E foi assim que a coisa começou...

Boas!

Dia desses eu dei uma olhada no nosso mural de fotos e outras coisas aleatórias mas passíveis de serem penduradas e encontrei uma fotografia do Fraldinha, tirada justamente no primeiro dia em que eu e ele saímos para o mar. O Fraldinha foi meu primeiro veleiro!

Era o final de 2002. Eu estava no quinto ano da faculdade e consegui um estágio remunerado no escritório em que hoje sou sócio (fiz carreira!). Eram apenas R$ 500,00 por mês, mas para quem vinha há tempos sem receber nada e descontada a inflação, posso dizer que era dinheiro que não acabava mais (ainda mais sendo solteiro e morando com a mamãe). Além disso, já era hora de eu começar a pensar no que ia ser quando crescer: velejador, é claro!

Em setembro eu me matriculei no curso de vela da Escola de Vela de São Vicente, com o Silvio Bello. Eu sempre passava por ali e achava a ideia sensacional: uma escola de vela na praia, ao ar livre, com o mar logo ali ao alcance das mãos. Seriam três aulas, em três sábados seguidos. Paguei R$ 450,00, ganhei uma camiseta e um dia a bordo de um Magnum 422, cujo nome eu simplesmente não me recordo mais... Bordos para lá, bordos para cá... e alguns gritos. Aliás, muitos gritos. Quanta delicadeza!!! 

Meu gênio não é dos mais fáceis e se você não quiser me ver nunca mais em sua vida, grite comigo.

A questão agora era: o que fazer? Eu não voltaria lá para ser tratado daquele jeito. Porém o bichinho da vela já tinha me picado e eu queria mais, muito mais. A resposta era simples e mais ou menos óbvia: vou comprar um barco!

O problema era a verba. Comecei a economizar tudo o que podia (até cortei o táxi que levava uma namorada  que eu tinha para casa, de madrugada - e que mais tarde eu descobri que ia a pé e ficava com o dinheiro) e consegui juntar... R$ 500,00. Pois é.

É claro que eu não desistiria tão fácil assim. Comecei a procurar um Magnum 422, um Holder, um Laser... qualquer coisa! Mas nessa época tudo girava em torno do triplo do que eu tinha. Então o que eu pude fazer foi apenas procurar, procurar e procurar. Enquanto procurava, remava todos os dias (de caiaque) e namorava o Flegon, um Classe Brasil  40 que estava em reforma no Rio Icanhema. Nossa! Como eu achava lindas as linhas daquele barco. Perdi as contas de quantas vezes sonhei ser seu dono... Calma que essa é outra história!

Eu estava a procura do meu barco (um monotipo) e como quem procura, acha - no final de novembro encontrei finalmente um HobieCat 14 no Clube Internacional de Regatas, em Santos. O dono era um cara legal que tinha um veleiro de oceano e topou dividir o pagamento em duas vezes de R$ 500,00 - meio a contragosto mas, topou (ele, o Mantovani, tem hoje um catamarã de nome Arigatô em Paraty, apoitado na praia do Engenho).  Pronto, eu tinha um veleiro! Só precisava arrumar em trinta dias os outros R$ 500,00, mas isso era um problema para depois.

Minha primeira velejada no Fraldinha, no dia 01/12/2002.

Aliás, dos meus problemas esse era o menor, pois o estado do barco era crítico. Já já eu volto aqui e completo essa história...




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