro sim. Mas em regata não, pois perderia-se tempo desmontando o sistema, que deve ser bem robusto diante das forças envolvidas (e em regata tempo é tudo). O que resolve mesmo em regata é treino, treino, treino... rs. Obrigado por estar sempre por aqui!

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