De Ubatuba a Santos

Boas!

Em julho levei o Malagô para passar férias em Ubatuba. O tempo, porém, não ajudou e aproveitamos muito pouco. Fez frio e a estrada nos presenteou com quatro multas (para cada um, eu e a Priscila) de excesso de velocidade. Também, quem manda correr a 42 km/h?

Trazer o Malagô não foi tarefa simples. Não pela navegação em si, mas pela agenda. Quando havia condição de tempo favorável, algum compromisso me impedia. E quando estava livre, o mar ardia em ressacas violentas. Veleiros e agendas, a eterna antinomia.

Como fiquei muitos dias sem ir lá, sabia que precisaria ir antes para deixar o barco pronto e, em outra oportunidade, sair daqui direto para embarcar e vir para casa. Só assim otimizaria o tempo. Foi o que fiz no final de semana do dia 19/08. 

Cheguei na sexta a bordo do Malagô e pus o motor para funcionar. Ele recém havia sido revisado pelo Rafael, mecânico lá de Ubatuba. Dois minutos depois de rodar, pane seca! Mais uma vez sem diesel. Tenho problemas com isso... Comecei a preparar a solução, quando ao meu lado chega o Soneca, como Tio Spinelli, o Ricardo Stark e mais três velejadores do Itaguá me convidando para velejar. Como resistir?

A pane seca o Spinelli me ajudou a resolver lá pelas 20h00, depois da velejada. Depois disso fomos para a casa dele comer pizza e arrumar o tal do barco, só no dia seguinte pela manhã.

Depois de cada revisão eu gosto de dar uma motorada, para ver se nenhuma rebimboca ficou solta. Então, lá fui eu. Menos de meia hora de navegação, contudo, o motor ferveu ferozmente. Havia algo errado. Reduzi a marcha e deixei o velho Mala boiar, a deriva. Fui até a cabine, peguei o saco de velas, tirei a genoa e a subi. Voltamos a navegar, a um nó e meio. Nesse meio tempo vi os barcos que iam para a "regata ele e ela" me darem água na boca. 

Depois de uma hora desde que havia subido a genoa peguei a poita na vela (isso sempre dá orgulho) e fui lá ver qual era a do motor. O primeiro sintoma era a ausência de água salgada saindo pelo escapamento. O problema, então, no sistema de água slagada. Poderia ser rotor, entupimento, ou mais uma centena de coisas. "Comece pelo simples", lembrei o Sergio, meu professor de mecânica do Senai, dizendo. Tirei a mangueira da entrada de água e vi que a vazão era normal. Desmontei a bomba. O rotor estava íntegro, até porque era novo e não havia marcas de que estaria sendo travado. Já o acoplamento da bomba na polia, não! A peça havia se desfeito em milhões de pedaços e quando a polia do virabrequim girava, a da bomba de água não. A agua doce não era refrigerada e o motor fervia. 

Liguei para o Rafael, que prontamene foi até o barco, retirou a bomba e levou para que um torneiro fizesse uma nova, em inox.  Voltei para casa de carro e esperei a maior ressaca do ano fazer estragos aqui em Santos.

Depois disso foi só ficar de olho na previsão. Iríamos na primeira lestada. Estava sem tripulação, pois não sabia quando iríamos e as pessoas têm esse hábito de trabalhar. Na quarta, 24, consegui deixar o escritório em dia e liguei para o Ivan e para o Jefferson, que toparam ir comigo. No dia seguinte, ao meio dia, estávamos no Malagô.  

Na quinta fizemos mercado, compramos diesel e combinamos de sair as 05h00 rumo "a até onde desse"., sem a manor pressa. Para ajudar a curtir a noite estrelada, fizemos um churrasco à luz da via láctea. É sempre difícil sair de Ubatuba...

Às 05h05 soltamos a poita e começamos a travessia. Chegamos em Ilhabela às 9h30. Não paramos. O vento, que deveria ser de leste, entrou, mas da direção oposta e com quinze nós. Ah, essa previsão do tempo! Ao meio dia, porém, o vento sumiu de vez. O mar virou um espelho e seguimos no motor, navegando bem próximo a costeira de Toque Toque.

Regra geral quando fazemos o trecho Ilhabela - Santos, passamos bem ao largo da costa, "por fora" do Montão de Trigo. Dessa vez, aproveitando as condições de tempo especiais, fizemos diferente e por mérito do Jefferson viemos "por dentro"  da Ilha de Toque Toque. Nosso amigo Hélio Magalhães tem mesmo razão em seu livro Santos - Rio. Esse é um dos trechos mais lindos do litoral brasileiro e fazê-lo sem pressa é um privilégio - ainda que no motor.

Às15h00 fundeamos nas Ilhas, onde o Ivan fez mais um belíssimo almoço. Ele é um "cuca" de primeira e eu irei providenciar sua filiação ao Sindicato dos Culinaristas de Bordo, o famoso "Sindicu". EM geral eu emagreço uns dois quilos a cada travessia. Nessa eu engordei três.O Jefferson ousou dar um mergulho, mas o "PQP" que ele soltou ao cair na água foi bastante sofrido e desencorajou seguidores.

Ficamos por lá cerca de duas horas e depois da sobremesa seguimos para o Indaiá, onde pernoitamos, na âncora. Apenas no dia seguinte, às 07h00, fizemos a perna final até Santos. Mar espelhado até a Ponta Grossa, quando finalmente entrou o vento, provavelmente trazido pelo Erva Doce, do amigo Eduardo, que veio nos dar boas vindas.

Atracamos no CIR às 11h50, depois de 97 milhas navegadas (na derrota habitual são 83 milhas).

E vamos no pano mesmo!!! 


Galeria:

O Saco da Ribeira fica para trás.

O sol nascendo na Ilha do Mar Virado.

Ivan. A bordo do Malagô ele já decidiu ir de bicicleta até a Argentina e, depois, a fazer a América do Sul em uma Veraneio. Qual viagem terá nascido dessa vez?


Jefferson Neitzke, o homem do leme!

Chegando em Ilhabela.


Às vezes o Jefferson cansava. Ai punhamos no automático!

Ilha de Toque Toque na proa.

Ponta do Saco D´água. Já passei aqui tantas vezes e nunca soube o nome.


Rumo às Ilhas.


Almoço nas Ilhas.

Fundeio e pernoite no Indaia.

Erva Doce na proa.

E para não dizer que não velejamos...




Comentários

  1. Juca, indica o Ivan para Presidente do SINDICU!! Ele merece !! kkkkk cozinha bem mesmo!!
    Apenas para dizer que foi um prazer velejar no SONECA com o Tio Spinelli e com você a bordo!!
    E ainda ver o Leme de Vento funcionando 'in loco'.
    A propósito, ainda completaram a tripulação o Francisco Paganini, Cmte. do Catamarã Milene II (construído por ele), o Adir Lopes, Cmte. do Gigante (O'day23) e seu marujo Michael.
    Abraço!!

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    1. Faltou vc e o Andre nessa, Ricardo!!! Mas pelo menos velejamos aquele dia! Bons ventos!!!

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