Pois é...

Em fevereiro desse ano o Brisa estava perfeito... cheio de frescuras: enrolador de genoa, stoppers, motor de popa 0 km! Ai eu tive a ideia de anunciar o barco. Como demora para vender, imaginei que isso só fosse acontecer lá para novembro. Pois é... em uma sexta-feira, dois dias depois do anúncio, o primeiro que viu, levou! E nós ficamos sem barco... Carnaval, sol... o que fazer?! Bora para Paraty! Olha daqui, olha de lá, encontramos o Cusco Baldoso (o nome era outro, mas Netuno não pode saber!). O nome, em gauchês, significa viralata (cusco) manhoso (baldoso). E assim montamos nossa casa flutuante, na nossa tão adorada Paraty.

Mas.. (e sempre tem um mas, não é?) a coisa não funcionou. A dona do barco começou a fazer faculdade de biologia marinha... aulas aos sábados. Nossas idas ficaram restritas a uma vez ao mês, muito na marra. Tivemos bons momentos, como no feriado da Páscoa, em que fomos até a ilha do cedro e para a ilha da cotia (lugares mágicos); outros, nem tanto, como quando numa das idas, sozinho, sai da estrada em Maresias e quase me dei bem mal...

Não teve jeito. Paraty ainda não era para a gente. Em 01/05/2010 me lancei, junto com mais um tripulante na travessia de lá para cá (cerca de 120 milhas náuticas, ou 238 km, aproximadamente). Não foi fácil... Mar baixo, pouco vento e uma rota mal planejada (por mim). Mal porque resolvi tocar em uma toada só. Não deu. Dormimos umas parcas horas no Saco da Ribeira e, no dia seguinte, já bem cedo, rumo ao canal de Bertioga. Novo erro, quando passamos reto por Ilhabela. A navegação noturna é linda, mas não cai bem em uma tripulação cansada, desentrosada e composta por egos deveras fortes. Barco com dois comandantes afunda e o preço por colocar as coisas em ordem talvez tenha sido alto. Queria que a Pri tivesse ido comigo, ou o Skipper que contratei e descontratei logo em seguida. Enfim, fica a lição.

Hoje eu teria feito essa travessia da seguinte forma: 1) Paraty/Picinguaba; 2) Picinguaba/Ribeira; 3)Ribeira/Saco da Capela(Ilhabela) e 4) Capela(ilhabela)/Canal de Bertioga. Navegação somente diurna, dormindo e comendo bem. Não pela distância em si, mas pelo tamanho reduzido do Cusco. Fica a lição...
Anotações do diário:
Saímos de Paraty no sábado, às 04h00. Menos de 03 milhas navegadas, voltamos. A gasolina estava adulterada. O motor falhava... não ia dar. Voltamos para a marina, trocamos a gasolina... Zarpamos as 08h00 em ponto. Motor ok!

Às 12h00 cruzamos a Joatinga. Subimos os panos. Ventos fracos demais, a média caiu de 5 nós ara 3.5. Depois do almoço, seguimos novamente no motor. A travessia até a ponta negra levou uma vida... mar com ondas de 1 metro, que iam até o paredão e voltavam, bagunçando tudo. Nenhuma nuvem no céu.

19h00. Escuro. No través da Ilha das Couves. Há apenas 1 litro de gasolina e cerca de 12 milhas até a entrada do saco da ribeira. O motor é desligado, para economizar para eventual manobra no saco. Preparados para boiar um tempão, fomos surpreendidos por um lestão (popa), que nos levou a 5 nós. Mas não durou muito. Por sorte veio um terral e com ele chegamos ao saco. Mas foram 06 horas desde as Couves...
01h00 – ferro no saco. Sono profundo.
07h00 – uma lancha balança tudo. Acordamos e abastecemos, dessa vez com gasolina suficiente.
08h00 – suspendemos.
12h00 – Ilhabela, onde o caldo entronou (no mar, com os 18 nós de vento – popa – e no barco). Panos em cima até a Ilha Toque Toque.
19h00 – Montão de trigo.
00h00 – Entrada do canal de Bertioga.
01h00 – Chinen. Ufa!

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