E quem vai acreditar que isso é trabalho?

Boas!

No último sábado, dois de março, realizamos as aulas da terceira turma de 2013 de nossa escola de vela.  Foi a última turma de apenas um dia de aula, no formato dos antigos Módulos I e II. A partir de abril faremos apenas aulas de dois dias em sequência (sábado e domingo), com maior permanência  a bordo (incluindo a possibilidade de pernoite na embarcação) e melhor aproveitamento.

O Malagô voando no través (c) Ivan Rodrigues.
A tripulação foi chegando aos poucos: os já amigos e não apenas alunos André Scalon e Ivan Rodrigues  (que fizeram conosco a travessia Paraty/Ubatuba em janeiro) chegaram na noite da sexta-feira, levando janta e coca-cola para o Capitão que já estava enfiado embaixo das cobertas. Só por isso já fizeram valer o certificado!!!

A Ilha Anchieta ao fundo, na volta da Enseada da Fortaleza.
Durante o café da manhã do sábado quem chegou foi o Ricardo Stark, do Veleiro Gaipava (o Atoll 23 mais lindo que eu já vi!), que sempre que puder será meu Imediato no curso. Na sequência vieram o famoso Walnei Antunes, do Vivre /Piano Piano e o Eduardo Ramos (que fez um bate volta Guarujá/Ubatuba/Guarujá). Esses últimos eu conheci pessoalmente no dia do curso e, para não fugir a regra, o Almirante lá de cima  continuou mandando apenas gente legal e do bem para o  Malagô - continue assim!

Conversamos um bocadinho sobre o barco e sobre o treinamento que faríamos e soltamos o Malagô da poita um pouco antes das 11h00. Motoramos apenas o suficiente para safa-lo dos outros barcos e levantamos as velas. O vento (leste) entrou com vontade, o que indicava que com o sol alto a coisa ficaria divertida, justamente como indicava o Windguru.


Eu gosto de começar mostrando as manobras básicas, dando ênfase à orça.  Então fiquei no leme e dividi a turma em duplas, cada uma operando uma das duas catracas. O Stark ficou de proeiro! Demos alguns bordos em direção à Ilha Anchieta até entrarmos em sua sombra. Então seguimos em alheta e depois popa em direção à Ilha do Mar Virado, para depois engatarmos em uma aterragem de través para, então, recomeçarem os bordos. 

A cada vez que o processo era reiniciado fazíamos um rodízio de forma que TODOS os alunos ficassem no leme, na escota da vela mestra e nas catracas. E nesse meio tempo conversávamos sobre aerodinâmica, equilíbrio, regulagens, tecidos de velas, aviação (sempre ela, não é Antonio Marcos, que me lê ai no Tribunal de Contas?! - o Eduardo Ramos também é piloto!) e coisas tantas da vida.

Da esquerda para a direita: André, Eduardo e Ivan.

O vento apertou um pouco (chegou a quinze nós) e quando eu senti que estava tudo funcionando, "virei passageiro" e deixei os meninos se divertirem, lá pelos lados da Enseada da Fortaleza. O Mala voou. Seis nós na média. O GPS registrou a máxima de oito nós, mas eu credito isso a alguma surfada, até porque estávamos com pouco pano e minhas velas estão de dar dó (assunto para um 'post' específico).

Além dos bordos demos alguns jaibes e em um deles a argola que prende a esteira na retranca estourou. Rapidamente baixamos a mestra um bocadinho, com o veleiro em orça e improvisamos uma alça com um cabinho de spectra. Em cinco minutinhos a onça estava domada, mas a cara do Walnei quando viu a vela voando sem controle merecia uma fotografia aqui para o blog!

Essa é a cara do Walnei "tranquilo". Imaginem a que ele fez quando a argola estourou!
Já pertinho da poita, depois de velejarmos por cinco horas e meia e termos navegado à vela por pelo menos vinte  milhas náuticas (eu perdi o hábito de usar o GPS), ligamos o motor e encerramos os trabalhos. Mas só os daquele dia!!!

A Ilha do Mar Virado
O Eduardo logo foi embora (pena, pois ele é muito legal) e então nos vimos obrigados a aceitar uma proposta tentadora: um ultra mega power blaster churrasco, oferecido na casa do sogro do pai do primo do irmão do sobrinho do namorado da irmã do André! Seu Zè e Dona Tina, gente simples da mais alta qualidade, recebeu nossa tripulação de penetras com muita simpatia, alegria e comida de primeira. O Ivan dessa vez não cozinhou nada... só pensava na namorada e em seu "gato de um metro e dez".

Seu Zé, Dona Tina e André

Bem, se a relação de parentesco entre os anfitriões e o André é confusa, basta chamar esse casal daquilo que eles são: AMIGOS. É o que basta. Qualquer dia eu apareço na porta deles com uma peça de picanha... 

Por falar nisso achei bem legal a amizade que o Ivan e o André desenvolveram, nascida a bordo do Malagô.  

Ricardo, Ivan, André e Walnei. 

Além disso o André me deu uma prova de que existe gente decente em um grau pouco imaginado: na tarde do domingo percebi uma tampinha de ralo diferente em um dos embornais. "Ela havia sumido no Carnaval", pensava eu. Nada disso... na travessia para Ubatuba ele a havia deixado cair no mar e, mais uma vez a bordo,  não apenas se lembrou como fez, sem alarde algum, a substituição. Caráter... coisa rara hoje em dia e quem o tem,vale ouro.

No domingo bem cedinho, quase cinco da manhã (brincadeirinha, Priscila! Eu estava T-R-A-B-A-L-H-A-N-D-O) eu, o Ricardo e o Walnei voltamos para a Ribeira. O Ivan e o André ficaram na casa do Seu Zé e voltaram para São Paulo no dia seguinte.

O dia nasceu e aproveitamos para, enfim, encher os tanques de água doce do Malagô. Ato contínuo, fomos para o Piano Piano e descobrimos aquilo que já sabíamos: fora uma mancada ou outra na montagem do barco e de alguns dublês de lais de guia (tudo já superado), o Walnei já é velejador há muito tempo! Só precisa se acalmar e parar de achar que qualquer rondadinha do vento foi culpa dele! Quanta pretensão... Ele agora controla os ventos, é???! Tá bom então, Éolo!

Curso agora só dia 06/04! Mas corra, pois só temos UMA vaguinha!!!

Bons ventos!

Comentários

  1. :( ...rs..é a minha vaga que fica em aberto, mas logo voltarei para retoma-la...rs.. Saí dai dessa vez com o sentimento que ja posso levar um veleiro até ali e voltar, coisa que, claro, só vai acontecer com treino...a aula foi muito boa. Abraço a todos..

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  2. Juca, obrigado pelas palavras sempre amigas e conte comigo!!
    abraço!!

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