Teje preso!













(c) A Tribuna

Boas!

Desde o dia 04 de fevereiro uma cena inusitada tem sido presenciada por quem passa pela Ponta da Praia, em Santos, com destino ao ferry-boat. Pelo menos duas viaturas da Polícia Militar e uma da Guarda Municipal fazem a guarnição de um obstáculo recém construído para impedir o acesso direto dos pescadores artesanais do mar para a Rua do Peixe (na verdade, Rua Dona Áurea Conde).

Tanto a Prefeitura quanto os pescadores têm motivos para defender sua posição. A primeira alega que o pescado deve ser retirado das embarcações no Terminal de Pesca de Santos - TPPS, que fica a aproximadamente cento e cinquenta metros. Lá existe fiscalização sanitária tanto do pescado, quanto das embarcações e isso ninguém nega ser bom para a saúde pública.

Mas os pescadores reclamam - também com razão - que as instalações do Terminal de Pesca não permitem acesso às embarcações de costado baixo, como são as uitilizadas na pesca artesanal. Construído em 1952 e voltado para a pesca indústrial, a atracação desses barcos naquele cais é, mesmo, inviável. Além, a tal fiscalização sanitária tem um custo, arcado inicialmente pelos pescadores (e, depois, repassado ao consumidor). Em viagens que às vezes mal pagam o diesel, aumento de custos de produção para esses trabalhadores é algo assustador.

Houve bastante confusão. No primeiro dia os pescadores demoliram a nova mureta, reabrindo o acesso - daí a presença da força policial. A solução do impasse está na construção de um flutuante no TPPS, o que também não agrada todo mundo. Enquanto o tal flutuante não vem, o pescado vai passando por cima da mureta mesmo.

O episódio serve para fazer pensar. De fato, no Brasil, a infraestrutura para a utilização dos recursos e potenciais marítimos é pífia, quando não inexistente. E aquelas viaturas impedindo o acesso ao mar são um triste arquétipo dessa situação.

E vamos que vamos...

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