Dona Craca...

Boas!

A pintura de fundo do Malagô fará seis meses em abril. Em princípio será a metade de sua vida útil, que é de doze meses. O que tenho observado, porém, é que a coisa está mais selvagem do que os vendedores de tinta venenosa nos dizem. O Malagô voltou para a água no dia 14/10/2013. Uma semana depois fomos para Ilhabela, fazer uma travessia de instrução com alguns alunos e o fundo tinha apenas um pouco de limo. Mas, na semana seguinte e para minha surpresa, já havia algumas cracas. Desde então, após quinze ou vinte dias ele já tem o casco completamente incrustrado. 

Sem opção, de lá para cá tenho mandado raspar o fundo a cada vinte dias. A coisa anda curel por essas águas. O padrão mais regular era a formação de uma camada limo, depois de uma cabelereira de algas e ai sim, as cracas. Foi assim comigo em Paraty, em Ubatuba e no Canal de Bertioga.

Aqui em Guarujá, porém, a dona craca tem vindo direto e em grande quantidade. Ficar livre de incrustrações apenas com mergulhos semanais, o que em um primeiro momento era justamente o que a pintura com tinta venenosa prometia evitar.

Tenho conversado com muitos donos de veleiros e o problema tem se mostrado uniforme, o que faz prova de que não se trata de uma questão isolada nem atrelada apenas à marca da tinta. Também não é uma questão de má aplicação do produto, pois não reclamo aqui de tinta desprendida do casco. Pelo contrário, a tinta resiste bravamete, mas não dá conta de impedir incrustrações em um espaço de tempo razoável.

Cabe registrar que esse verão foi atípico. As temperaturas estiveram muita altas e houve muitos dias sem chuva alguma no Sudeste, o que por certo influiu na temperatura da água e sua salinidade, fatores abióticos que com certeza influem no desenvolvimento das cracas - ou, no caso, em seu superdesenvolvimento.

De toda a forma, imagino que sem uma proteção adequada - ainda que a que se tem hoje não seja como o vendedor promete - a situação deve ser ainda pior. 

De minha parte só sei que nada sei e, por agora, minha resolução é usar menos tinta e subir o barco mais vezes, ou seja, apenas três latas (o que no meu barco garante três demãos) e subir uma vez por ano. Além disso, como temos que ficar limpando a cada vinte dias de qualquer forma, usarei a boa e velha Tritão, amiga dos barcos de madeira - e bem mais barata. 

Enquanto isso, vamos de espátula mesmo!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

De Ubatuba a Santos

De Vitória a Recife

De Santos à Vitória