Vamos trabalhar?!

Boas!

Pois é, finalmente o Malagô deixou de frescura e voltou a trabalhar.  E eu fui junto, pois não pega bem deixá-lo andando por ai sozinho!

E ai, será que venta, Luiz?
Ontem teve curso de vela oceânica, a versão básica de apenas um dia. Voltamos às origens, no formato e no local de partida: o canal de bertioga. Depois de uma explicação teórica, subimos a genoa, montamos suas escotas, levantamos a mestra e às 11h16 soltamos o cabo da poita: o Malagô ia para o mar!


Luiz Soares, à esquerda; Tiago Bittar, no leme e Luiz Carlos.
Procurando o vento "lá fora".
O céu estava sem uma única nuvem. A temperatura estava agradável e o vento... pois é, o vento ainda não havia entrado. Mas o dia prometia e a gente tinha fé. Na tripulação os alunos: Tiago Bittar, Luis Soares e Luiz Carlos. Como o Ricardo Stark anda me esnobando e prefere ou trabalhar (eca!) ou velejar na represa, o convocado para a missão de imediato foi o Ivan Rodrigues, papel de embrulhar prego que já conta com algumas regalias, como levar a namorada - a Flor, que é mesmo uma flor - para passar o final de semana a bordo, contando estrelas cadentes no convés... eles ouviram até violinos, mas eu credito esse fato à garrafa de vinho vazia que encontrei no "quarto de jogos". 

A Flor!

A Flor ajudando o Ivan na cozinha. O torresminho ficou sequinho, sequinho!Mas faltou a cerveja...
No canal somos escravos da maré. E o dia seria longo, pois a correnteza estava forte (três nós!) e  contrária na ida e na volta. Subimos o canal a três nós, com algum sacrifício do "vento de porão", que não nos deixou na mão. Assim que passamos a pedra do corvo desligamos o motor e esperamos o vento. Esperamos. Esperamos e... ELE VEIO! Fraquinho, modesto, com seus cinco nós. Mas veio, de leste. O "velho Mala" entrou em uma orça folgada e foi se afastando da costa. Quando estávamos cinco milhas mar adentro, já bem longe de qualquer perigo, entramos em um través e tocamos na direção da Ilha da Moela, que já podia ser vista. Devagar (4 nós) e sempre.


E a brisinha veio...

.. e só ia embora quando o Luiz Soares assumia o leme!

Velejar!

A coisa estava boa. Mas a cada milha para a frente haveria uma outra para a volta... ou até mais do que uma, porque velejar tem dessas coisas. Assim, às 15h00 e quando estávamos no través da laje do Perequê, demos um bordo - manobra perfeita - e tocamos na direção da pedra do corvo. Éolo deve ter ficado bravo com a esnobada que demos na brisinha que ele nos enviou e quarenta minutos depois fechou a fábrica. Motor de novo, e dessa vez até o fim.

No trvaés de Iporanga.
Na entrada do canal, porém, entrou um SW de mais de vinte nós. O Malagô sofreu para entrar, pois somado ao vento forte e às lanchas fazendo marolas na barra apertada, a maré estava... CONTRA! Aumentei o giro e fomos avançando a 2 nós. 



Encontramos a poita às 17h33 e  às 180h00 todos já tinham tomado o caminho da roça. A frase do dia foi do Luiz Soares, que sobre a falta de cerveja a bordo comentou "- Pô, isso aqui é passeio de crente!". Pois é, não dá para se ter tudo nessa vida! Cerveja só com o barco amarradinho.

E vamos no pano mesmo!





Comentários

  1. Parabéns Capitão Juca! Deve ser sempre uma emoção grande colocar o velho mala à trabalhar para o que ele foi concebido.

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    1. Uma emoção e um prazer enorme!!! QQr dia venha aqui nos visitar! Mas venha (de) Hoje!

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  2. Cmte.Juca:

    Como Direito de Resposta, tenho a dizer que em momento algum tive a intensão de esnobar uma velejada no Malagô. Apenas não poderia assegurar minha presença nesse fim de semana, em razão de compromissos profissionais, os quais não se confirmaram. E, com relação ao Ivan, você se deu bem, afinal além de marinheiro ainda é cozinheiro dos melhores!! Portanto, nestes termos, após recurso interposto, P.Deferimento, SMJ , para inclusão deste Imediato na próxima jornada de trabalho a bordo da embarcação Malagô.
    ps. aliás esse barco tá ficando casamenteiro. André com a Yayá, Ivan com a Flor...sei não...rrsrsr

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    1. Tá bom, tá bom... a turma deu provimento ao seu recurso! kkkk Mas veja se para com essa de trabalhar, meu! Quanto ao Ivan, o cara estava tão apaixonado, que só conseguiu fazer um salame fatiado com baconzitos e guaraná... vou te contar, viu!

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  3. Gostei da atitude "Cerveja só com o barco amarradinho.". Parabéns Capitão! Mais uma vez fiquei orgulhoso por ter adquirido sua apostila. Certamente assim que possível quero fazer um curso básico a bordo! :)

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    1. Gustavo Krause!!! Obrigado por sempre estar por aqui. Espero que um dia vc esteja a bordo do Malagô! Curtiba é pertinho, meu! E dá para dormir no barco. Vc gasta menos do que imagina.

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